Quatrocentos educadores participam do encontro Bibliotecas Escolares: compartilhando experiência de conhecimento e de aprendizagem,socializando projetos

O autor e ilustrador de livros infantis, Marcelo Xavier, que é também artista autodidata, foi categórico ao dizer, para um público composto por 400 educadores, da rede estadual de ensino de Minas Gerais, que não acredita na eficácia de campanhas de leitura feita pela leitura. A fala se deu durante a abertura do encontro Bibliotecas Escolares: Compartilhando experiências de conhecimento e de aprendizagem,  realizado pela Magistra – Escola de Formação e Desenvolvimento de Educadores de Minas Gerais, e ilustra a premissa do evento criado para repensar o uso das bibliotecas nas escolas da rede pública de Minas.

O cartunista e arte-educador Mário Vale, o autor de livros infantis Marcelo Xavier e o cantor e compositor Rubinho do Vale abriram o encontro Bibliotecas Escolares: Compartilhando experiências de conhecimento e de aprendizagem. Foto: Bárbara Camargo ACS/SEE

Para Marcelo Xavier, é preciso explorar muito mais aquilo que chamou de “mundo fantástico da biblioteca, que concentra todo o conhecimento produzido pela humanidade”, para que seu valor enquanto espaço artístico e formador seja reconhecido e devidamente explorado em todas as potencialidades.

O encontro reúne educadores de várias partes do Estado e promove até a próxima quinta-fera, 21, 16 minicursos além de mesas redondas com especialistas e pesquisadores ligados a biblioteconomia e assuntos correlatos.

Programação

Até o final da semana serão ministradas as palestras “Leitura, a escrita e o portfólio: sonhos, encantos, possibilidades, conhecimentos e criatividade”, com Márcia Ambrósio Rezende, além das oficinas “Vivência Musical no cotidiano escolar” ministrada pela coordenadora pedagógica da Magistra, Alícia Loureira, “Oficina de modelagem com massinha”, com Marcelo Xavier, “Gênero textuais na escola”, com Ana Paula Rodrigues, “Rede Social biblioteca digital de leitores: Biblon ibero-americano e “Revitalizando a Biblioteca escola: desafios e possibilidades” de Flávia Filomena R. da Mata.

Questionado sobre suas metodologias para a oficina de criatividade, a partir de dobradura, recorte e colagem, Mário Vale, que trabalha com arte-educação explicou que suas oficinas são guiadas pela intuição. “Meu objetivo é fazer com que as pessoas produzam aquilo que está dentro delas, e não dentro da minha cabeça. Não podemos engessar pensamentos”, o que para ele deve ser levado em conta no processo de aprendizagem.

O cartunista Mário Vale. Foto: Bárbara Camargo ACS/SEE

A diretora da Magistra destacou, por sua vez, que a seleção de minicursos ligados as áreas tecnologia da informação, traduz uma preocupação de encontro Bibliotecas Escolares em discutir o espaço como algo muito além de um local de leitura, pesquisa e depósito de acervos impressos. “É preciso unir linguagens de conhecimento e cultura nestes espaços. O intuito é transformar a biblioteca em um espaço artístico, irradiador de várias práticas pedagógicas integradoras que sejam capazes de oferecer ao aluno um espaço para dialogar e de criar com a cultura escolar convencional”, continuou a diretora.

A biblioteca como espaço de interação

Marcelo Xavier que participou da mesa redonda “A biblioteca escolar como espaço da interação entre o escritor e o leitor”, que contou ainda com a presença de do cantor e compositor Rubinho Vale, autor de sete álbuns musicais para crianças e do cartunista Mário Vale lembrou que é preciso questionar porque normalmente os mais jovens preferem às quadras as bibliotecas. “A imaginação é uma coisa nata de todos nós. Mas é preciso despertá-la para que flua”, pontuou.

“Eu era um ignorante sobre o que é uma biblioteca e a sua importância até participar de um congresso sobre Biblioteca Aberta, que tinha espaços cenográficos incríveis, e que acabou se tornando o espaço predileto do público. Lembro que para chegar a biblioteca era preciso passar por um corredor de pano, como um abrate sésamo que levava a uma cozinha com fogão e geladeira repletos de livros”, relembrou o Xavier, aludindo ao fato de que é preciso transformar a biblioteca encarar a biblioteca como um lugar da arte, que ajuda a olhar e a sentir. “E arte é a pedra fundamental da educação”.

A vice-diretora e a professora da Escola Estadual Coronel Francisco Rolla, de São Domingos do Prado, tiveram o projeto selecionado pela Magistra. Foto: Bárbara Camargo ACS/SEE

“Inclusive, o bibliotecário precisa ser embuído da ideia de que arte é para todo mundo, não é somente coisa de artista. A formação plena de uma pessoa passa pela arte. E a biblioteca é o local não é só lugar de literatura, é lugar também das artes plásticas, do cinema, da música. A biblioteca é definitivamente o local para exercitar ou pelo menos introduzir os jovens a este universo mais sutil e lírico”, defendeu o autor aplaudido pelos professores.

Para a vice-diretora da Escola Estadual Coronel Francisco Rolla, Rosemary Sá, “acho de extrema importância um evento como este. As bibliotecas estão mesmo adormecidas. O carro-chefe de toda escola deve ser a leitura, e isto precisa de fato florescer com mais força nas escolas. A vice-diretora estava acompanhada da professora dos anos iniciais da escola Luciana Rolla, representando o projeto “Ler para Crescer”, um dos 115 trabalhos de todo o estado relacionados ao uso de bibliotecas selecionados pela Magistra para ser compartilhado durante a semana do encontro.

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