Ideia é enfatizar a importância da biblioteca enquanto espaço formador de potencial
Cerca de 400 professores da rede estadual de ensino de Minas Gerais participaram na manhã desta terça-feira, 19, da abertura do encontro “Biblioteca Escolar: Compartilhando Experiências de Conhecimento e de Aprendizagem”, que seguirá até a próxima sexta-feira, 22, com uma programação repleta de minicursos, debates e relatos de experiência.

Quem abriu o encontro foi o trio de autores de livros infantis, Marcelo Xavier e Mário Vale, que são também artistas e programadores visuais, além do cantor e compositor Rubinho do Vale, reconhecido pelo trabalho “Cantoria Pedagógica”. Os artistas integraram a mesa redonda, “A biblioteca escolar como espaço de interação entre o escritor e o leitor”.
Os cerca de 400 professores e gestores escolares convidados tiveram seus trabalhos voltados para o uso da biblioteca escolar selecionados pela Magistra – Escola de Desenvolvimento e Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores de Minas Gerais, que este ano comemora um ano de existência.
Programação
Até o final da semana, 20 oficinas serão ministradas por diversos profissionais convidados, e os temas contemplam questões que vão desde a “Revitalização da biblioteca escolar: desafios e possibilidades” até minicursos relacionados a Web 2.0 e a Educação, a criatividade, a vivência musical nas bibliotecas e as bibliotecas digitais, como a Biblon Ibero Americano, que permite inovar em práticas pedagógico-didáticas dos professores que lecionam no Ensino Fundamental.

Questionada sobre a razão para a diversidade da programação, que contempla e prioriza também o uso e a potencialidade das tecnologias da informação nas bibliotecas, a diretora da Magistra, Ângela Imaculada Loureiro de Freitas Dalben, foi categórica ao lembra que “a escola não pode se resumir a sala de aula. Tampouco o conhecimento está só no suporte impresso. Por isso, é preciso unir linguagens de conhecimento e cultura”, pontuou Ângela. “O intuito é transformar a biblioteca em um espaço artístico, irradiador de várias práticas pedagógicas integradoras que sejam capazes de oferecer ao aluno um espaço para dialogar e de criar com a cultura escolar convencional”, continuou a diretora.
O autor e compositor Rubinho Vale concordou com a colocação de Ângela. “A biblioteca é o lugar da arte na escola, e o livro é apenas a matriz de uma ideia que pode se transformar em muitas coisas neste espaço”.
Ao todo, 115 trabalhos ligados á prática educacional nas bibliotecas foram selecionados pela Magistra, para serem relembrados e compartilhados durante a semana. Os relatos de experiência se darão até dia 21, nas dependências de um condomínio, em Jaboticatubas, escolhido para sediar o encontro “Bibliotecas Escolares: compartilhando experiências de Conhecimento e Aprendizagem”. Sacola Mágica, Ler é uma viagem, Histórias da Vovó, Quem Conta um Conto aumenta um Ponto, Pode Ler. Eu já li e gostei, Leitura de Graça na Praça, Mala Viajante, Literatura de Cordel, Me leva que eu Vou, Asa de Papel e Poesia ao Luar são os nomes de alguns dos projetos realizados por professores e bibliotecários de escolas da rede estadual de Minas Gerais nos últimos meses, e que serão socializados entre o público convidado.

Na abertura do encontro, que aconteceu na noite desta segunda-feira, 18, Ângela Dalben fez uma breve provocação sobre a otimização do uso do espaço das bibliotecas. “A biblioteca é somente um lugar para pesquisa? Uma sala de leitura? Um depósito de livros didáticos? A escola aberta do século XXI pede para repensarmos com mais afinco esta realidade que precisa mudar”.
O trio Amadeus, formado por músicas com experiência em concerto didático, se apresentou no encerramento da noite de ontem, com harpa, violão e violino. Além da Bossa Nova e de um repertório que trouxe música medieval, o trio apresentou clássicos da Música Popular Brasileira (MPB), como o choro “Brasileirinho” e a canção O Caderno, de Toquinho, dedicada aos docentes que segundo o grupo “é a base de tudo”.
O espetáculo “A Maior Flor do Mundo”, inspirado na obra do escritor português José Saramago e a mesa redonda “Biblioteca Escolar: um espaço em construção”, que contará com a presença de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), farão parte da programação especial, que acontece paralelo aos 16 minicursos e ao compartilhamento das experiências e projetos.

O tema “A biblioteca escolar: onde estão os livros? Onde estão os leitores?”, que será ministrada pelo pesquisador e dramaturgo José Simões de Almeida, e pela pesquisadora da UFMG, Maria Antonieta Cunha, encerra a programação do encontro que é uma realização da Secretaria de Estado de Educação. “Fico feliz que o Estado esteja representado neste evento, realizado, pela primeira vez, com esta dimensão e para este público alvo. Vocês vão gostar do que irão conferir aqui”, concluiu a diretora da Magistra.