De acordo com os resultados do Ideb, os anos iniciais alcançaram índice previsto para o Brasil em 2021

Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), de 2011, mostraram que os anos iniciais do ensino fundamental na rede estadual mineira foi de 6,0. Esse índice é considerado, pelo próprio Ministério da Educação como sendo “correspondente à qualidade do ensino em países desenvolvidos”.

 No Estado, o padrão foi alcançado em 767 escolas estaduais dos anos iniciais do ensino fundamental, que obtiveram índice igual ou superior a 6, no, o que eleva a educação mineira a um padrão internacional de qualidade. A nota 6 é calculada como meta, para 2021, pelo Governo Federal para todas as escolas públicas do país. Em todo o país, 1.788 escolas estaduais alcançaram ou superaram o índice 6.

“A rede estadual de Minas Gerais alcançou o índice 6 no Ideb antecipando a meta posta em nível de país. Isso representa os avanços que o Estado tem alcançado com a política educacional adotada nos últimos anos. Uma política preocupada com a alfabetização, assessoramento e acompanhamento do trabalho das escolas no sentido de ajudá-la a melhorar a qualidade do ensino”, destaca a subsecretária de Tecnologias e Informações Educacionais da Secretaria de Estado de Educação, Sônia Andere Cruz.

Mesmo as avaliações do Ideb sendo aplicadas apenas no Brasil, quando o exame foi criado, em 2007, um grupo de consultores do Ministério da Educação (MEC) fez um estudo que simulou os indicadores do Ideb — desempenho dos alunos e taxa de aprovação — em países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O objetivo foi o de verificar o desempenho médio desses países e o resultado encontrado foi igual e superior a 6. A ideia é que todas as escolas públicas do Brasil alcancem esse índice até 2021.

A Escola Estadual Professor Modesto, no município de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, está entre as dez escolas mineiras melhores colocadas no Ideb. A escola alcançou o índice 8,0 na avaliação. Além da participação dos professores, a diretora Ivanilda Lopes Soares Ferreira ressalta o papel dos pais nos resultados da escola.

Na Escola Estadual Professor Modesto, em Patos de Minas, alunos participam de diferentes iniciativas. Foto: Arquivo Escola

“O nosso diferencial está no desempenho dos educadores e na participação dos pais. Em toda reunião eu tenho 100% da presença dos pais. Também fazemos treinamentos para eles serem professores de reforço também. Nós ensinamos os pais para eles trabalharem em casa com material lúdico. Os pais são capacitados para trabalhar a alfabetização com os alunos com mais dificuldades em casa”.

Além de trabalhar com material concreto para despertar o raciocínio dos alunos, a escola investe em projetos de leitura. O ‘Ler é um prazer’, por exemplo, une leitura e produções artísticas. Após ler um livro, os estudantes produzem textos, fazem trabalhos de artes e teatros.

Para a estudante do 4º ano do ensino fundamental, Ana Laura Fonseca de Sá, de 9 anos, as atividades literárias são as melhores. “Eu achei legal o projeto, porque a gente faz várias atividades literárias, sobre a família e o livro da ‘Chapeuzinho Vermelho’. O ‘Chapeuzinho Vermelho’ era um menino que usava uma capa vermelha. Ele tirou o casaquinho para pegar maças. Aí o lobo pegou o casquinho e fugiu. Ele vestiu a roupa da vovozinha do Chapeuzinho para enganar o Chapeuzinho. Só que no final a vovozinha foi salva. Eu achei legal, porque a história foi bem diferente e nós comparamos a história com a original”. 

Índice nos anos finais

Já nos anos finais do ensino fundamental, das 77 escolas estaduais brasileiras com índice igual ou superior a seis, 35 são mineiras. De acordo com o resultado do Ideb 2011, a rede estadual mineira está classificada como a 2º entre todas as redes estaduais do país, atrás apenas de Santa Catarina.

A Escola Estadual Doutor Luiz Pinto de Almeida, em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, é a melhor colocada da rede estadual mineira. A escola alcançou o índice 6,6 no último Ideb para os anos finais. A diretora, Rosemary de Castro Silva Mendes atribui o resultado aos projetos desenvolvidos pela escola. “Aqui na escola, temos um pedagógico muito forte. Os nossos professores são muito comprometidos e a equipe pedagógica muito atuante. Desenvolvemos projetos que incentivam a leitura e o raciocínio lógico”, conta.

Escola Estadual Dr. Luiz Pinto de Almeida investe em projetos que despertam o interesse pela leitura e o raciocínio lógico. Foto: Arquivo Escola

A escola está entre as instituições mineiras com maior número de medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Além disso, este ano uma das equipes de robótica da escola participou da First Lego League, torneio mundial de robótica. O raciocínio lógico também é estimulado por meio de oficinas de xadrez.

Já a leitura e a interpretação são estimuladas por meio das oficinas de leitura e do festival de poesia. Este ano, será realizada a 11ª edição do festival. A iniciativa mobiliza toda a escola e anualmente é escolhido um tema para que os estudantes possam produzir seus próprios textos e apresentar para comunidade. O tema deste ano é ‘Brasileiríssimo: as muitas histórias do meu Brasil’.

Esforços mineiros

Além do Ideb, Minas também aplica avaliações diagnósticas próprias, por meio do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (Simave). Com as avaliações do Programa de Avaliação da Alfabetização (Proalfa) e o Programa de Avaliação da Rede Pública de Educação Básica (Proeb) o Estado avalia, anualmente, estudantes do ensino fundamental (3º, 5º e 9º) e médio (3º ano), o que permite corrigir distorções e criar projetos para aprimorar a qualidade do ensino.

São os resultados das avaliações externas que subsidiam as ações da Secretaria de Estado de Educação. “As avaliações são o nosso ponto de partida. A partir delas temos os diagnósticos dos alunos e podemos saber, por exemplo, as capacidades que eles consolidaram e que ainda precisam consolidar. Com os resultados em mãos fazemos estudos gerenciais que ajudam no trabalho de intervenção”, destaca a superintendente de Desenvolvimento da Educação Infantil e Fundamental, Maria das Graças Pedrosa Bittencourt.

Criado em 2007, o PIP I usa os resultados das avaliações para traçar metas de avanço e garantir que toda criança esteja lendo e escrevendo até os oito anos de idade. A primeira fase do programa é voltada para os alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. Já o PIP II foi lançado em 2012 e surgiu com o objetivo de levar para os anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) a experiência bem sucedida do PIP I.

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