Superintendências e escolas que se destacam no Estado se assemelham pelo foco no planejamento e por desenvolver projetos pedagógicos
Iniciativas como o Programa de Intervenção Pedagógica (PIP) garantiram o aumento no nível de leitura e escrita de alunos de toda Minas Gerais e algumas regiões e escolas do Estado são emblemáticas desse crescimento. Na SRE de Araçuaí, no Norte de Minas, por exemplo, o PIP fez com que a Superintendência saísse de um índice baixo de desenvolvimento para se tornar uma das referências no estado. De acordo com o Programa de Avaliação da Alfabetização (Proalfa), que avalia o nível de leitura e escrita dos estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental, em 2006 a SRE tinha um dos cinco piores desempenhos do estado, com uma proficiência de 463,13. Na última avaliação, Araçuaí atingiu a proficiência de os 615,78 e conseguiu que 94% dos alunos de oito anos estivessem lendo e escrevendo com autonomia.
O crescimento foi o maior entre as 47 Superintendências do Estado no período, mas o bom resultado não surgiu por acaso nos boletins de desempenho. Segundo a diretora educacional da SRE de Araçuaí, Áurea Borges Costa, o avanço nas 103 escolas, dos 21 municípios atendidos pela SRE é fruto de uma participação maciça dos integrantes da equipe do PIP em Araçuaí, que conta com 17 analistas e 20 inspetoras. “As nossas analistas acompanham o trabalho dentro da sala de aula. Fazemos um diagnóstico da escola, sabemos quais alunos estão com dificuldades e propomos uma intervenção específica para esses jovens”, afirma. Geralmente, analistas e inspetoras visitam as escolas em dupla e trabalham em parceria com a equipe pedagógica das instituições para que os estudantes com dificuldades possam crescer. “Uma das alternativas é fazer com que esses alunos participem de um trabalho de reforço do conteúdo com professores de outro turno ou com docentes que estejam no uso da biblioteca. E dá resultados”, completa Áurea.

Na SRE de São João del-Rei, o desempenho dos estudantes também cresceu nos últimos anos no Proalfa. A avaliação de 2010 mostrou que 94,7% dos alunos do 3º ano do ensino fundamental sabem ler e escrever. A equipe do PIP por lá segue as orientações do Programa propostas pela Secretaria, mas também aposta em projetos próprios para garantir o desenvolvimento dos alunos. A SRE promove um congresso anual sobre educação, desenvolve gincanas na área de Português e Matemática para todas as escolas, como o “Soletrando” e o “Calculando”, e organiza um encontro para intercâmbio de professores da rede estadual com as redes municipais da região. A Superintendência também organiza avaliações próprias para os alunos da rede, com o intuito de orientar o trabalho ao longo do ano. “O sucesso nas avaliações é fruto do planejamento e organização da SRE. A presença da Superintendência e da Secretaria na escola também ajuda a desenvolver um trabalho integrado”, explica a diretora pedagógica da SRE de São João, Maria Aparecida Mendes.
Intervenção nas escolas
As escolas que se destacam no Estado, além de contarem com as orientações das interventoras do PIP, apo
stam em iniciativas voltadas para aspectos lúdicos e que despertam o interesse dos alunos. A Escola Estadual Duque de Caxias, no Barreiro, em Belo Horizonte, por exemplo, trabalha projetos diferenciados de leitura para todos os anos de escolaridade. A instituição atende à alunos do 1º ao 5º do ensino fundamental e quer transformar seus mais de 500 estudantes em leitores e escritores. Isto porque, com tanta leitura os diversos trabalhos realizados pelos estudantes dão origem a livros que enfeitam as prateiras da biblioteca.

Também em Belo Horizonte, a Escola Estadual Necésio Tavares busca ir além do PIP e investe em práticas diferenciadas para o ensino da Matemática entre os alunos dos anos iniciais. O uso de material concreto, como as tampinhas de garrafas pet, auxilia no ensino das unidades, dezenas e centenas. Já os encartes de lojas, que apresentam os preços dos produtos, são utilizados para dar as noções de matemática financeira. Os trabalhos não param por aí, a escola também possui ações voltadas para o estímulo da leitura dos alunos. Todos os esforços contribuíram para que a escolas fosse um dos destaques do estado no Programa de Avaliação da Alfabetização. Enquanto na escola, o índice da proficiência foi de 647,1, a média do estado foi de 589,8.
Na Escola Estadual Olímpia Rezende Pereira, no bairro Jardim América, em Belo Horizonte, não são só as avaliações externas que orientam a intervenção. Segundo a diretora, Silvana Pires de Carvalho, até as provas internas são usadas para orientar o trabalho. “Nós vamos acompanhando tanto os resultados internos quanto externos para saber qual criança precisa de intervenção. Então, montamos as várias ações que vão integrar a intervenção”, explica. O projeto Adoção nasceu a partir de um dos planos. Nesse projeto, os alunos com baixo desempenho são separados e recebem uma aula de reforço de outra professora. “A professora que está disponível em um determinado horário pega esse menino e trabalha com ele sua dificuldade. As aulas acontecem uma vez por semana e ela ‘adota’ aquele aluno para que ele possa evoluir”, completa Silvana.
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