Evento ocorrido em Belo Horizonte reuniu mais de 500 pessoas para discutir estratégias para inclusão no ensino médio
A participação na formação de uma nova educação em Minas e o direito à educação democrática e de qualidade, como forma de acesso a outros direitos de cidadania. Estes foram alguns dos pontos comuns nos resultados das rodas de conversa realizadas durante a Virada Educação apresentados pela secretária de Estado da Educação, Macaé Evaristo, no encerramento do Seminário Internacional sobre Inclusão de Adolescentes e Jovens no Ensino Médio. O seminário aconteceu em Belo Horizonte nestes dias 27 e 28 de abril e contou com a participação de mais de 500 pessoas.
As rodas de conversa foram uma das ações da Campanha Virada Educação Minas Gerais ocorrida no ano passado em todos os 17 territórios do Estado e que tiveram como objetivo promover o debate junto à comunidade escolar sobre diretrizes de um novo ensino que priorize a inclusão e a gestão democrática. E ainda debater uma nova escola que acolha os jovens que abandonaram os estudos. A dinâmica envolveu rodas de conversa entre estudantes e outra entre professores.
Em sua apresentação, Macaé Evaristo mostrou as principais reivindicações dos jovens. Sobre currículo e práticas pedagógicas, as demandas envolvem participação: na escolha de temas e no planejamento das aulas bem como na definição e execução de projetos e eventos da escola a serem criados e executados de forma coletiva. Segundo a secretária, eles apontaram a necessidade da abordagem de temas transversais nos conteúdos curriculares como cidadania, educação sexual, o uso de drogas e informática, além de ampliação de conteúdos artísticos como música e teatro.
Os jovens sugeriram, ainda, que as unidades de ensino promovam com mais frequência simulados para treinos sobre as questões do ENEM.
Já os professores sugeriram, de acordo com Macaé, a necessidade de melhorar a qualidade de leitura, escrita e cálculo entre os alunos, incentivando projetos de leituras e técnicas de redação, contextualização dos currículos de forma a atender as reais necessidades dos alunos, incluindo cursos técnicos para ingresso no mercado de trabalho. Os professores defenderam a ampla discussão de novas estratégias para melhorar o interesse e comprometimento dos estudantes, como forma de evitar a rotatividade e evasão.
Ações em curso
Macaé apontou alguns programas e ações da Secretaria de Educação que estão em andamento, como a maior atenção no fortalecimento das escolas do campo, indígenas e quilombolas e a reestruturação do Ensino Noturno, o que proporcionou 114 mil novas matrículas no Ensino Médio e na Educação de Jovens e Adultos (EJA) este ano. A abertura nos finais de semana de 1.500 escolas em todas as regiões do estado, que aderiram ao programa Escola Aberta, e os 143 mil estudantes atendidos na Educação Integral, foram outras ações implementadas pela Secretaria, além da ampliação de 100% no financiamento da alimentação escolar e a participação da agricultura familiar responsável pelo fornecimento, no mínimo, de 30% dos produtos que compõem o cardápio da merenda. A SEE promoveu também a abertura de financiamento para projetos inovadores por escola.
Macaé Evaristo ressaltou a mobilização em todo o estado de educadores, pais e alunos em torno da proposta de uma educação de qualidade e participativa. “O direito à educação significa a garantia do acesso do cidadão a outros direitos. É necessário debater a forma de conduzir a transformação da educação pública e seus desafios, entre eles o de atrair os estudantes e suas famílias para a nova escola que vem se desenhando”.
A secretária reafirmou a necessidade da construção coletiva de uma educação que oriente e estimule o debate de concepções. “Não queremos uma escola pública onde todas façam a mesma coisa. É preciso considerar os princípios educativos, mas é importante pensar em territórios, no seu entorno, e suas potencialidades”, concluiu Macaé.