Iniciativas de coleta de água da chuva são desenvolvidas em escolas de Ouro Branco, Belo Horizonte e Piraúba
Os mais de dois milhões de estudantes da rede estadual mineira voltaram às aulas esta semana com uma missão: economizar água. O tema, que já era discutido nas 3.654 escolas estaduais, ganhou força neste início de ano e virou um incentivo para que as instituições de ensino intensifiquem suas ações de combate ao desperdício. Muitas escolas desenvolvem trabalhos sobre economia d´água ao longo do ano, como parte das atividades pedagógicas, mas em algumas instituições a preocupação em aproveitar bem a água é constante.
É o caso da Escola Estadual Cônego Luís Vieira da Silva, em Ouro Branco, na região central do Estado. A escola conta com um sistema de calhas e cisternas, que são utilizados para armazenar as águas das chuvas. A água captada por duas caixas d’água é utilizada para irrigar a horta da escola. “Temos uma caixa d’água de 15 mil litros e uma de cinco mil litros. Com as recentes chuvas, as duas estão cheias e estamos utilizando a água captada na irrigação da horta da escola. Utilizamos em média mil litros de água por dia na irrigação. Com as caixas conseguimos fazer uma boa economia”, conta o diretor da escola, José Luiz Campos Valli.
Carlos Henrique Souza Amorim Pereira é estudante do 3º ano do Ensino Médio e estuda na escola há três anos. Ele ressalta que a experiência que tem na escola quando o assunto é economia de água ele leva para dentro de casa. “Sempre discutimos sobre economia de água nas aulas. Ontem mesmo a professora de Química levou a turma à horta para mostrar o sistema de coleta. Além disso, o exemplo aqui é diário. Para lavar o chão, eles utilizam baldes e não a mangueira. É um hábito que levamos para a nossa casa”, conclui.
Para conseguir desenvolver o projeto de captação de água na escola, os professores conseguiram a parceria da Gerdau Açominas, empresa fornecedora de aço que atua na região. Em novembro de 2011, o projeto foi um dos vencedores do 1º Prêmio Germinar de Educação Ambiental, promovido pela Gerdau e rendeu à escola uma verba de R$8 mil para implantação das calhas. Atualmente, na horta da escola são cultivados pés de alface, couve, cebolinha e salsinha.Todos os produtos são consumidos na merenda escolar, que oferece mais de 1000 refeições diárias aos alunos dos anos finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º anos), Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos.
Outros bons exemplos
Outra escola que utiliza a captação da água da chuva para fazer a economia desse recurso é a Escola Estadual Professora Francisca Pereira Rodrigues, na cidade de Piraúba, na Zona da Mata mineira. Desde o início de 2014, a escola recolhe a água da chuva e a utiliza para lavar o pátio e aguar o gramado. “A nossa região está enfrentando uma escassez de água muito grande, mas quando chove e conseguimos captar a água dá pra perceber que fazemos uma boa economia” destaca o diretor, Marzolini dos Santos Borges.
A escola também conta com um projeto que incentiva os alunos a levarem garrafinhas de água. “Temos um projeto de economia de água desde 2013. Depois de uma pesquisa feita na escola, nós percebemos que a maior fonte de desperdício de água era o bebedouro. Então, incentivamos os alunos a trazerem garrafinhas”, conclui o diretor.
Na Escola Estadual Mário Casassanta, em Belo Horizonte, a instalação de temporizadores nas torneiras e o início de um projeto de captação da água da chuva marcaram a volta às aulas. “O projeto será desenvolvido pelo professor de Educação Física e já vai começar a ser realizado esta semana. O primeiro passo é fazer uma maquete com os alunos e depois um sistema com canos para coletar a água e armazenar em um reservatório. Essa água será usada para regar o jardim e a horta que temos na escola”, ressalta a diretora da escola, Joyce Júlia Gonçalves.
No primeiro dia de aula, na terça-feira, os alunos já tiveram uma palestra sobre a importância da economia de água. “Estamos trabalhando com eles o verbo ‘racionar’. Como são alunos dos anos iniciais do ensino fundamental temos que ensinar de uma forma mais lúdica. Por isso, racionamos o uso do papel e até o tempo de brincar. Esse ano, por exemplo, não vamos ter o banho de mangueira que fazemos para comemorar o carnaval. Também falamos para os alunos trazerem garrafinhas de casa para colocar água”, afirma Joyce.
Sistema de controle
Com relação ao consumo de água no conjunto das escolas estaduais, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) conta com um sistema de controle, o Sisconsumo, composto por dois módulos: Siságua e Sisluz. Por meio desse sistema, cada escola pode monitorar seu próprio consumo mensal de água e energia. Também é por esse sistema que a SEE faz o acompanhamento do consumo de todas as escolas e, quando é detectado um aumento anormal, é emitido um alerta para a unidade, com uma solicitação de justificativa para o aumento.
Além das atividades de conscientização e do rigoroso controle de consumo já existentes, a rede estadual de ensino estuda novas medidas de redução do uso da água em consonância com as novas políticas definidas pelo Governo de Minas Gerais — para que seja atingida a meta de redução de pelo menos 30% no consumo.