Encontro marca início da segunda etapa da iniciativa

Educadores populares que atuam no Projeto de Alfabetização e Letramento Popular de Jovens e Adultos estão reunidos em Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para discutir sobre a nova etapa da iniciativa. Os educadores estão participando de oficinas e palestra para que possam iniciar o uso do método do Círculo de Cultura. Cerca de 200 profissionais participam do Seminário, que começa neste dia 28/09 e vai até 1º/10.

“Este é um encontro simbólico, porque mostra o avanço do projeto e inicia uma nova etapa. Até então estávamos utilizando as videoaulas e agora vamos começar a introduzir os Círculos de Cultura. Além disso, os participantes estão sendo orientados sobre o processo de certificação e sobre o encaminhamento dos educandos para o ingresso nas turmas regulares da Educação de Jovens e Adultos (EJA)”, destaca a Coordenadora Estadual da Educação do Campo e Educação Indígena, Érica Justino.

Os Círculos de Cultura são uma prática educativa criada por Paulo Freire na década de 60, no nordeste brasileiro, utilizada principalmente para a alfabetização de Jovens e Adultos. Entre os objetivos da ação está o de aperfeiçoar o desenvolvimento do processo da leitura e da escrita iniciada com o método “Sim, eu posso”; proporcionar a elevação cultural do povo para que reflita sobre sua vida e seu trabalho; além de fomentar processos de transformação pessoal, comunitária e social.

Foto: Divulgação MST

Ao longo dos quatro dias de Seminário, os educadores participam de oficinas de musicalização, literatura e produção textual, contação de histórias, violência de gênero, saúde, entre outros.

Weslley Barbosa de Morais é educador popular no município de Almenara e oficineiro de música. Segundo ele, o conteúdo apresentado no Seminário deverá ser repassado para os colegas e educandos. “Ao chegar aos nossos municípios, vamos ser multiplicadores para aqueles que não tiveram a chance de participar aqui. Essas oficinas vão nos ajudar na complementação do trabalho e a tornar a educação mais humanitária”.

Sobre os resultados da iniciativa em seu município, Weslley pontua que são evidentes. “Estamos tendo resultados de forma direta. Conseguimos perceber bem na comunidade. Já temos materiais qualitativos e quantitativos”, conclui.

A educadora popular Divani Ferreira Paixão também consegue ver os resultados em sala de aula. “No primeiro dia de aula, uma das educandas me entregou um desenhou de um gatinho pintado por ela. Hoje, ela já sabe copiar do quadro e escrever o nome. Isso pra mim é uma realização. A gente consegue ver o aprendizado e que eles estão gostando de participar. Um incentiva o outro a ir às aulas e a gente acaba formando uma família dentro de sala de aula”, conta. A educadora atua no município de Novo Cruzeiro.

Atualmente, o projeto é desenvolvido em oito cidades mineiras: Ibirité, Itatiaiuçu, São Joaquim de Bicas, Almenara, Montes Claros, Teófilo Otoni, Tumiritinga e Novo Cruzeiro. Participam da iniciativa cerca de 2.300 cidadãos mineiros que buscam o acesso à educação escolar e que não passaram pelo processo de alfabetização e letramento na idade de direito. O projeto é realizado em parceria com a Fundação Helena Antipoff .

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