Iniciativa será desenvolvida em 357 escolas estaduais de oito SREs que abrangem os municípios mineiros com números alarmantes em relação à ocorrência de casos de trabalho escravo e/ou de aliciamento

Profissionais da Educação das Superintendências Regionais de Ensino de Araçuaí, Patrocínio, Paracatu, Unaí, Varginha e Metropolitanas A, B e C participaram, ao longo dessa semana, da primeira formação do projeto Escravo Nem Pensar!. A realização do projeto no Estado é resultado de uma parceria da Secretaria de Estado de Educação (SEE), por meio da Coordenação de Educação em Direitos Humanos e Cidadania, com a ONG Repórter Brasil e será desenvolvida em 357 escolas estaduais.

“Vamos fazer um trabalho junto às escolas para prevenção do trabalho análogo ao de escravo, que é uma realidade no Brasil e em Minas Gerais. Entendemos que fazer essa discussão dentro das escolas vai contribuir para que os alunos possam levar para suas famílias o entendimento da necessidade de que a pessoa tem que ser tratada com dignidade”, afirma a coordenadora de Educação em Direitos Humanos e Cidadania, Kessiane Goulart Silva.

Foto: Divulgação SEE

O objetivo do projeto é implementar abordagens didáticas de prevenção ao aliciamento e ao trabalho análogo ao escravo contemporâneo .O desenvolvimento do projeto será por meio de formação continuada para profissionais da educação e desenvolvimento de ações educativas pelas escolas participantes do projeto é o que explica o assessor de projeto da ONG Repórter Brasil, Thiago Casteli. “Ao longo do ano, vamos ter três grandes encontros formativos. As atividades são elaboradas com análise de vídeos, músicas, pesquisa de opinião, entre outros. Além disso, vamos fazer a entrega de materiais didáticos sobre os temas específicos do projeto. Também estamos fazendo discussões mais conceituais sobre temas como migração e aliciamento e falando sobre como esses temas podem ser aplicados em sala de aula”. Os profissionais que participam da formação serão responsáveis por multiplicar os conteúdos para as escolas.

Ainda segundo Thiago, Minas Gerais é o quinto estado brasileiro a desenvolver a iniciativa. “O Escravo Nem Pensar! já foi desenvolvido nos estados do Maranhão, Pará, Bahia e Tocantins. Com essa parceira o Governo de Minas cumpre a meta 41 do Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo”, conclui. A meta 41 diz que os estados devem ‘solicitar a inclusão das ações de combate ao trabalho escravo no Plano Nacional de Segurança Pública’.

Wanderlândia Silva Neiva Fernandes é analista educacional na SRE de Paracatu e participa da formação. Graduada em História, ela ressalta a importância da discussão do tema em sala de aula. “A formação está sendo excelente. Eles utilizam uma metodologia interativa e contextualizada. Acredito que vamos conseguir levar a discussão de uma forma bem legal para dentro das escolas. Essa é uma temática que precisa ser trabalhada e é papel da escola levar o conhecimento e combater essa prática criminosa”, conclui.

O Escravo, nem pensar! (ENP!) é o primeiro programa educacional de prevenção ao trabalho escravo a agir em âmbito nacional. Desde 2004, tem realizado atividades em comunidades vulneráveis socioeconomicamente, suscetíveis a violações de direitos humanos como o trabalho escravo e o tráfico de pessoas. Suas ações de formações de prevenção já alcançaram mais de 250 municípios em dez estados brasileiros e beneficiaram mais de 500 mil pessoas. O programa foi incluído nominalmente na segunda edição do Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

As Superintendências Regionais de Ensino escolhidas para participar da iniciativa abrangem os municípios mineiros com números alarmantes em relação à ocorrência de casos de trabalho escravo e/ou de aliciamento, além daqueles que abrangem o maior número de matrículas nas escolas estaduais.

Foto: Divulgação SEE

Sobre a Repórter Brasil

A Repórter Brasil, fundada em 2001 por jornalistas, cientistas sociais e educadores, é reconhecida como uma das principais fontes de informação sobre trabalho escravo no país. O seu objetivo é estimular a reflexão e a ação sobre as violações aos direitos fundamentais dos povos e trabalhadores do campo no Brasil. Suas reportagens, investigações jornalísticas, pesquisas e metodologias têm sido usadas como instrumentos por lideranças do poder público, da sociedade civil e do setor empresarial em iniciativas de combate à escravidão contemporânea, que afeta milhares de brasileiros.

Enviar para impressão