Visita do grupo da Escola Estadual José Manoel à Escola Estadual Indígena Pataxó Muã Mimatxi, localizada em Lamounier, faz parte de um programa de intercâmbio educacional
O estudo das sociedades indígenas no início da República levou turmas de 9º ano da Escola Estadual José Manoel, de Araújos, no Território Oeste de Minas, a visitarem a Escola Estadual Indígena Pataxó Muã Mimatxi, localizada em Lamounier, distrito de Itapecerica, na mesma região. O intercâmbio cultural, realizado no último mês de maio, foi orientado pela professora Patrícia Silva Cardoso, que leciona História na unidade escolar.
“Foi uma experiência muito marcante para os nossos alunos. O cacique Kanatyo fez questão de recepcionar os alunos, falar sobre a história de seu povo, apresentar o dia a dia da aldeia, mostrar costumes tradicionais e responder dúvidas dos estudantes”, comenta a professora Patrícia. Os envolvidos na roda de conversa também discutiram as relações homem-natureza, ressaltando a importância de que, mesmo com o progresso, não se perca a ideia de que o planeta Terra não é nosso, nós é que somos do planeta Terra.

“A visita à aldeia faz parte de uma proposta pedagógica maior, que envolve, de maneira interdisciplinar, conteúdos de História, Geografia e Ciências, por exemplo. Além disso, as trocas culturais vivenciadas proporcionaram lições muito importantes sobre o respeito e a valorização das raízes étnico-culturais de nosso povo", ressalta Vânia Cabral Silva Brandão, diretora da Escola José Manoel.
Na Escola Indígena Pataxó Muã Mimatxi, a recepção de grupos escolares da região faz parte de um programa de intercâmbio educacional sistematizado por meio do projeto Troca de Saberes- “Com o pé no chão da aldeia e com o pé no chão do mundo”. A iniciativa tem como base a ideia de que os contatos interculturais favorecem a socialização de conhecimentos curriculares e de vivências de mundo.

“Os povos indígenas possuem seus processos educativos próprios, que ocorrem em diferentes espaços e tempos de ensino e aprendizagem. Assim, todas as ações do projeto são desenvolvidas com uma intencionalidade pedagógica específica, respeitando a diversidade étnica”, conclui Siwê Alves Braz, diretor da Escola Indígena e que vem sendo preparado por seu pai, Kanatyo, atual cacique, para assumir a liderança da tribo.
Por Andreia Mendes