Metodologia sugere a discussão de assuntos de interesse dos jovens para composição do currículo do Ensino Médio Integral e Integrado. Foto: Franciele Xavier (SEE/MG)

Alunos do Ensino Médio e professores de 24 escolas estaduais de Belo Horizonte e região metropolitana participaram, nestas quarta e quinta-feira (16 e 17/05), da dinâmica de apresentação do método Ambiências Criativas, para ser aplicado no Ensino Médio Integral e Integrado. A iniciativa foi elaborada pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE), em parceria com o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

Basicamente, o método sugere que alunos e professores se envolvam em temáticas específicas para discussões em grupo sobre assuntos que são do interesse dos estudantes e que, a partir da percepção dos educadores, podem passar a integrar o currículo da escola, tanto para a parte flexível quanto para os componentes curriculares da base comum.

De acordo com a analista educacional da SEE, Liliana Silveira, além de nortear o currículo, as discussões devem servir, também, para os professores pensarem em uma possível integração entre as disciplinas. “A intenção é dar voz aos estudantes e incluir na rotina de estudos assuntos e temas que eles gostam de discutir, que agregam, que promovem reflexão. Já o papel dos professores é observar a discussão e verificar com o que aquela temática dialoga dentro do plano de estudo e onde ele enxerga o componente curricular dele. Organizamos estas oficinas para ter uma ideia de como alunos e professores reagem a essa proposta, e estamos otimistas com o retorno que tivemos”, disse a analista.

Alunos, professores e analistas se reuniram em grupos para debater temas como Meio Ambiente, Convivência Humana e Tecnologia. Foto: Franciele Xavier (SEE/MG)

Mediadores

Os encontros duraram dois dias e cada escola levou dois alunos, um professor e um coordenador do Ensino Médio Integral e Integrado. De acordo com Liliana, os professores e coordenadores participantes serão os mediadores em cada escola, e terão a responsabilidade de conduzir o processo de apresentação e prática da metodologia. “Eles vão repassar para outros educadores e também para os estudantes, para que todo mundo pratique a metodologia”, disse Liliana.

A técnica do Cenpec que veio de São Paulo a Belo Horizonte especialmente para conduzir as oficinas, Lilian Quelian, explica que, na prática, a metodologia é muito simples. “Basicamente consiste em reuniões realizadas na escola com um grupo de alunos, que pode ser reduzido ou até uma ou duas turmas inteiras, com o objetivo de provocar estes jovens com questões sobre o mundo, tecnologia, convivência humana, meio ambiente e relações amorosas, por exemplo. A partir destas provocações, vão nascer temas de interesse, problemas que os estudantes têm vontade de investigar. Depois disso, os professores vão sistematizar o que é produzido nessa reunião e começar a trabalhar de forma mais direcionada a esses assuntos, tanto nas atividades da parte flexível, quanto da base comum”, explicou Lilian.

Material de orientação inclui cartazes que ajudam a nortear as discussões. Foto: Franciele Xavier (SEE/MG)

Ainda segundo a especialista, a intenção final é “fazer com que o currículo abra espaço para os interesses dos estudantes, para as questões dos territórios onde eles estão inseridos, tudo para que a escola tenha mais significado e seja mais interessante para estes jovens, sem que ela deixe de ser um espaço de construção do conhecimento”, como definiu Lilian.

Para a estudante Débora Murta, aluna do 1º ano do Ensino Médio Integral e Integrado do Colégio Estadual Central, a metodologia “Ambiências Criativas” está aprovada. “Acho interessante porque é como se fosse a abertura de uma porta para nós, alunos, podermos debater assuntos que são interessantes para nossa idade, nossa fase de vida. Além disso, há uma aproximação dos estudantes com os professores, mas não dentro daquela hierarquia de que professor manda e aluno obedece, e, sim, de igual para igual, dentro de uma discussão saudável e produtiva. E, no final, ter esses assuntos como objeto de estudo dentro até das disciplinas tradicionais é um ganho muito grande, porque certamente estudar vai ficar mais interessante”, disse a jovem.

O professor de Pesquisa e Intervenção e coordenador do Ensino Médio Integral e Integrado do Colégio Estadual Central, Reinaldo França, acredita que, com o novo método, será mais fácil conseguir prender a atenção dos seus alunos durante as aulas. “Antes, ficar cinco horários em uma escola ensinando conteúdos da forma tradicional já era difícil. Agora, com nove horários, um dos maiores desafios para o professor é conseguir a participação dos estudantes. Por isso, escutá-los em um debate como esse é muito importante, ainda mais com a possibilidade de levar os frutos dessa discussão para dentro de sala de aula, em forma de conteúdo das disciplinas e atividades”, disse o professor.

Após a análise da participação das 12 escolas, a metodologia Ambiências Criativas será implantada gradativamente nas escolas estaduais que oferecem o Ensino Médio Integral e Integrado de Minas Gerais.

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