Cronograma de trabalho de campo do projeto interdisciplinar inclui visitas a museus e também aos pontos turísticos em meio à natureza de Itabira e região. Foto: Cassio Seretti

A história, as tradições e as curiosidades do município de Itabira e seu entorno, no Território Metropolitano de Minas Gerais, vistas por um olhar fotográfico são o tema do projeto de integração curricular dos alunos do 2º e 3º anos do Ensino Médio Regular e Integral e Integrado da Escola Estadual Mestre Zeca Amâncio (EEMZA), localizada na mesma cidade.

O projeto tem o nome de “Cultura: Permanências e Rupturas em Itabira” e envolve as disciplinas e professores de Biologia, Empreendedorismo, Filosofia, Física, Fotografia, História, Introdução ao Jornalismo, Línguas Portuguesa e Inglesa, Matemática, Pesquisa e Intervenção, Produção de Eventos, Profissões de Mercado, Química e Sociologia.

De acordo com o coordenador do Ensino Médio Integral e Integrado na EMMZA, Cássio Seretti, o projeto já está em sua quarta edição e virou tradição na escola. Ele explica que o objetivo é, basicamente, voltar o olhar dos alunos para os valores e peculiaridades de Itabira, por meio da fotografia, para que eles conheçam, de uma forma diferenciada, os espaços onde vivem e os lugares que frequentam.

“Incentivamos os estudantes a observarem o município de forma que consigam descrever as permanências e rupturas no cotidiano de Itabira, analisar a possível relação entre o belo e o bom e entre a arte e a educação, compreender as origens da estética, discutir conceitos de cultura e ideologia, entre outras práticas que os auxiliem a pensar e elaborar seu trabalho final, que tem que ser apresentado ao final do projeto”, explicou.

Para cumprir esses objetivos, a escola organizou um rico cronograma, que serve como apoio para os alunos realizarem seus trabalhos. Dentro das atividades estão palestras motivacionais e sobre empreendedorismo, um workshop de fotografia ministrado por uma experiente dupla de fotógrafos de Itabira e experiências práticas, como visitas técnicas ao Santuário do Caraça, Catas Altas e Ouro Preto.

O coordenador Cássio explica que as atividades práticas são divididas em três vertentes: a primeira é relativo ao Museu de Território Caminhos Drummondianos, em Itabira. “O aluno vai praticar um olhar mais crítico para conseguir detectar algo que só ele enxerga naquilo que todo mundo vê quando percorre os Caminhos Drummondianos e irá registrar em fotografia essa observação”, esclareceu.

A segunda vertente é um desafio: buscar uma foto antiga da cidade, procurar o mesmo posicionamento do fotógrafo que a tirou, tentar registrar o mesmo olhar e levar para discussão entre alunos e professores quais interferências naturais e artificiais foram detectadas no mesmo cenário, o que se rompeu e o que permaneceu nele, entre outras observações.

A terceira é a visita ao distrito de Ipoema – que habita o Museu do Tropeiro e o Mirante Morro Redondo, recentemente revitalizado e considerado ponto turístico da região – e ao distrito de Serra dos Alves. Em ambos os trabalhos de campo, serão trabalhadas a fauna e a flora locais pelo olhar fotográfico dos estudantes.

Depois de todas as atividades realizadas – a previsão é de que o projeto se estenda até outubro – chega a hora de realizar o trabalho final: os registros fotográficos devem ser entregues em papel fotográfico A4; é obrigatória a elaboração de um texto com explicação dos conceitos, significados e história dos espaços registrados e de uma conclusão pessoal sobre o trabalho. Os estudantes não podem se esquecer de registrar as fontes de pesquisa e de relacionar os conceitos explicados como o conteúdo das disciplinas envolvidas, além de estruturar toda a escrita dentro das regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas.

Para o encerramento do projeto, haverá a apresentação dos trabalhos dos alunos, juntamente com a exposição de cada uma das imagens clicadas por eles nas três vertentes das visitas técnicas. “A exposição acaba sendo um incentivo para os alunos, que querem mostrar o melhor de si para os pais, familiares e comunidade escolar, pois são todos convidados a visitar a escola para conferir os trabalhos e votar nas fotos. Além do mais, eles vão concorrer a um ensaio fotográfico feito pelo casal de fotógrafos que deu a palestra de História e Técnicas da Fotografia, e isso também é um grande estímulo”, disse.

Ensino Médio Integral e Integrado

Em Minas Gerais, o Ensino Médio Integral e Integrado começou a ser ofertado em agosto de 2017 em 44 escolas estaduais que aderiram e corresponderam aos critérios estabelecidos na portaria 1.145/2016, do Ministério da Educação (MEC), que instituiu o Programa de Fomento à Educação em Tempo Integral. Desde 22 de fevereiro de 2018, mais 35 escolas passaram a oferecer a modalidade e quase 20 mil estudantes estão contemplados.

O currículo é constituído de duas partes – formação básica, que compreende as temáticas de cada área do conhecimento indicadas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e flexível, de acordo com três campos de integração: Cultura, Artes e Cidadania; Múltiplas Linguagens; Comunicação e Novas Mídias; e Pesquisa e Inovação Tecnológica. Há, ainda, a possibilidade de ofertar pelo menos um curso técnico à escolha dos estudantes.

Alunos visitam pontos que contam a história de Itabira e região e são incentivados a ter um outro olhar sobre o local, principalmente por meio da câmera fotográfica. Foto: Cassio Seretti

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