Representantes de várias etnias estiveram presentes para contar um pouco sobre suas histórias de vida e de luta e sobre suas culturas e tradições. Foto: Geanine Nogueira (SEE/MG)

Nesta quarta-feira (25), a Secretaria de Estado de Educação (SEE), por meio da Coordenação Estadual da Educação do Campo e Educação Indígena, realizou o encontro “Conscientização e Reflexão sobre a Luta dos Povos Indígenas”, com o objetivo de promover análises e considerações a partir de vivências e diálogos sobre o real significado do dia 19 de abril para os povos indígenas.

O momento cultural aconteceu na Biblioteca Maria Lacerda de Moura, na sede da SEE, em Belo Horizonte, e contou com a parceria da equipe responsável pela Biblioteca e com a participação de estudantes do curso de Formação Intercultural de Educadores Indígenas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), além de servidores da Secretaria de Educação.

Estiveram presentes representantes de várias etnias, entre elas Xakriabá, Maxakali, Pataxó e Guarani do Rio de Janeiro, e cada um falou um pouco sobre sua história de vida, de luta e sobre  realidade do seu povo.  “Falamos também sobre o real significado do dia 19 de abril, em que é celebrado o Dia do Índio. Para nós, esta data tem que ser lembrada todos os dias e a reflexão sobre a importância dos povos indígenas e sobre sua participação na sociedade tem que ser constante”, afirmou Jusnei Xakriabá, coordenador de Educação Escolar Indígena da SEE.

Além disso, o objetivo do encontro também foi de mostrar a verdadeira história dos povos indígenas para aquelas pessoas que não têm muito conhecimento sobre o assunto, já que na maioria das vezes o que é mostrado na mídia é totalmente diferente da nossa realidade dos indígenas atualmente.  

“Essa diferença entre a realidade e o que é retratado nos meios de comunicação acaba gerando um pensamento generalizado que gera preconceito. As pessoas não sabem como é e como vive uma população indígena; acham que os indígenas não podem usar o celular e não têm o direito de evoluir como todo cidadão tem. É exatamente o contrário: evoluímos como qualquer ser humano e estamos estudando, frequentando universidades, buscando nossos direitos, ocupando espaços importantes, fazendo uso da tecnologia ao nosso favor e para o nosso bem. Tudo isso sem esquecer das nossas raízes, das nossas culturas, sem deixarmos de ser quem realmente somos, respeitando as diferenças entre as etnias, porque indígenas não são todos iguais. No Brasil, há muitas etnias que habitam em várias regiões e cada povo possui uma diversidade de cultura, línguas, costumes, crença e tradições”, defendeu Jusnei Xakriaba.

Educação Indígena em Minas Gerais

Em Minas Gerais , há na rede estadual 19 escolas indígenas e duas turmas vinculadas a escolas não indígenas. O atendimento escolar indígena é feito em 64 endereços, localizados em sete Superintendências Regionais de Ensino (SREs). Nestas escolas, são atendidos cerca de 4.600 estudantes.

Para atender a uma demanda antiga dos povos indígenas, o governo encaminhou à Assembleia Legislativa, em março de 2018, um Projeto de Lei que cria a Categoria Escolar Indígena, com o objetivo de assegurar o direito das comunidades indígenas de terem seus próprios processos escolares. O PL 5.037/18 deverá ser apreciado nas Comissões de Constituição e Justiça e de Educação, Ciência e Tecnologia, e a votação será em dois turnos, ainda sem data de previsão para acontecer.

Foto: Geanine Nogueira (SEE/MG)

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