
Falta pouco para os alunos da Escola Estadual Américo Martins, em Montes Claros, no Território Norte de Minas Gerais se consolidarem como jovens empreendedores de sucesso. Assim que começar o ano letivo, os estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio vão iniciar a corrida para finalizarem a montagem de suas empresas, que vão vender seus produtos e serviços na I Feira Empreendedora Sonhos e Práticas, que será aberta a toda a comunidade.
As “empresas” dos cerca de 600 estudantes são fruto das ações do projeto Educação Empreendedora Sonhos e Práticas, que foi iniciado em junho de 2017 e hoje já faz parte do plano pedagógico de ensino da escola. A professora Sande Almeida, uma das pioneiras na iniciativa, explica que tudo começou com a ideia fortalecer a crença dos jovens em um futuro melhor, de despertar nos alunos a confiança necessária para alcançar suas metas, tanto profissionais quanto pessoais.
“Nos questionários iniciais que fizemos para conhecer melhor os sonhos, facilidades, medos e dificuldades de cada um, percebemos que o que mais de 70% dos estudantes queriam era ajudar a família, e isso nos motivou mais ainda a impulsioná-los para correr atrás dos seus objetivos, mesmo que muitos não acreditassem que poderiam conseguir”, afirmou a professora, que recebeu um treinamento em empreendedorismo em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG), assim como outros colegas da equipe escolar.
Depois da análise inicial, os jovens participaram de dinâmicas que os levaram a conhecer e a praticar as características empreendedoras, como se planejar, ser persistente, calcular e correr riscos, ter autoconfiança e comprometimento e buscar constantemente por informações, entre outros. “Isso ajudou os alunos, inclusive, no rendimento escolar. Eles usaram muito bem os exemplos de conceitos de empreendedorismo no planejamento dos estudos, e percebemos muitas melhoras de notas e desempenhos”, relatou Sande.
Logo após as dinâmicas, vieram as oficinas, e foi aí que o espírito empreendedor manifestou de vez nos jovens estudantes. Foi um dia inteiro de aprendizado e os alunos puderam escolher entre temas como Adubo Orgânico, Brigadeiro Gourmet, Técnicas Vocais, Robótica, Pintura em Tecido, Jardim Vertical, Jornal Escolar, Filtro dos Sonhos, entre várias outras. Os minicursos foram oferecidos em parceria com o Sebrae e várias outras instituições, como a Universidade Estadual de Montes Claros, a Unimontes.
“As oficinas foram planejadas para despertar neles o sentimento de que é possível planejar e dar os primeiros passos, e o resultado não poderia ser melhor. Eles já se organizaram em grupos para a montagem das empresas. Muitas têm a ver com o que fizeram nas oficinas, outras são relacionadas aos sonhos que eles descreveram no primeiro questionário que foi aplicado. Tivemos um aluno que era muito indisciplinado e não gostava de ir à escola, e aí o colocamos para ser monitor da nossa horta comunitária durante a oficina. Ele ensinou, aprendeu, cuidou de tudo direitinho, e nunca mais faltou em uma aula. Hoje ele é o responsável pelas nossas plantações e cobra de todos a cooperação para que ela seja bem cudiada”, comemorou Sande.
A I Feira Empreendedora Sonhos e Práticas será a culminância do projeto e está programada para acontecer em maio de 2018 e será aberta a toda a comunidade, para que as pessoas conheçam – e comprem – os produtos e serviços dos estudantes.

Continuação
O projeto Educação Empreendedora Sonhos e Práticas terá continuidade após a primeira feira em função dos benefícios percebidos pela eequipe escolar. “Ser empreendedor é, também, ser capaz de enxergar além. E era disso que os alunos precisavam: aumentar a autoestima, entender que mesmo com as dificuldades que a vida apresenta é possível alcançar sonhos e ter autoconfiança em si mesmos. Além disso, percebemos que todos os estudantes se sentiram mais pertencentes à escola, e formamos uma equipe única e unida, que contempla desde a cantina até a diretoria, que é capaz de reunir todos os esforços para fazer tudo dar certo”, encerrou, emocionada, a professora Sande.

