Cerca de 40 mil alunos foram atendidos em todas as regiões do Estado nos projetos Acompanhamento Pedagógico Diferenciado (APD) e Elevação da Escolaridade – Metodologia Telessala

A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE) encerrou o ano de 2017 com quase 19 mil alunos atendidos pelo Acompanhamento Pedagógico Diferenciado (APD), programa que possibilita o avanço da aprendizagem dos estudantes do 4º ao 9º ano do Ensino Fundamental que não estejam alfabetizados ou que tenham dificuldades com leitura, escrita e cálculos matemáticos. O número representa um aumento de cerca de 26% em relação à quantidade de estudantes no ano anterior.

Iniciado em 2016, o APD contava com 423 escolas, e em 2017 já foram 510, em todas as 47 Superintendências Regionais de Ensino de Minas Gerais (SREs). De acordo com a diretora de Ensino Fundamental da SEE, Maximiliana Ferreira, esse número precisou aumentar porque a demanda de estudantes é muito grande. Muitos deles, segundo a diretora, apesar de terem as habilidades iniciais do processo de alfabetização, apresentam dificuldades de interpretação de textos, de reconhecimento de informações inseridos em um conteúdo, e também de cálculos básicos na matemática.

“Apesar da grande quantidade de alunos que precisam deste atendimento, a nossa análise de 2017 foi muito positiva. Tivemos uma avaliação que quantificou os avanços nos níveis de escrita e percebemos que mais da metade destes estudantes tiveram progressos significativos nos estágios de desenvolvimento”, explicou Maximiliana.

A metodologia utilizada permite o uso de outros espaços da escola, como a biblioteca e o laboratório de informática. Foto: Arquivo da Escola

As aulas do APD são ministradas por um professor alfabetizador designado que forma agrupamentos temporários de alunos, ou seja, eles não saem de sua turma de origem, apenas têm horários específicos durante a semana para participar do programa. A metodologia utilizada permite o uso de outros espaços da escola, como a biblioteca e o laboratório de informática, e o uso de aplicativos de alfabetização e de materiais lúdicos para tornar mais prazeroso e interessante o aprendizado desses estudantes.

“É uma forma de trabalhar para despertar o interesse e a motivação deste aluno que já está, no mínimo, há quatro anos na escola. Se ele não se alfabetizou nesse tempo, não dá para repetir os mesmos métodos, e é preciso potencializar as práticas pedagógicas para que a aprendizagem aconteça e o aluno consiga se inserir de forma plena nos diversos componentes curriculares e concluir sua trajetória escolar com sucesso. O APD é abraçado com muito carinho pelas escolas porque percebemos que é possível resgatar a autoestima dos estudantes, é possível fazer com que eles acreditem que têm potencial”, disse a diretora.

Na Escola Estadual Melo Viana, em Bonfim, no Território Metropolitano de Minas Gerais, os 63 alunos que participaram do APD conseguiram um resultado que foi além da alfabetização. De acordo com a diretora Zélia Aparecida Borges, eles resgataram o interesse de frequentar as aulas. “A professora conseguiu reacender neles a vontade de participar. Muitos deles, por não conseguir acompanhar a turma, nem entravam na escola, de tão excluídos que se sentiam. Eles ficaram muito empolgados com a forma de aprender e isso gerou um ótimo avanço na aprendizagem. Ficamos muito satisfeitos”, disse a diretora.

Resultados do projetos na Escola Estadual Melo Viana, em Bonfim, foram muito positivos. Foto: Arquivo da Escola

Elevação da Escolaridade – Metodologia Telessala

O projeto Elevação da Escolaridade – Metodologia Telessala também apresentou avanços significativos no que diz respeito ao incentivo ao desenvolvimento de habilidades e ao prosseguimento da vida escolar dos estudantes. Em 2016, 15 SREs contavam com turmas do programa. No ano passado, houve a ampliação para as 47 regionais, o que significou mais de 20 mil alunos atendidos em 978 escolas estaduais, contra 12 mil estudantes e 328 escolas em 2016.

A grande abrangência do Elevação de Escolaridade significa que esses jovens de 15 a 18 anos que estavam com a distorção idade/ano de escolaridade de dois ou mais anos conseguiram se regularizar e concluir o Ensino Fundamental. Em algumas exceções, como em locais onde não há o Ensino para Jovens e Adultos (EJA), há atendimento para estudantes com mais de 18 anos.

No programa, o professor contratado recebe formação específica para a metodologia chamada de Telessala, que trabalha diversos componentes curriculares divididos em três módulos, sendo que cada um trabalha um eixo temático. No primeiro, aborda-se “O ser humano e sua expressão”, com foco em Língua Portuguesa, Ciências e Educação Física. No segundo, é trabalhado o eixo “O ser humano interagindo com o espaço”, para desenvolver os componentes curriculares Geografia, Matemática e Ensino Religioso. E o terceiro deles, “O ser humano em ação e sua participação social”, enfatiza História, Língua Estrangeira Moderna -Inglês e Arte.

Os estudantes da turma de Telessala da Escola Estadual Abre Campo visitaram a capital mineira. Foto: Arquivo da Escola

A cada módulo, os componentes curriculares são abordados a partir de teleaulas que duram, em média, 15 minutos, e são contextualizados com atividades orais, escritas, de leitura e práticas coletivas e individuais. “O método Telessala é focado no protagonismo juvenil. Geralmente, quando um jovem apresenta distorção de idade/ano de escolaridade, ele já foi retido mais de duas vezes ou evadiu e voltou para a escola, ou seja, ele não tem aquele fluxo contínuo de interesse e motivação na sala de aula regular. O desenvolvimento de aulas a partir de vídeos que levam às mais diversas discussões e da formação de equipes para que os alunos estudem e aprendam juntos faz com que eles se envolvam muito nas atividades, o que é muito importante para concluir o programa com sucesso”, explica a diretora Maximiliana, que disse ter recebido muitos depoimentos positivos das escolas onde o Elevação da Escolaridade foi inserido.

O diretor da Escola Estadual José Bonifácio, no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, comemora os resultados obtidos em 2017 com o projeto. “Não tivemos problemas de disciplina com nenhum dos 18 alunos que participaram do programa. Muito pelo contrário, observamos que muitos estudantes se destacaram, inclusive aqueles que estavam em cumprimento a medidas socioeducativas. Fizemos várias atividades extraclasse, como excursões, aulas na praça e participação em eventos de promoção da igualdade racial, tudo dentro do que propõe o programa. Todos se sentiram mais motivados, confiantes e agradeceram muito pela oportunidade ao concluírem os estudos e estarem aptos para o Ensino Médio”, disse.

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