Promover o respeito, a igualdade, o cuidado com o meio ambiente e o amparo àqueles que mais precisam é o que a Escola Estadual Doutor Tarcisio Generoso, em São Francisco, no Território Norte de Minas Gerais, tem como atividade principal depois do plano pedagógico de ensino e aprendizagem. Há seis anos, uma equipe de professores promove a Feira do Conhecimento, projeto que mobiliza os estudantes para espalhar o bem entre a comunidade onde vivem.
Na mais recente edição, realizada em novembro do ano passado, o tema trabalhado foi “Cidadania e Solidariedade”, e os 429 alunos da escola participaram, já que todas as 13 turmas do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio foram inscritas no projeto. Esta foi, inclusive, a novidade de 2017, uma vez que, nos anos anteriores, os alunos formavam grupos aleatórios e nem todas as turmas participavam.
As equipes – cada uma orientada por um professor – tiveram cerca de 20 dias para elaborar e desenvolver suas ações e trabalhos. Entre os processos a serem cumpridos de acordo com o edital do projeto, estavam a realização de reuniões, pesquisas, planejamento, debates e entrevistas. Depois de prontos, os alunos tinham a missão de mostrar à equipe escolar e à comunidade, no dia da Feira do Conchecimento, que aconteceu em 25 de novembro, o que foi desenvolvido para concluir o projeto.
O diretor da escola e também um dos coordenadores da Feira do Conhecimento, Antônio Marcos Lopes Ferreira, disse ter se surpreendido com o resultado. “A gente não esperava que fosse ter um retorno tão bom ao propor esse tema. As ações foram incríveis e o envolvimento que os estudantes tiveram com a prática da solidariedade e da cidadania foi maravilhoso. Tudo que foi executado durante o trabalho tiveram mais impacto que o dia da Feira em si, porque foi com isso que eles despertaram o olhar para a importância de ajudar o próximo, de serem conscientes e solidários”, disse.

Entre os projetos estava o “Solidariedade – Um olhar para a realidade”, da turma do 1º Ano do Ensino Médio, do turno da tarde. As ações foram desenvolvidas na Instituição Mundo Encantado, um lar institucional que abriga crianças e adolescentes de até 17 anos que foram encaminhados pela Justiça ou pelo Conselho Tutelar.
Os alunos realizaram no abrigo várias oficinas, brincadeiras e contação de histórias. Mobilizaran uma campanha, por meio de panfletos e redes sociais, de arrecadação de donativos, brinquedos, roupas, calçados e produtos de higiene pessoal, e finalizaram com um jantar, já que muitas crianças e jovens atendidos disseram ter o sonho de participar de uma ceia de Natal que tivesse lasanha no cardápio. O pedido foi realizado com muita festa e as doações foram entregues como presentes no mesmo dia.
A aluna Anna Tereza Neves Soares ficou satisfeita com a experiência. “Foi maravilhoso e gratificante. O tempo foi curto, mas pude conhecer um pouco de cada um deles, e esta é uma experiência que vou levar por toda a vida. O que mais me marcou foi o brilho no olhar daquelas crianças e jovens, quando chegávamos para as atividades. Estou mais motivada a ser mais solidária e a me preocupar mais com o próximo”, disse.

Além deste, os outros 12 projetos apresentados envolveram ações de diversão, socialização, cuidados pessoais e rodas de conversa em lar para idosos, apresentação de música e canto para pacientes de doenças crônicas no hospital local, arrecadação de doações para auxiliar a população em situação de vulnerabilidade social, limpeza das margens do Rio Acari, plantio de mudas para preservação de cursos d’água locais, incentivo às práticas de gentileza, campanhas contra a corrupção e estímulo à economia solidária.

Exemplo para 2018
O diretor Antônio Marcos ficou tão satisfeito com os projetos apresentados que estuda a possibilidade de dar continuidade a alguns deles, dentro da escola. O primeiro escolhido foi o “Gentileza gera Gentileza”, que estimula as boas práticas de convívio, tanto entre as pessoas que passam muito tempo juntas, quanto entre desconhecidos. “Pretendemos implantar este trabalho na escola, porque muitas vezes os desentendimentos acontecem justamente pela falta de gentileza, por não conseguirmos agir com paciência e delicadeza com quem convivemos”, explicou.

Além das boas ações
A Feira do Conhecimento, na Escola Estadual Doutor Tarcisio Generoso, também serve de espaço para os estudantes mostrarem o que aprenderam durante as excursões realizadas ao longo do ano. Com este projeto, coordenado por professores de história e geografia, os alunos já visitaram cidades como Belo Horizonte, Diamantina, Grão Mogol, Itacarambi e até Brasília. Em 2017, o trabalho de campo, como o diretor Antônio Marcos gosta de dizer, foi no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu.
“A preparação para o trabalho de campo começa em sala de aula, a partir do momento em que o destino é definido. Os professores já começam a orientar os alunos ao explicar as características do local e a prepará-los para o que deve ser estudado.. Juntos, eles elaboram uma ficha de pesquisa para levantar todos os dados e informações importantes. Durante a excursão, todo o tempo é cronometrado e aproveitado ao máximo para a realização das pesquisas, que são direcionadas de acordo com cada conteúdo, que depende do local”, explicou o diretor. Em Peruaçu, professores das disciplinas de Geografia, História, Biologia e Ciências.
Depois de devolver as pranchetas à escola, os alunos finalizam a missão com a preparação do material coletado no trabalho de campo para a exposição da Feira do Conhecimento, pois o objetivo das excursões, além de ampliar a instrução e percepção dos alunos, é também fazer com que a comunidade conheça um pouco mais sobre os lugares por onde seus estudantes passam.