Na rede estadual de Educação, estudantes com deficiência visual e surdocegueira contam com ações para efetiva inclusão e aprendizagem

Nesta quarta-feira (13/12), é comemorado o Dia Nacional do Cego. Criada em 1961, a data tem como objetivo conscientizar a sociedade para questões importantes como preconceito e discriminação, além de reduzir o desconhecimento sobre pessoas com deficiência visual.

De acordo com o censo escolar 2016, a rede estadual de ensino mineira conta com 3.161 estudantes com baixa visão, 312 alunos cegos, e 11 estudantes surdocegos, matriculados em escolas inclusivas. No atendimento a esses estudantes, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) atua no sentido de oferecer uma educação inclusiva de qualidade, promovendo capacitação de professores, disponibilização de livros em Braille, salas de recursos multifuncionais e kits tecnológicos para os centros de referência em Educação Especial, dentre outras ações.

A diretora de Educação Especial da SEE, Ana Regina Carvalho, destaca, que em Minas Gerais, a Educação trabalha para que a as ações de ampliação na oferta de Atendimento Educacional Especializado no estado nos últimos anos, das condições de acessibilidade e oferta de profissionais especializados. “É notório o envolvimento dos educadores, a melhoria dos projetos pedagógicos para o atendimento desse público e a melhoria do espaço escolar para receber, acolher e atender os estudantes como eles têm direito. É um processo longo, mas muito enriquecedor”, diz Ana Regina.

Em Belo Horizonte, o Instituto São Rafael, pertencente à rede estadual, é referência no atendimento aos deficientes visuais. A unidade atende cerca de 360 alunos em atividades de música tapeçaria, praticas educativas para uma vida independente, orientação e mobilidade, massoterapia, desenvolvimento do Braille, entre outros. “São 16 projetos que apóiam a autonomia da pessoa com deficiência visual. Pretendemos trazer para ela autonomia de vida e preparar o aluno para o processo de inclusão. As ações são voltadas para aqueles que têm cegueira congênita e cegueira adquirida”, destaca a diretora da escola, Juliany Sena.

Em parceria com o Centro de Apoio Pedagógico às Pessoas com Deficiência Visual (CAP) é realizada a produção de material adaptado para o Braille e ampliado, além da capacitação de profissionais da rede pública de ensino.

Em 2016, o Instituto São Rafael começou a oferecer o primeiro curso técnico profissionalizante em Massoterapia. A duração é de dois anos e os alunos recebem certificação, o que permite atuar profissionalmente no mercado de trabalho. O curso é aberto a todas as pessoas, com deficiência ou não. Já no segundo semestre deste ano, teve início o Curso Técnico em Informática também voltado para pessoas com deficiência visual ou não.

Instituto São Rafael oferece cursos técnicos de Massoterapia e de informática. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Apoio Pedagógico

O Estado conta com quatro Centros de Apoio Pedagógico às Pessoas com Deficiência Visual (CAPs). Eles estão localizados nas cidades de Montes Claros, Belo Horizonte, Uberaba e Patos de Minas. No município Três Corações, um CAP municipal trabalha em parceria com o Estado. Além disso, dois Núcleos de capacitação na área de deficiência visual foram implantados a partir de 2012 nos municípios de Januária e Governador Valadares.

Os CAPs tem como finalidade capacitar professores, orientar escolas, estudantes e familiares, garantindo às pessoas cegas, surdo-cegas e com baixa visão o acesso ao conteúdo programático desenvolvido nas escolas, assim como acesso à literatura, pesquisa e cultura por meio da utilização de equipamentos da moderna tecnologia, da impressão do livro em Braille, formato Mecdaisy, áudio, ampliado áudio, e outros. Os centros também atendem às Superintendências Regionais de Ensino (SRE) na área de capacitação e na produção de material.

Recursos tecnológicos

Este ano, a Secretaria de Estado de Educação distribuiu kits tecnológicos para os doze centros de referência em Educação Especial mantidos pela SEE nas áreas da deficiência visual, surdez e deficiência intelectual. Foram entregues projetores, impressoras, computadores e notebooks. Os computadores e notebooks irão com softwares e conteúdos tais como Mecdaisy, Dosvox, Braille fácil, Monet, NVDA, recursos de acessibilidade, conteúdos educacionais, segurança da informação, livros audiovisuais e diversos softwares educacionais.

Em 2018, também serão entregues equipamentos importantes para o trabalho diário dos Centros, como a impressora Braille para a produção de livros acessíveis e filmadora para registro do processo de avaliação dos candidatos a Intérpretes de Libras e das atividades das capacitações na área da surdez.

Cartilhas

Em 2016, a Secretaria disponibilizou novas edições das cartilhas “A Educação Especial na Perspectiva Inclusiva” e “Atendimento ao Estudante com Deficiência Visual e Surdocegueira”. As publicações têm o propósito de esclarecer sobre políticas públicas direcionadas para a educação básica com foco na educação inclusiva e no princípio de que todos têm o direito de acesso ao conhecimento, sem nenhuma forma de discriminação.

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