Seminário, que teve a participação da secretária Macaé Evaristo, marcou o encerramento do Curso de Aperfeiçoamento em Educação para as Relações Étnico-raciais.
Pesquisadores, professores e estudantes da rede estadual participaram, nesta terça-feira (05/12), do Seminário Nacional das Relações Étnico-Raciais - “Educação para as Relações Étnico-raciais”, realizado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). O evento contou com mesa-redonda, exibição de filme, apresentação cultural, comunicação oral e com palestra da secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, sobre Educação Básica, Formação Docente e Políticas Públicas para Educação das Relações Étnico-raciais.
Durante a palestra Macaé ressaltou a importância de se ampliar e fortalecer políticas públicas para promoção da igualdade racial e dos desafios para se pensar na formação de professores para trabalhar a temática nas escolas. “Ainda temos muitos desafios para pensar uma de formação de professores que levem em consideração a diversidade que existe em nosso país. Precisamos considerar os diferentes sujeitos que estão hoje dentro das escolas públicas”, argumenta.
O Seminário marcou o encerramento do Curso de Aperfeiçoamento em Educação para as Relações Étnico-raciais, ofertado pela Faculdade de Educação (Faced/UFU), em parceria com a Superintendência Regional de Ensino de Uberlândia, para educadores do ensino fundamental e médio que atuem na rede pública de ensino, além de pesquisadores e movimentos sociais. A capacitação tem como objetivo contribuir para a formação continuada dos professores da educação básica da rede pública de ensino, com foco no ensino da História africana, afro-brasileira e indígena, conteúdo que deve ser implementado nos currículos das instituições de ensino, como prevê a Lei Federal 10.639/2003 e 11.645/2008.
Para a pedagoga, pesquisadora e coordenadora da área de Educação do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Araguari, Rosa Margarida de Carvalho Rocha, a presença da secretária Macaé no evento serve para fortalecer os trabalhos de promoção de igualdade racial. “A participação de uma liderança positiva como a Macaé é extremamente importante para saber que temos uma forte aliada nesta luta intensa e na construção de políticas públicas voltadas para as relações étnico-raciais”, comenta.
Durante a palestra, Macaé anunciou apoio da Secretaria de Estado de Educação na Jornada Nacional de Educação Básica, que será realizada em outubro de 2018, durante o X Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as (X COPENE), na UFU. Rosa Margarida afirma que esse apoio também é muito importante. “Com a Jornada de Educação Básica desejamos fortalecer os vínculos entre a universidade e a educação básica, para fazer com que ela deixe de ser objeto de estudo para se tornar protagonistas na construção da educação que desejamos”, salienta.
O seminário também contou com apresentação cultural de alunos da Escola Estadual Madre Maria Blandina, de Araguari, com o desfile “Beleza negra”. A ação é um desdobramento de várias atividades realizadas ao logo dos anos, que tem como objetivo empoderar a juventude negra. “Nós sabemos que a criança e o adolescente negro muitas vezes ficam à margem na escola, e, através destas ações, estamos conseguindo que estes jovens saiam da invisibilidade”, comenta a diretora da escola, Valéria Landa Alfaiate.
A escola foi uma das selecionadas para fazer parte dos Núcleos de Pesquisas e Estudos Africanos, Afro-Brasileiros e da Diáspora (Ubuntu/Nupeaas). Os projetos desse eixo, que integra o programa de Iniciação Científica no Ensino Médio, foram estruturados a partir da linha de pesquisa Cultura, História, Trajetórias Político-Sociais e Científicas dos Africanos e Descendentes em Diáspora.
O projeto da escola que irá integrar o Ubuntu/Nupeaas busca localizar a existência de uma população negra inserida na construção da Estrada de Ferro Goyaz, pela Companhia Mogiana de Estrada de Ferro, que se instalou na cidade, no ano de 1896, e identificar a origem, a história, o trabalho e as contribuições advindas dessa população para a história, cultura e desenvolvimento socioeconômico da cidade de Araguari e região.
A diretora Valéria Landa revela que o Ubuntu/Nupeaas veio para somar às atividades para empoderamendo da juventude estudantil, principalmente, através do conhecimento. “Buscamos essa relação da universidade para os nossos jovens, queremos que eles estejam e participem do espaço acadêmico. A universidade também é o lugar da juventude negra”, afirma.
A Escola Estadual Madre Maria Blandina desenvolve há mais de 15 anos projetos sobre a história e cultura afro-brasileira e africana no Brasil. Um destes projetos é o projeto Quizomba, que tem por finalidade discutir a realidade e representatividade da criança e do jovem negro na sociedade brasileira. “Estes projetos buscam a construção da identidade, da autoestima e para colocar o jovem negro no lugar dele na sociedade, para que se sintam pertencentes na comunidade escolar e na sociedade como um todo”, completa a diretora.