Escritora cubana falou sobre feminismo, literatura e da importância da educação na luta contra o racismo

A Superintendência de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino da Secretaria de Estado de Educação (SEE) promoveu nesta quarta-feira (22/11), na Escola Estadual Governador Milton Campos, em Belo Horizonte, uma roda de conversa sobre feminismo negro, literatura e emancipação. A ação, que faz parte da Campanha Afroconsciência, teve a participação da escritora, roteirista, atriz, bailarina e ativista social cubana, Teresa Cárdenas Angulo, da escritora cabo-verdiana Vera Duarte Pina e da Secretaria de Estado de Educação, Macaé Evaristo.

A Superintendente de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino da SEE, Iara Pires Viana, que mediou a roda de conversa, ressaltou a importância do encontro com professores e alunos para marcar o mês da Consciência Negra. “Estamos em plena realização de várias atividades de intensificação da Campanha AfroConsciência em todo o Estado e esta roda de conversa fecha com chave de ouro as celebrações do mês de novembro”, comentou.

O encontro reuniu a escritora cubana Teresa Cárdenas, a escritora cabo-verdiana Vera Duarte Pina e a Secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo. Foto: Eric Abreu (ACS/SEE-MG)

Iara também ressaltou as ações promovidas pela SEE para reconhecer e valorizar a história e a cultura dos africanos na formação da sociedade brasileira, superar preconceitos históricos e garantir condições iguais de aprendizagem e desenvolvimento para todos, conforme Lei Federal nº 10.639/2003.

A escritora Teresa Cárdenas destacou a importância dos professores na socialização dos indivíduos e na luta contra o racismo. “Precisamos muito dos professores para construir o futuro das crianças e jovens. As crianças passam mais tempo com os educadores do que os próprios pais. É muita responsabilidade! Muitas vezes os estudantes ouvem mais os educadores do que os pais e o futuro deles dependem de vocês. Não podemos nos render”, analisou.  

A Secretaria de Estado de Educação, Macaé Evaristo, ponderou sobre a importância da democratização e da criação de políticas públicas que garantam o acesso de crianças e jovens ao livro. “Precisamos garantir que crianças e jovens de todo o estado tenham acesso as mais diversas produções literárias, incluindo a de mulheres negras”.

A escritora de Cabo Verde, Vera Duarte Pina, explicou que em seu país, o processo massivo de educação se iniciou após a declaração de independência de Portugal, em 1975. E que, após isso, ocorreu vários desdobramentos para ampliar o acesso à educação e à leitura no país. Hoje, Cabo Verde tem o segundo melhor sistema educacional na África.

A superintendente Iara Pires Viana, que mediou a roda de conversa, ressaltou a importância do encontro com professores e alunos para marcar o mês da Consciência Negra. Foto: Eric Abreu (ACS/SEE-MG)

Teresa Cárdenas Ângulo

Teresa Cárdenas é um dos maiores nomes da nova geração de escritores cubanos. Vencedora do prêmio Casa de las Américas, ela retrata em suas obras a ancestralidade, mas também recria o mundo, revisando os mitos africanos em histórias fascinantes. Em "Cartas Para a Minha Mãe", uma menina de 12 anos escreve para a mãe morta, descrevendo suas impressões sobre os lares cubanos, o misticismo e o preconceito racial. Já em “Cachorro Velho”, a autora explora as agruras do regime de escravidão cubano por meio do protagonista, um velho escravo com suas lembranças na vida aprisionada a um engenho e a busca por libertação. É uma bailarina renomada e exerce também o ofício de contadora de histórias.

Por Eric Abreu (ACS/SEE-MG)

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