No ano em que as comemorações do Dia dos Professores  acontecem numa semana marcada pelo luto, diante da tragédia em uma escola infantil de Janaúba e, ao mesmo tempo, pelo ato de heroísmo da professora Heley de Abreu, educadora que perdeu a vida para salvar crianças em uma sala em chamas, mostrou quão imortal é a profissão. Como Heley, muitos professores deixam para sempre o legado de seus saberes e atitudes, marcados nos corações e mentes de seus alunos.

Lembranças que determinaram o destino de escolher a profissão de alguns educadores que atuam na Secretaria de Educação do Estado (SEE). Cecília Resende, Superintendente de Ensino Médio, Juventude e Educação Profissional da SEE, acredita possuir um  viés franciscano em seu coração. "A possibilidade de partilhar e conviver sempre foi algo que muito me atraiu. E acho que não existe profissão tão franciscana quanto a de professor, que permite dar e receber, conviver e partilhar e, ao mesmo tempo, usufruir das juventudes. Temos um vocabulário sempre atualizado, renovado e essa ideia de renovação, transformação e partilha é muito valiosa e foi um determinante na minha escolha profissional, pois é onde posso exercitar essas habilidades”, relatou Cecília.

“Na educação básica (estudei a vida inteira em escola pública), havia uma professora de Matemática de 6ª a 8ª série, na Escola Estadual Olegário Maciel, com um raciocínio lógico, uma sala de aula organizada e harmoniosa, solidária, cativante e me levou a escolher ser professora de matemática. A matéria, considerada a “bruxa má”, não era problema para seus alunos, pois era munida de uma capacidade de fazer todo mundo gostar, que me fazia sonhar ser como ela. Existimos para servir e conviver”, declarou a superintendente.

Já no magistério, Cecília relembra a frase sempre repetida por um de seus professores: “são vaidosos os que gostam de ser professor, porque é um exercício de imortalidade, as palavras não passam, marcam, para o bem ou para o mal, a vida das pessoas”.

O professor é um imortal, foi a frase mais marcante ouvida por Cecília, de seu professor na licenciatura. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Érica Justino, coordenadora estadual de Educação do Campo e Indígena, fala de sua experiência na Escola Estadual do Campo Padre João Afonso, na comunidade de mesmo nome, em Itamarandiba. “Trago um pouco da minha vivência como estudante e professora de escola do campo. Como estudante nos anos iniciais, havia uma professora que me ensinou desde o que chamávamos à época de pré-primário. Muito especial, apesar de toda precariedade e estrutura física extremamente debilitada da escola, a forma lúdica das aulas nos fazia superar essas dificuldades. Ela se chama Cléa Maria Coutinho e hoje trabalha no distrito de Contrato, também em Itamarandiba. Muito bonita, se preparava com muito carinho para as aulas, cheirosa, roupas e acessórios muito coloridos. E a gente idealizava ser professora como ela. Era um escola da rede estadual que ampliou o atendimento até o 9º ano e depois o Ensino Médio. Como as demais escolas do campo, os professores eram da área urbana. Nossa escola ficava no alto de um morro e víamos eles chegando para o trabalho e pensávamos se algum dia estaríamos subindo para atuar como professora. Nas escolas do interior ainda é muito forte a figura do professor, e faz um diferencial estar atuando na rede estadual", contou Érica. 

“Todos os professores eram de fora, não tinha espaço para a comunidade. Com as políticas de reconhecimento dos sujeitos do campo, pelas pressões dos movimentos sociais, tivemos oportunidade de ampliar nosso nível de escolaridade e, a partir de então, poder ocupar esses lugares nas escolas de nossas comunidades. Em 2006, fui designada como professora na própria escola onde estudei. Lembro esta data com muito carinho. Além de ter acesso a um emprego, era emblemático estar naquela escola, na condição de professor. Foi uma conquista", descreve emocionada. 

Erica Justino falou de sua experiência como aluna e educadora de Escola do Campo. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Ana Regina Carvalho, diretora de Educação Especial também relembra professores marcantes em sua trajetória escolar: “São tantas memórias bonitas de professores tão importantes para minha vida. Gostaria de marcar a lembrança de dois deles, a Líbia, de Literatura, que recitava Camões e tantos versos e poemas que ficávamos hipnotizados. E um de Geografia, que não lembro o nome, que nos fazia transpor os espaços viajando nos detalhes dos lugares que ele contava. A missão do professor é marcar de uma forma que os estudantes queiram ser sempre melhores", destaca.

Ana Regina Carvalho é diretora de Educação Especial da SEE. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Wladmir Coelho, assessor da Subsecretaria de Desenvolvimento da Educação Básica da SEE, diz que sua escolha para o magistério é política, da vontade de transformar realidades, a possibilidade de intervenção e de participar no processo de transformação da sociedade. "Tem professores que, de uma certa forma, a gente até imita, de tão marcantes em nossas vidas. Recordo, no Colégio Tiradentes, do professor de Português, Nilton Gomes da Silva. Vários colegas que estudaram comigo caminharam para o curso de Letras por influência desse professor. Muito incentivador, nunca deixou de atender, de corrigir e a forma de trabalhar a disciplina o colocava bem à frente de seu tempo. Distribuía livros, recortes de jornais. Incentivava o pensamento crítico. Conheci o jornal “O Pasquim” (de humor político e social que circulou, mesmo sob censura, durante entre os anos 60 e 80), através dele, isto em plena ditadura, em um colégio de militares”, recorda Wladmir.

Para Wladmir Coelho, a escolha da profissão foi uma decisão política. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Para Mara Rodrigues, Subsecretária de Informações e Tecnologias Educacionais da SEE, ser professora era um sonho. "Na educação infantil conhecei dona Anita. Naquela época havia concepção diferente de hoje, muito acolhimento, e até hoje me recordo de quanto era carinhosa. Na 1ª Série, já na Escola Estadual Adalberto Ferraz, foi a dona Isolina, uma alfabetizadora ao mesmo tempo extremamente exigente e afetiva. Já no Instituto de Educação, onde fiz Magistério, a Ângela, professora de Biologia, e o professor Ronaldo, de Geografia, foram duas pessoas que me fizeram acreditar que a profissão é ao mesmo tempo ensino e aprendizagem. Muito entusiasmados com o que faziam em seu trabalho", contou. Mara começou trabalhar aos 15 anos com educação infantil, com o Magistério ainda em curso: "Foi na Fundação Educar e na Legião Brasileira de Assistência (LBA) com escola comunitária. Fiz magistério dando aula”, ressaltou Mara.

Mara lembra com emoção de seus professores. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Por Elian Oliveira

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