Encontro foi durante a 4ª edição do Festival de História, que acontece a cada dois anos
A Secretária de Estado de Educação Macaé Evaristo dividiu mesa de debates “Nossa Luta Faz História”, com a historiadora e professora da rede pública de São Paulo, Carolina Ramkrapes, e Maria do Carmo da Silva, secretária de Desenvolvimento Social da cidade de Diamantina, durante a 4ª edição do fHist – Festival de História, no dia 7 de outubro, na Tenda da História, em Diamantina.
A mesa tratou da trajetória de cada uma e suas contribuições com as lutas dos movimentos sociais. Macaé Evaristo ressaltou que discutir a opressão da população negra e das mulheres é muito importante para compreender a sociedade brasileira, estruturada de forma racista, machista, portanto, patriarcal. Discorreu sobre a profunda desigualdade entre negros e brancos e homens e mulheres.
A secretária lembrou aos presentes da importância de se pensar sobre o feminismo negro que trouxe indagações, porque as lutas das mulheres negras se dão em esferas distintas dos espaços do feminismo branco. Na estruturação da sociedade brasileira, primeiro veem homens brancos, seguidos das mulheres brancas, depois homens negros e depois as mulheres negras. “É assim no mercado de trabalho, na economia, dessa forma que se percebe o acesso das mulheres aos cargos de chefia seus espaços na política e no espaço público”, pontuou Macaé.

Ela destacou que os movimentos sociais em geral têm pautas comuns, mas também específicas. “A questão é como trabalhar as pautas comuns sem perder as especificidades”, disse a secretária de Educação. Macaé exemplificou o debate sobre cotas nas universidades, quando algumas feministas e acadêmicos se posicionaram contrários. “Nem sempre aliados historicamente comporão com você em todas as frentes. É um processo que precisa ser explicitado. Tratou-se de uma luta prolongada levada pelo movimento negro para convencer que as políticas afirmativas são necessárias para superar desigualdades”.
A Secretária de Educação falou sobre o evento e disse que “desde a primeira edição que achei a ideia genial”. Defendeu a democratização do acesso a toda produção de conhecimento considerando o momento de recrudescimento do conservadorismo na sociedade brasileira e é fundamental que o que foi produzido e o acúmulo sobre a compreensão dos processos históricos mundialmente produzidos estejam à disposição da população. Classificou o festival como uma mega ação afirmativa, num momento da reforma do ensino médio que propõe a exclusão do ensino de história. “O fHist vem mostrar que o conhecimento deve circular além do ambiente escolar”, concluiu.