Os 150 participantes do Encontro serão multiplicadores em suas regiões, na construção de ações para a juventude e de uma escola mais democrática. Foto: Eric Abreu (ACS/SEE-MG)

Abrir espaço para escutar e debater o papel da juventude dentro das escolas e no processo de reformulação do ensino médio no estado. Essa é uma das finalidades do II Encontro Estadual Educação e Juventude, que teve início na manhã desta quarta-feira (27/09), no Hotel Fazenda Canto da Siriema, em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Promovido pela Secretaria de Estado de Educação (SEE), o encontro conta a participação de jovens estudantes e analistas educacionais de todo o estado, que irão debater sobre os anseios e as expectativas apresentados pelos jovens.

A diretora de Juventude da SEE, Priscylla Ramalho, explica que um dos principais objetivos do evento é promover o encontro dos jovens das 47 Superintendências Regionais de Ensino (SREs) e consolidar o processo de criação da rede estadual de representantes estudantis. “Este é um momento importante para os jovens trocarem experiências e conhecerem o que acontece nas escolas um dos outros”, comenta. Cada SRE escolheu democraticamente uma dupla de estudantes para representar cada região.

Serão dois dias de diálogo, debates e atividades interativas. Outro objetivo é fazer uma preparação dos analistas coordenadores de juventudes das SREs e também dos representantes estudantis para as Rodas de Conversa 2017, que vão acontecer entre os dias 15 de outubro a 15 de novembro. “As rodas vão ter como tema a discussão do ensino médio, então é muito importante ter um momento aqui no encontro para preparar a metodologia e avançar no processo de discussão sobre o ensino médio, tendo em vista a culminância da Conferência Estadual de Educação, que acontece no ano que vem”, explica a diretora. 

O encontro conta a participação de estudantes e analistas educacionais de todo o estado, que irão debater sobre os anseios e as expectativas apresentados pelos jovens. Foto: Eric Abreu (ACS/SEE-MG)

Após o encontro, os cerca de 150 participantes serão multiplicadores em suas regiões, na construção de ações voltadas para a juventude e de uma escola mais democrática. A programação conta também com oficinas para direcionar os estudantes, como a de Coletivos Juvenis, sobre como os coletivos podem contribuir para a ampliação dos espaços de participação na escola; Protagonismo Juvenil e de Metodologias Construção de Projetos, para fomentar o protagonismo juvenil nos estudantes; Educomunicação, para orientar sobre o uso dos meios de comunicação como ferramenta de produção e transmissão de conhecimento; e Metodologias Científicas aplicadas em experimentos aerodinâmicos.

Para o estudante do 2º ano do ensino médio, Pedro Henrique Gonçalves, da Escola Estadual Olegário Maciel, em Januária, representante da SRE de Januária, esse processo de escuta foi muito importante para o desenvolvimento do ensino médio em tempo integral em sua unidade de ensino. “Eu achei muito importante ouvir a opinião dos alunos, antes do ensino médio em tempo integral ser implantado, afinal são os estudantes os maiores interessados. Precisamos desta construção democrática na escola, onde todo mundo tenha voz, e irei levar esse conhecimento para a minha região”, comenta.

Estudante do 1º ano do Ensino Médio em Tempo Integral da Escola Estadual Professora Julia Kubitschek, em Passos, Iris Silva Assis, conta que o início da experiência tem sido muito enriquecedora para ela. “A experiência tem sido muito boa, o currículo flexível está sendo bem interessante, além de outras atividades, como o teatro. Aqui no encontro, podemos revelar nossas experiências e depois compartilhar com diretores, professores e colegas da minha região”.

A diretora de Juventude, Priscylla Ramalho, explica que um dos principais objetivos do evento é promover o encontro dos jovens das 47 SREs e consolidar o processo de criação da rede estadual de representantes estudantis. Foto: Eric Abreu (ACS/SEE-MG)

 Jovens multiplicadores

O II Encontro Estadual Educação e Juventude é espaço de debater a construção do novo Ensino Médio com as juventudes, mas também espaço de conhecer bons exemplos de jovens que fizeram acontecer e desenvolveram projetos de sucesso.

É o caso da estudante Laura Krueger, estudante do 2º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Três Poderes, em Belo Horizonte, que irá falar no Encontro sobre a perspectiva da pesquisa e da iniciação cientifica no ensino médio. Ela participou do London International Youth Science Forum, maior fórum científico juvenil do mundo, na Inglaterra, que reuniu representantes de 63 países entre os dias 26 de julho a 9 de agosto de 2017.

A estudante apresentou um trabalho de pesquisa sobre a síndrome de burnout, ou esgotamento profissional, um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso, cuja causa está intimamente ligada à vida profissional. “O meu trabalho foi muito bem recebido, sendo que é uma coisa que acontece em qualquer lugar do mundo.Verifiquei a incidência dentro do meio docente de uma escola, onde 37 dos 45 professores apresentaram a síndrome em seu estado máximo de desenvolvimento”, comenta. “É gratificante estar aqui e servir de exemplo para que outros jovens desenvolvam projetos como este”, completa Laura.

A representante mineira deste ano no Parlamento Juvenil do Mercosul, Geovana Souza Amorim, participa do II Encontro da Juventude. Foto: Eric Abreu (ACS/SEE-MG)

Outro aliado na construção do ensino médio que a juventude quer é o Parlamento Juvenil do MERCOSUL (PJM), que promove o protagonismo juvenil, abrindo espaço para diálogos e discussões acerca de temas vinculados à educação. O encontro 2018 será em Montevidéu, no Uruguai, a partir da próxima semana, e a representante mineira Geovana Souza Amorim estava no Encontro.

A estudante do 2º do Ensino Médio da Escola Estadual Dr. Adiron Gonçalves Boaventura, em Rio Paranaíba, irá discutir propostas para melhorar o Ensino Médio e está ansiosa para representar o estado no evento. “Meu projeto é sobre orientação vocacional, tive a ideia de criar um aplicativo para conectar jovens e dar um segmento para a sua carreira, que hoje é um dos maiores problemas dos adolescentes e do ensino médio”, comenta. “Gosto muito de falar das minhas experiências e incentivar os jovens a seguirem com os seus projetos e ideias. É muito bom se engajar nestes projetos, pois nos tornamos pessoas que enxergam o mundo de uma forma diferente. Quando vemos o empenho de alguns jovens, passamos a acreditar na construção de um país melhor”, finaliza. 

Por Eric Abreu (ACS/SEE-MG)

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