Em visita à Escola Estadual Padre João Afonso, Macaé Evaristo reafirma compromisso do governo de Minas com fortalecimento da Educação do Campo

Com uma recepção de gala, com direito a declamações, exibições musicais, de dança e fanfarra, além de relatos da trajetória educacional de seus moradores, a comunidade rural de Padre João Afonso, conhecida como Socorro, em Itamarandiba, recebeu, na última quinta-feira (31/8), a Secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo. O encontro aconteceu na escola do campo que leva o nome do distrito.

A primeira visita de uma secretária de estado à comunidade foi concebida como o “reconhecimento da gestão da educação no estado, e da importância dessas comunidades”, segundo o diretor da escola, Cristiano Afonso Fernandes Teixeira, que saudou a presença da secretária; do Superintendente Regional de Ensino de Diamantina, Leonardo Aparecido Soares; e da coordenadora de Educação do Campo da Secretaria de Estado de Educação (SEE), Érica Justino, ex-aluna e ex-professora da escola. Cristiano falou dos avanços educacionais na escola e da valorização de seus alunos, “hoje autores de diversas conquistas, entre elas a graduação em educação do campo e a formação de grupo de docentes da própria comunidade”.

A Escola Estadual Padre João vieira Afonso promoveu recepção calorosa à Secretária de Educação  Macaé Evaristo. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Macaé fez um breve relato da luta dos agentes da educação para manter e valorizar essa oferta de ensino. A secretária pontuou que, durante muito tempo, a política educacional no Estado não tratou as escolas do campo com a sua devida importância e as comunidades do campo, quilombolas, indígenas como sujeitos de direitos. Segundo a secretária, falar de educação como direito, trata-se de acesso a muitos outros. “Direito à terra, a ter financiamento para produzir nessa terra alimento sem veneno, articular essa produção da agricultura familiar com segurança alimentar, com a alimentação escolar. Garantir que essas escolas formem médicos, engenheiros, advogados, agricultores, pessoas que valorizam suas comunidades, seu pedaço de terra, que dialogam com suas famílias e respeitem as sabedorias de seus pais, mães e avós”, declarou Macaé.

A secretária defendeu uma nova ótica sobre a Educação, num país onde, nos últimos 20 anos, foram fechadas 30 mil escolas do campo, numa política continuada de esvaziamento do meio rural, obrigando as famílias a abandonar suas terras, suas tradições e buscar melhor educação para seus filhos em escolas urbanas.

A fanfarra foi uma conquista da comunidade. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Macaé traçou um breve histórico da construção de uma nova lógica para o campo brasileiro, a partir de 2007, e de sua trajetória no Ministério da Educação (MEC) quando assumiu a Secretaria Nacional de Alfabetização, Educação Continuada, Diversidade e Inclusão (Secadi), dando continuidade a ações que fortaleceram o debate de educação do campo diferenciada, de respeito às diferentes comunidades e a própria população do campo. Na ocasião, o MEC elaborou um edital que permitia o funcionamento de 43 cursos de licenciatura de Educação do Campo no Brasil, criou cursos em universidades e institutos federais e garantiu vagas para concurso de professores formadores de Educação do Campo.

Em Minas Gerais, já existia curso de licenciatura na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na gestão do ministro da Educação Fernando Haddad, foram criados outros cursos na Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM),na Universidade de Viçosa (UFV) e no Triângulo Mineiro, ampliando as licenciaturas em Educação do Campo no estado.
Macaé ressaltou a importância de encontrar estudantes de licenciatura “numa escola com excelente formação na educação básica, permitindo que nossos alunos acessem a educação superior, que antes era um sonho inimaginável”.

Macaé reafirmou o compromisso do governo do Estado no fortalecimento da Educação do Campo. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

A secretária falou ainda das políticas implementadas durante a gestão do governador Fernando Pimentel que mudaram o perfil na educação do estado. Então, citou sua própria trajetória: “Temos uma secretária como eu, mulher, negra, professora da educação básica em escola pública e com esse mesmo perfil temos nossos superintendentes, muitos deles eleitos pelos próprios colegas, e uma equipe na SEE que também atende a esses princípios, como as coordenações da Educação do Campo, com a Érica Justino, oriunda de uma escola do campo, como a Célia Xakriabá, a primeira indígena coordenadora de Escolas Indígenas, ou a Iara Viana, da Superintendência de Modalidade e Temáticas Especiais, militante do movimento negro. Esses lugares de gestão pública não estavam acostumados com nossa presença, é importante transformar esses lugares para transformar as políticas que executamos ali”.

Professores e alunos mostraram seus talentos durante a visita da Secretária. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Professor da rede pública por 30 anos, o superintendente da SRE Diamantina, Leonardo Soares, falou que a visita da equipe da secretária foi um marco histórico para a região e ressaltou a origem da secretária “conhecedora do chão da escola e, portanto, uma gestora sensível às trajetórias, dificuldades e lutas pela educação no estado”.

Érica Justino também agradeceu a visita que “reafirma o fortalecimento da gestão da educação em Minas de políticas públicas de inclusão com respeito às diferenças e as especificidades de cada área”.

Por Elian Oliveira/ACS-SEE

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