São 24 projetos no total, envolvendo estudantes de escolas estaduais, municipais, privadas, técnicas e federais
A Diretoria de Divulgação Científica (DDC), vinculada à Pró-reitoria de Extensão da Universidade Federal de Minas Gerais (Proex/UFMG), encerra a programação da 18ª edição da UFMG Jovem com apresentação de pesquisas desenvolvidas por estudantes do Ensino Médio. Nos dias 21 e 22 de julho, o público poderá conferir, na tenda roxa da SBPC Jovem, 24 projetos de escolas estaduais, municipais, privadas, técnicas e federais. Realizada no Campus Pampulha da UFMG, a feira científica integra a SBPC Jovem, evento que ocorre simultaneamente à 69ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
Conquistando, nesta edição, o segundo lugar geral na categoria Ensino Fundamental, com o trabalho “Caracterização Fitoquímica dos Tubérculos da Planta Inhame (Dioscorea sp.), a Escola Estadual Domingos Justino Ribeiro, de Mateus Leme, busca outra premiação com a pesquisa “A batata milagrosa: estudo das propriedades medicinais e das características botânicas”, desenvolvidos por alunos do 1º ano do Ensino Médio. “Conhecida popularmente como batata milagrosa, a planta ornamental possui potente ação contra tumores cancerígenos, principalmente de pulmão, e auxilia no tratamento de doenças crônicas e feridas cutâneas. Diante disso, surgiu, há quatro anos, o interesse em investigar quais as características medicinais e metabólicas, primárias e secundárias que contribuem para a cura do câncer”, explica a estudante Lohana Tomaz Silva, que pesquisa juntamente com a irmã gêmea, Lorena Tomaz Silva, e a professora de Ciências, Fabíola Cristina Fonseca.
Lorena Tomaz Silva, 15 anos, conta que a UFMG Jovem é uma oportunidade para compartilhar conhecimento. “As pessoas trazem seus saberes e contribuem com sugestões, dicas de novos testes para fazermos com a batata, que enriquecem a nossa proposta”, diz. Depois da UFMG Jovem, a pesquisa será apresentada na Feira Mineira de Iniciação Científica (Femic), que acontecerá em Mateus Leme e na Mostratec, em Luxemburgo, Rio Grande do Sul.
De Belo Horizonte, a Escola Estadual Celso Machado, apresenta o projeto “ATP: Aliando Teoria e Prática”. “A ideia é utilizar a máquina SMC de maneira diferente para influenciar e despertar nos alunos o interesse pelos estudos. Com a máquina, podemos desenvolver peças em 3D de acordo com a matéria ensinada em sala de aula, por exemplo, jogos didáticos e de raciocínio lógico, imagens de células do corpo humano”, conta a educanda do 2º ano, Gabriele Teixeira.
A máquina para produção das peças foi projetada e construída pelo estudante Gustavo Faria, 18 anos, do 2º ano do Ensino Médio. “O meu fascínio pelas Engenharias me levou a construí-la. Com o tempo, percebi que poderia utilizá-la para ampliar e aliar o ensino teórico e prático em outras áreas do conhecimento”, relata.
Para Silvani de Oliveira, professora de Química na Escola Estadual Celso Machado, a UFMG Jovem potencializa a aprendizagem. “Além de se sentirem valorizados e felizes, a feira estimula todos a buscarem a iniciação científica como uma alternativa ao aprofundamento e aprimoramento de todo conhecimento transmitido em sala de aula”, afirma.
A “Violência sexual contra as mulheres” é tema do trabalho dos alunos do 3º ano da Escola Estadual João Rodrigues da Silva, localizada na cidade de Prudente de Morais. “O projeto constitui-se como mais uma forma de incentivo para que as vítimas denunciem as agressões e busquem ajuda dos órgãos públicos e entidades voltadas à questão, que atinge milhares de mulheres no país”, conta a estudante Júlia Vieira, acrescentando que um dos resultados da pesquisa é a página no facebook S.O.S Mulheres, que pode ser acessada pelo https://www.facebook.com/soniferamachado/.
Outro projeto da escola apresentado na feira científica é “O uso da Brassica oleracea como proposta alternativa de combate ao tabagismo”, que busca aproveitar substâncias da couve para ajudar fumantes a largarem o vício que, segundo estudo do Instituto Nacional do Câncer (Inca), provocou a morte de mais de 250 mil brasileiros em 2015. “O vegetal possui substâncias que contribuem para a desintoxicação do organismo, então, criamos uma bala proporcionando ao consumidor uma inibição à nicotina na corrente sanguínea, além de redução da ansiedade ao consumo do tabaco”, explica o vice-diretor, professor de Geografia e orientador do trabalho, Eduardo Geraldo Teixeira Neves.
As estudantes da Escola Estadual Alessandra Salum Cadar, em Ribeirão das Neves, trouxeram para a 18ª edição da UFMG Jovem o projeto. “Grupo de estudos sobre feminismos e igualdade de gênero na escola”. “A iniciativa surge da observação dos alunos sobre o ambiente escolar, permeado por situações de preconceito, machismo, desigualdade desrespeito às diferenças. Então, decidimos formar um grupo para debater e conscientizar a todos sobre essas situações e, também, sobre a juventude, periferia, orientação sexual, empoderamento feminino, violência de gênero, entre outros,”, comenta Karen Silva, aluna do 3º ano do Ensino Médio. Segundo ela, o trabalho gerou diversas discussões e intervenções na escola, além expandir para a comunidade, visto que os educandos levaram as conversas para o ambiente familiar.
Amanhã, 22 de julho, às 16 horas, a comissão avaliadora divulgará os vencedores na categoria Ensino Médio. Norteada pelo tema “Transformações e Maioridade”, a 18ª UFMG Jovem, organizada pela Diretoria de Divulgação Científica (DDC), vinculada à Pró-reitoria de Extensão da Universidade Federal de Minas Gerais (Proex/UFMG), é aberta ao público e a programação completa pode ser conferida no https://www.ufmg.br/sbpcnaufmg/.
Por William Campos Viegas (ACS/SEEMG)