
“Participar da feira foi gratificante, pois apresentamos nosso projeto a pessoas de diversos países e, também, pela oportunidade de aprendermos, compartilharmos conhecimento, e conhecer outras culturas”, destaca Karla Guimarães, que representou a Escola Estadual Ilídio da Costa Pereira, localizada em Divinópolis, no 13º Concurso de Projetos Empresariais, Ciência, Tecnologia e Inovação realizado em Ambato, na República do Equador.
No encontro, que reuniu estudantes, professores e profissionais da área da educação de Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Panamá, Equador, Brasil e Peru, Karina apresentou, juntamente como os colegas Fernando Gontijo Resende e Patrícia Teixeira Reis, o aplicativo “EcoApp: Plataforma Sustentável”, que tem como propósito ajudar os moradores de Divinópolis a descartarem corretamente os resíduos e adotarem práticas sustentáveis. “Na feira, recebemos diversas dicas, sugestões e ideias que são essenciais para a continuação e melhoramento do projeto”, conta Karina. Os estudantes, que à época da construção do projeto cursavam o 3º ano do Ensino Médio, foram orientados pelos professores Elrison Ferreira, de Biologia, e Eliane Santos, de Matemática.
Karina conta que, além da realização de um sonho, participar de uma feira internacional lhe abriu muitas oportunidades. A jovem deseja que outros estudantes possam sentir a mesma emoção. “São momentos como esses que permanecem, por tempo indefinido, em nosso coração e em nossa memória. Aconselho os alunos que inscrevam seus projetos em diferentes eventos científicos, pois são importantes para o desenvolvimento pessoal e para o futuro profissional”, ressalta.
EcoApp: Plataforma Sustentável
Já apresentado em feiras de ciências nacionais, o projeto foi desenvolvido pelos estudantes para a Feira de Ciências da Escola, no ano final do Ensino Médio, durante a disciplina de Biologia. “O trabalho está totalmente alinhado às aulas de ecologia em que estudávamos os impactos ambientais provocados pelo descarte de rejeitos em locais como encostas de rios e lixões, que contamina lençóis freáticos, o solo, destrói a biodiversidade e leva à intoxicação dos seres humanos por ingestão de alimentos contaminados. Então, buscamos uma ação para ajudar a diminuir esses problemas e que alcançasse as pessoas”, explica Karla Guimarães.

Antes de lançarem o “EcoApp: Plataforma Sustentável” – disponível para sistema Android e download gratuito na PlayStore –, a equipe realizou uma pesquisa on-line com 277 famílias da região para mensurar o conhecimento da população em relação aos locais e formas corretas de se descartar os resíduos. “Constatamos que 87% não sabem como descartar, 65% não sabem aonde levar os materiais e 78% dos entrevistados desconhecem a existência e o funcionamento da coleta seletiva em seus bairros”, afirma Karla. De acordo com o estudo, semanalmente são reciclados no município mais de 370 quilos de materiais, sendo 81,75 de vidro (22%), 84,11 de garrafa pet (22%), 181,96 de papelão (48%), 23,73 de alumínio (6%) e 5,82 de aço (2%). “Diante desses números, torna-se evidente a necessidade de uma mudança de hábitos por meio de uma reeducação ambiental gradativa”, pontua Karla.
Segundo o professor Elrison, a ferramenta fomenta a consciência sustentável e democratiza o conhecimento. “O aplicativo insere-se no cotidiano da população que, mesmo com a falta de tempo, utiliza smartphones como meio de informação. A ideia é que ele sirva como uma plataforma educacional, dotada de informações objetivas a respeito de práticas sustentáveis no dia-a-dia”, diz.
Os estudantes desenvolveram o aplicativo (em uma plataforma on-line), o design e as ferramentas que o compõem, e fizeram a divulgação na escola, na comunidade, nas redes sociais e mídias locais. “Os moradores receberam bem a proposta e ressaltaram a importância da iniciativa. Entendemos que a sustentabilidade é uma preocupação social de todos e, transformando-se em ações práticas e efetivas, mudará a realidade do planeta”, ressalta Karla.
Na página inicial do EcoApp, os usuários têm acesso a oito ícones, que oferecem diferentes serviços – dicas e sugestões sobre sustentabilidade para incorporarem na rotina; descarte de recicláveis, eletrônicos e infecto-cortantes com mapeamento de locais para a população descartar cada tipo de material. “Os mapas constituem a principal ferramenta do aplicativo, pois informam os postos que realizam a coleta e dão novos ciclos aos diversos tipos de resíduos, funcionando como logística reversa, que são procedimentos que visam à restituição dos rejeitos sólidos ao meio empresarial para reaproveitamento ou destino final ambientalmente adequado”, explica o professor de Biologia.
Além de Divinópolis, o aplicativo incorporou à área de abrangência dos mapas as cidades de Belo Horizonte, Contagem, Pará de Minas, Bom Despacho, Nova Serrana e Juatuba. “Conhecemos algumas pessoas desses municípios e elas nos enviaram locais de coleta e realizam visitas para conhecer o trabalho desenvolvido em que cada espaço. Estamos tentando entrar em contato com alguns órgãos para tornar o aplicativo nacional”, comenta Fernando Gontijo que, atualmente, cursa Medicina na Universidade Federal de Lavras (UFLA).
Fernando destaca o caráter econômico do projeto. “É uma oportunidade de geração de renda para os catadores e para as empresas. Utilizando o aplicativo, as pessoas podem encontrar locais que pagam pelos materiais”, diz. De acordo com o estudante, a equipe está trabalhando para disponibilizar o EcoApp em aparelhos com sistema IOS e em uma parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) para disponibilizar o domínio e permitir que o público acesse o site do projeto.
Referência
A Escola Estadual Ilídio da Costa Pereira já é referência na cidade por estimular seus estudantes a elaborarem projetos, promover eventos para divulgações das ações e inscrever seus educandos em encontros científicos pelo Brasil. “O intuito é cultivar neles a cultura cientifica, ensiná-los a escrever uma pesquisa, compreender etapas metodológicas e saber aplicá-las. Além disso, essas iniciativas aproximam educando e educador, visto que trabalham em conjunto, e a comunidade local, pois eles se envolvem e trocam conhecimento com os moradores”, afirma o professor Elrison.
Fernando compartilha do pensamento do professor. “Os projetos são interdisciplinares e estão sempre relacionados às matérias estudadas em sala. Além do científico, também são realizadas ações culturais, sociais, entre outras, que estimulam o conhecimento acadêmico e o protagonismo estudantil”, destaca. Em 2015, Fernando e outros estudantes desenvolveram o trabalho “Energia Piezo Elétrica” – que demonstrou a transformação da energia mecânica em elétrica – e conquistaram o 3º lugar na Feira de Ciências da Escola e também foi apresentado na feira da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG Jovem).
No ano de 2016, o “EcoApp: Plataforma Sustentável” ganhou o 1º lugar na feira interna da escola e na Feira de Ciência, Tecnologia, Educação e Cultura (Fecitec) da Universidade Federal de Viçosa (UFV) – Campus Formiga –, na categoria Ciências Biológicas, recebendo bolsa de iniciação científica e credenciamento em feiras internacionais.
Em março de 2017, o aplicativo foi exposto na Universidade de São Paulo (USP), durante a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), a maior do Brasil. Foi a primeira vez que um projeto científico de alunos de uma escola pública estadual de Divinópolis foi selecionado para compor o evento. “O importante é o intercâmbio de ideias, que eles consigam trazer informações e conhecimento para a instituição de ensino. É uma grande alegria para todo professor perceber que seus alunos tornam-se mais atuantes a partir do conhecimento aprendido na escola, saber que a iniciativa funciona, que o aluno tem uma formação ampla, cidadã e que modifica sua forma de olhar e interpretar o mundo”, comenta Erilson.
A vice-diretora Adriana Lacerda destaca o empenho dos estudantes. “Eles estão sempre dispostos a encontrar soluções para os problemas, buscar o bem-comum e contribuir para a sociedade. Essas ações demonstram que, apesar das dificuldades, a escola pública tem projetos bons, alunos inovadores e com um enorme potencial”.
O concurso
O 13º Concurso de Projetos Empresariais, Ciência, Tecnologia e Inovação, que foi realizado entre 20 e 22 de abril de 2017, é uma iniciativa da Cooperativa de Ahorro y Crédito “Cámara de Comercio de Ambato” em parceria com o programa Aprender a Empreender do Equador e Jovens Inovadores, da Rede do Programa de Olimpíadas do Conhecimento (Rede POC), que é responsável pela seleção dos projetos brasileiros.
Por William Campos Viegas (ACS/SEEMG, com informações da Rede POC)