Educação do Campo, Integral, Quilombola e Indígena também foram temas de debate no primeiro dia da SBPC Educação
Desafios, falta de infraestrutura e incertezas sobre a Base Nacional Curricular Comum (BNCC) são alguns dos desafios apresentados por professores e especialistas para a implementação da reforma do ensino médio, imposta pela Lei 13.415, aprovada no início deste ano. Esse foi o tema de uma das mesas do primeiro dia da SBPC Educação, que teve início ontem (06/07), em Montes Claros. Durante a última quinta-feira, outras mesas temáticas discutiram questões relevantes sobre a Educação do Campo, a Educação Integral e Juventude e Educação para as populações quilombola e indígena.
Mediadora da mesa sobre a Reforma do Ensino Médio, a superintendente de Desenvolvimento do Ensino Médio da Secretaria de Estado de Educação (SEE), Cecília Resende, falou de como a Secretaria está promovendo um diálogo com profissionais da rede estadual nas 47 Superintendências Regionais de Ensino sobre o tema, resultado que será apresentado na Conferência Estadual de Educação, prevista para este segundo semestre. “Tivemos hoje a oportunidade de apresentar avanços e desafios na necessidade de se repensar o ensino médio. O grupo chegou a um consenso: o ensino médio que temos não nos atende, mas qual modelo vamos construir?”, destacou Cecília. Para ela, a mudança necessária só será alcançada com a participação de educadores e jovens. “A Lei 13.415 não avança na perspectiva de garantia de recursos. Além disso, entende a educação como mercadoria e não uma garantia de direitos”, enfatizou a superintendente.
A mercantilização da educação também foi destacada pelo professor Cézar Luiz de Mari, da Universidade Federal de Viçosa. “Há muitas dúvidas sobre a possibilidade de aplicação da Reforma do Ensino Médio, principalmente com as dificuldades impostas pela PEC do Teto e demais restrições orçamentárias”, observou. Para o professor, a Lei 13.415 não apresenta avanços em termos de superação de desigualdades, de atração e de inserção dos jovens que estão fora do ensino médio. “É preciso entender que essa reforma compõe um grupo maior de mudanças, vinculadas à retirada de direitos”, lembra o pesquisador.
A Reforma do Ensino Médio institui a divisão do currículo em dois módulos: o comum e o de assuntos específicos, de acordo com itinerário formativo escolhido pelos estudantes: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Formação Técnica. A Lei também amplia o ensino integral de 800 para mil horas anuais. “Vejo mais desafios do que avanços”, disse a professora Verônica Figueiredo, do Centro Universitário de Belo Horizonte. Como exemplo, ela citou a questão do tempo integral. “Não temos escolas que comportem esse formato em termos materiais e de estrutura. O aluno ficará na escola, por sete horas, fazendo o quê?”, questionou.
A programação da SBPC Educação, que precede a 69ª Reunião Anual da SBPC, termina nesta sexta-feira, 7, no Campus Regional de Montes Claros da UFMG. A programação inclui mesas temáticas e oficinas. Mais informações no site da SBPC.
Primeiro dia
“No Brasil, a mortalidade juvenil tem raça, sexo e idade. De quase 60 mil homicídios, 48% das vítimas são homens, negros, com baixa escolaridade e idade entre 15 e 29 anos”. Com essa provocação, a professora Andréa Guerra, do Departamento de Psicologia da UFMG, abriu a rodada de apresentações da mesa-redonda “Educação integral e juventude”. O ativista Jailson de Souza e Silva, do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, defendeu no debate a tese de que a favela não é um espaço de carência, mas um lugar de sujeitos desejantes e com forte potencial cultural, criativo e social a ser explorado.
A mesa também contou com da coordenadora das ações de Educação Integral e Integrada da SEE-MG, Rogéria Freire, que falou sobre a experiência e os desafios da rede estadual mineira na implantação e ampliação da política de educação integral e integrada, com a mediação da subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica da SEE, Augusta Mendonça. "Trazemos as juventudes para o centro das discussões da Educação Integral e Integrada. Foram pontos importantes, como o reconhecimento dos jovens como sujeitos detentores de direitos que têm identidades e potencialidades. Há uma cultura de manter a escola como ela está. A Educação Integral e Integrada com a juventude é reconhecer os interesses desses jovens, pensar esse currículo que agrega a dimensão da base comum curricular e outras perspectivas que vão potencializar os jovens em relação ao mundo", destacou Augusta Mendonça.
A trajetória dos Sem-Terra e outras experiências foram discutidas na mesa temática Educação do Campo. O foco na formulação de políticas educacionais que privilegiem a cultura, o dia a dia e as prioridades do homem do campo foi ponto comum entre as abordagens dos participantes. A mesa “Educação - Populações Quilombolas e Indígenas” contou com a mediação da coordenadora de Educação Indígena da SEE-MG, Célia Xacriabá.
Com informações da Assessoria de Comunicação da UFMG