Participaram servidores da SEE, das SREs e das 58 instituições de ensino estaduais que se tornarão, a partir do dia 1º de agosto, Escolas Polem
A Escola Estadual Governador Milton Campos (Estadual Central) abriu, na manhã desta segunda-feira, 26/06, as atividades do “Encontro das Escolas Polem: Caminhos para a Consolidação da Educação Integral e Integrada em Minas Gerais”. Promovido pela Secretaria de Estado de Educação (SEE), o evento acontece até o dia 28 e tem como objetivo apresentar a Política de Educação Integral e Integrada da SEE aos representantes das Superintendências Regionais de Ensino (SREs) e das 58 instituições de ensino estaduais que se tornarão, a partir do dia 1º de agosto, Escolas Polos de Educação Múltipla (POLEM). “Com a contribuição dessas instituições, queremos fazer florescer a maior e melhor Educação Integral e Integrada do país”, destacou Cecília Resende, superintendente de Desenvolvimento do Ensino Médio da SEE.
O primeiro dia de encontro contou com a presença de 326 profissionais da educação, entre servidores que atuam no órgão central da SEE, representantes das SREs, das 44 escolas que integram o Programa de Fomento à Educação em Tempo Integral no Ensino Médio e das demais 14 escolas POLEM. “Essas instituições foram selecionadas por corresponderem a diversos critérios, como ofertarem o Ensino Médio em Tempo Integral e cursos da Rede de Educação Profissional; pela quantidade de alunos na Educação Integral e por oferecer atividades nos eixos esporte, saúde, culturas e artes”, explicou Wieland Silberschneider, secretário adjunto de Educação.
Wieland lembrou que Minas Gerais, até o ano de 2014, não possuía uma política ampla de Educação Integral. “A oferta era oscilante e sem proposta de ampliação; a ênfase estava no reforço escolar, na avaliação externa e na oferta de macrocampos do programa Mais Educação”, relata. Segundo ele, na gestão do Governador Fernando Pimentel, as escolas POLEM, além de abrir caminhos para a Educação Integral e Integral, vão assegurar o acesso e a permanência dos educandos na educação básica. “Vamos garantir a efetiva aprendizagem, pautando-se, por meio da gestão democrática e participativa, pelo respeito à diversidade, pelo protagonismo estudantil e relação com a comunidade, além da valorização do profissional da educação e do trabalho coletivo”, afirmou.
Envolvendo toda a comunidade escolar – estudantes, professores, diretores, pedagogos e demais atores –, superintendências regionais de ensino, SEE, entes públicos e comunidade externa, a educação múltipla, de acordo com Wieland, pretende, entre outros pontos, “ocupar o tempo integral para o desenvolvimento da aprendizagem e construir atividades pedagógicas que potencializem o desempenho escolar, os saberes e capacidades dos educandos, extrapolando o simples preenchimento da jornada ampliada”.
A Secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, também reforçou que a agenda da educação integral vai além da ampliação do tempo e perpassa as metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação (PNE). “Quando a gente fala do acesso e da garantia do direito à educação infantil, ao ensino médio para todos os jovens; à educação de jovens e adultos; do reconhecimento e do tratamento das diferenças; do olhar para as escolas do campo, indígenas, quilombolas; e tantos outros aspectos, estamos falando de integralidade ao longo da vida” concluiu.
Para a analista educacional Vanessa Soares, da SRE de São Sebastião do Paraíso, as escolas POLEM e o Ensino Médio em Tempo Integral modificarão a realidade dos jovens mineiros. “É uma ótima iniciativa, pois oferecerá possibilidades tanto acadêmicas como profissional. Escutando os estudantes e verificando suas necessidades reais, essas ações diminuirão a evasão escolar e tornarão o espaço estudantil mais atraente”, ressaltou. A Superintendência Regional de Ensino de São Sebastião do Paraíso conta com 22 escolas que ofertam o Ensino Médio e uma terá uma Escola POLEM.
O diretor da SRE de Uberlândia, Jaques Paulo Félix, falou da expectativa com a implantação do Ensino Médio em Tempo Integral no estado. “Esperamos que a educação Integral dê novas oportunidades tanto de aprendizagem quanto de formação técnica e profissional aos nossos estudantes. Compreendemos a complexidade da nossa rede estadual, mas sabemos que essa modalidade de ensino é importante, pois propõe a saída dos muros da escola e uma maior interação com a comunidade local, que é fundamental para modificar a relação e o olhar de todos para as instituições”, finalizou. Das 110 escolas da SRE de Uberlândia, 03 serão POLEM.
O encontro contou ainda com apresentação da Orquestra da Fundação Caio Martins (FUCAM), iniciativa do polo de educação integral Esmeraldas, um dos seis espaços da FUCAM, que atende a três escolas estaduais da zona rural da cidade. “A gente quer trazer para as nossas escolas a parte mais sensível, que é a vida. A vida que pulsa, que alinhava. E, obviamente, que não sabemos viver sem música, sem poesia, sem a arte e sem a cultura”, destacou Rogéria Freire, coordenadora da Educação Integral e Integrada da SEE. Regida pelo maestro e professor Alarico, a orquestra tocou o Hino Nacional, a 9ª Sinfonia de Beethoven e Asa Branca, de Luiz Gonzaga.
Oficinas
No segundo dia do encontro, 27/06, representantes da Subsecretaria de Educação Básica da SEE se reunirão com os diretores das Superintendências Regionais de Ensino e das 58 instituições de ensino para conversarem sobre o projeto de implantação das Escolas Polos de Educação Múltipla (POLEM). Ao mesmo tempo, os coordenadores do Programa de Fomento à Educação em Tempo Integral no Ensino Médio das 44 escolas e os analistas do Ensino Médio das SREs debatem o currículo e os campos de integração curricular propostos para o Ensino Médio Integral e Integrado.
Para os especialistas das 58 escolas, analistas da Educação Integral e assessores pedagógicos das 32 SREs, a SEE preparou diversas oficinas, entre elas, “Para além dos muros... Como mapear e desenvolver territórios educativos?”, “Relação Escola-comunidade/Programa Escola Aberta” e “Diversidade e Inclusão”.
Fechando o evento, 28/06, a SEE apresentará aos 44 coordenadores do Programa de Fomento à Educação em Tempo Integral no Ensino Médio e aos analistas do Ensino Médio das SREs as disciplinas Pesquisa e Intervenção e Diálogos com a Cidade, além da metodologia da pesquisa-ação como possibilidade de trabalho nas disciplinas. Já os diretores das SREs, diretores e especialistas das 58 escolas POLEM; analistas da Educação Integral e assessores pedagógicos das 32 SREs participarão de palestra que abordará as estratégias de gestão.
Ensino Médio Integral
Em Minas Gerais, o Ensino Médio Integral será ofertado por 44 escolas estaduais que aderiram e corresponderam aos critérios estabelecidos na portaria 1.145/2016, do Ministério da Educação, que instituiu o Programa de Fomento à Educação em Tempo Integral. A implementação ocorrerá de forma gradual, iniciando com 9.640 alunos do 1º ano do Ensino Médio e chegando aos demais no final de três anos. Para coordenar o programa, foram contratados professores ou especialistas da educação básica que já atuam no Ensino Médio de cada instituição. “Indicados pelo diretor e respaldados pelo colegiado das respectivas escolas, esses profissionais terão, até 10 de julho, a função de articular e coorganizar, com toda a comunidade escolar, a matriz curricular proposta pela SEE no documento orientador enviado às escolas, que estabelece a construção de um currículo integrado”, explica Cecília. A carga horária de trabalho é de 24 horas semanais e o coordenador deve organizá-la para acompanhar as atividades nos turnos da manhã e tarde.
A proposta pedagógica das escolas estaduais de educação em tempo integral no Ensino Médio tem por base a ampliação da jornada escolar – com 9 horários diários, que representam 45 horas-aula semanais – e a formação dos estudantes tanto nos aspectos cognitivos quanto nos socioeconômicos. O currículo será constituído de duas partes – formação básica, que compreende as temáticas de cada área do conhecimento indicadas na Base Nacional Comum Curricular; e flexível, que é composta por três campos de integração – Cultura, Artes e Cidadania; Múltiplas Linguagens, Comunicação e Novas Mídias; e Pesquisa e Inovação Tecnológica; além de um curso técnico profissionalizante – e devem proporcionar ao jovem a interlocução entre as áreas de conhecimento da Base Comum, os conhecimentos científicos, suas experiências pessoais e outras atividades que enriqueçam a sua formação e atuação/intervenção na sociedade.
A proposta curricular deve considerar a opinião dos alunos do 1º ano do Ensino Médio que, anteriormente, responderam a uma consulta da Secretaria de Educação, cujo objetivo foi saber o que eles queriam estudar, os campos que desejariam investir e como gostariam de aprofundar o conteúdo. Segundo a Superintendente, a escuta deve ser base da construção da educação integral e integrada, principalmente para os jovens do Ensino Médio. “Não podemos obrigá-los a ficarem mais tempo na escola. Assim, estabelecemos um processo para dizerem quais são os seus desejos, anseios e o que esperam para a educação. Se nunca os sonharam, em Minas Gerais estamos sonhando juntos”, destaca.
Além disso, para que os três campos de integração gerem projetos, ações de aprendizagem e valorizem o protagonismo juvenil, a SEE propôs a disciplina “Pesquisa e Intervenção” e o trabalho “Diálogos Abertos com a Cidade”. “Todas as 44 escolas devem estabelecer um horário único para dedicar-se à pesquisa. Na educação integral e integrada, os alunos poderão ampliar o seu olhar sobre o território, os problemas existentes naquela comunidade, propor pesquisas e fazer uma intervenção”, explica Cecília. Já os diálogos com a cidade deverão ocorrer uma vez por mês. “É extrapolar os muros escolares, compreender e interagir com a sociedade. Nesse sentido, o coordenador deverá pensar como serão esses diálogos e a organização da pesquisa e intervenção num horário único”, completa.
Os estudantes também poderão participar de cursos técnicos profissionalizantes que serão oferecidos nessas instituições. A ideia é aliar pesquisa (olhar acadêmico) e capacidade técnica para quem quer já sair qualificado para o mercado de trabalho. “Ao incluirmos esses cursos e o eixo de pesquisa e inovação tecnológica, estamos partindo do princípio de que podemos capacitar nossos estudantes, mas que tenham um olhar sobre um objeto que possa ser estudado e pesquisado naquela comunidade. Os cursos também precisam dialogar com o espaço, compreender seus problemas e propor soluções”, afirma a superintendente.
Por William Campos Viegas (ACS/SEEMG)