Profissionais foram indicados pela direção e colegiado das 44 instituições que iniciarão, em 1º de agosto, as aulas no Ensino Médio em Tempo Integral

A Secretaria de Estado de Educação (SEE) deu mais um passo para o fortalecimento da Educação Integral e Integrada para a juventude de Minas Gerais. Na última quinta-feira, 1º de junho, coordenadores iniciaram suas atividades em 44 escolas, de 25 Superintendências Regionais de Ensino (SRE) de Minas Gerais, que aderiram ao Programa de Fomento à Educação em Tempo Integral para ofertar o Ensino Médio Integral. “Para coordenar o programa nessas instituições, foram contratados professores ou especialistas da educação básica que já atuam no Ensino Médio de cada escola. É, efetivamente, o início de um primeiro modelo de educação integral e integrada para a juventude no estado”, explica Cecília Resende, superintendente de Desenvolvimento do Ensino Médio da SEE.

Indicados pelo diretor e respaldados pelo colegiado das respectivas instituições de ensino, esses profissionais terão, de 1º de junho a 10 de julho, a função de articular e coorganizar, com toda a comunidade escolar, a matriz curricular proposta pela SEE no documento orientador enviado às escolas, que estabelece a construção de um currículo integrado. “A ideia é que o coordenador, com seu tempo de vivência, conhecendo as necessidades, desejos e ansiedades dos jovens, a maneira como a escola se relaciona com a comunidade e o território em que está inserida, utilize seus saberes acumulados para discutir e pensar qual é a melhor alternativa para a instituição. Assim, teremos 44 currículos diferentes e que considerem as especificidades de cada escola”, afirma Cecília.

Compreendendo a percepção e a concepção de educação integral e integrada, os coordenadores deverão, neste primeiro momento, materializá-las em ações efetivas. “Elaborar quadro de horários, de atendimento, de disciplinas e aulas que poderão ser ofertadas para atender aos estudantes e à comunidade”, exemplifica a superintendente. A carga horária de trabalho é de 24 horas semanais e o coordenador deve organizá-la para acompanhar as atividades nos turnos da manhã e tarde.

A Secretaria apresentou, em fevereiro deste ano, o Programa de Fomento à Educação em Tempo Integral para ofertar o Ensino Médio Integral, que será implantado em 44 escolas estaduais em Minas Gerais. Foto: Arquivo ACS/SEEMG

A proposta curricular deve considerar a opinião dos alunos do 1º ano do Ensino Médio que, anteriormente, responderam a uma consulta da Secretaria de Educação, cujo objetivo foi saber o que eles queriam estudar, os campos que desejariam investir e como gostariam de aprofundar o conteúdo. Segundo a Superintendente, a escuta deve ser base da construção da educação integral e integrada, principalmente para os jovens do Ensino Médio. “Não podemos obrigá-los a ficarem mais tempo na escola. Assim, estabelecemos um processo para dizerem quais são os seus desejos, anseios e o que esperam para a educação. Se nunca os sonharam, em Minas Gerais estamos sonhando juntos”, destaca.

A proposta pedagógica das escolas estaduais de educação em tempo integral no Ensino Médio tem por base a ampliação da jornada escolar – com 9 horários diários, que representam 45 horas-aula semanais – e a formação dos estudantes tanto nos aspectos cognitivos quanto nos socioeconômicos. “Acreditando que a Educação Integral e Integrada se faz na convivência, na partilha, na troca de ideias. A nossa sugestão é que as aulas comecem sempre com um café coletivo, que será um espaço de convivência entre professores, alunos, diretores e demais funcionários”, comenta Cecília.

A implementação ocorrerá de forma gradual, iniciando no 1º ano do Ensino Médio e chegando aos demais no final de três anos. As aulas no Ensino Médio Integral começarão, nas escolas 44 escolas selecionadas, no dia 1º de agosto. Essas instituições foram escolhidas de acordo com os critérios determinados pela portaria 1.145/2016, do Ministério da Educação, que estabelece o Programa de Fomento à Educação em Tempo Integral.

Currículo

O currículo nas 44 escolas do Programa será constituído de duas partes – formação básica, que compreende as temáticas de cada área do conhecimento indicadas na Base Nacional Comum Curricular; e flexível, que é composta por campos de integração, que devem proporcionar ao jovem a interlocução entre as áreas de conhecimento da Base Comum, os conhecimentos científicos, suas experiências pessoais e outras atividades que enriqueçam a sua formação e atuação/intervenção na sociedade. A Secretaria de Educação propõe três campos de integração curricular para as instituições – Cultura, Artes e Cidadania; Múltiplas Linguagens, Comunicação e Novas Mídias; e Pesquisa e Inovação Tecnológica; além de um curso técnico profissionalizante.

De acordo com Cecília, os coordenadores, no segundo momento, devem harmonizar e integrar a base comum e a flexível. “Eles são a liderança pedagógica e, juntamente com o pedagogo, vão analisar, por exemplo, os projetos desenvolvidos nesses três campos para alinhá-los com o conteúdo da base nacional comum, além de atentarem-se para questões que mais desafiarem os professores. A expectativa é que esses profissionais assumam essa liderança e emprestem o olhar da sua experiência docente para essa nova empreitada”, diz.

Além disso, para que os três campos de integração gerem projetos, ações de aprendizagem e valorizem o protagonismo juvenil, a SEE propôs a disciplina “Pesquisa e Intervenção” e o trabalho “Diálogos Abertos com a Cidade”. “Todas as 44 escolas devem estabelecer um horário único para dedicar-se à pesquisa. Na educação integral e integrada, os alunos poderão ampliar o seu olhar sobre o território, os problemas existentes naquela comunidade, propor pesquisas e fazer uma intervenção”, explica Cecília. Já os diálogos com a cidade deverão ocorrer uma vez por mês. “É extrapolar os muros escolares, compreender e interagir com a sociedade. Nesse sentido, o coordenador deverá pensar como serão esses diálogos e a organização da pesquisa e intervenção num horário único”, completa.

Escola Estadual Governador Milton Campos, o Estadual Central, em Belo Horizonte, será uma das unidades a implantar a educação integral para o ensino médio. Foto: Arquivo ACS/SEEMG

 

Os estudantes também poderão participar de cursos técnicos profissionalizantes que serão oferecidos nessas instituições. Alia pesquisa (olhar acadêmico) e técnico para quem quer já sair qualificado para o mercado de trabalho. “Ao incluirmos esses cursos e o eixo de pesquisa e inovação tecnológica, estamos partindo do princípio de que podemos capacitar nossos estudantes, mas que tenham um olhar sobre um objeto que possa ser estudado e pesquisado naquela comunidade. Os cursos também precisam dialogar com o espaço, compreender seus problemas e propor soluções”, afirma a superintendente.

Escolas Polem

Segundo Cecília, as 44 instituições que iniciarão o Ensino Médio em Tempo Integral são as precursoras das escolas Polos de Educação Múltipla (Polem). “Elas são, no dizer popular, o ovo de indês para essa proposta da SEE, pois vão fomentar também a construção e a ampliação das escolas de educação múltipla em Minas Gerais”, comenta.

Contribuindo para a organização e ampliação da Educação Integral, os Polos de Educação Múltipla visam assegurar o acesso, a permanência e a efetiva aprendizagem dos estudantes na educação básica, pautando-se, por meio da gestão democrática e participativa, pelo respeito à diversidade, pelo protagonismo estudantil e relação com a comunidade, e valorização do profissional da educação e do trabalho coletivo. “A ideia é que a educação integral em Minas Gerais se faça de formas múltiplas, com diferentes ações e serviços que as instituições possam oferecer”, pontua a superintendente.

As ações pedagógicas das Escolas Polem serão implementadas em torno de quatro eixos formativos da Educação Integral e Integrada: Cultura e Artes; Esporte e Saúde; Ciência, Tecnologia e Empreendorismo; e Desenvolvimento das Aprendizagens.

Por William Campos Viegas (ACS/SEEMG)

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