Participaram dos dois dias de capacitação, educadores que atuam nas 17 escolas que atendem aos 24 Centros Socioeducativos de Minas Gerais
Profissionais que atuam nas escolas que atendem ao Sistema Socioeducativo de Minas Gerais participaram de formação promovida pela Subsecretaria de Desenvolvimento da Educação Básica da Secretaria de Estado de Educação (SEE). “Essa capacitação é essencial para que os professores, que estão em contato cotidiano e direto com estudantes que apresentam distorção idade/ano de escolaridade, possam refletir e construir metodologias pedagógicas diferenciadas para que o processo de aprendizagem seja pleno e efetivo”, afirma Michele Silva Pires, analista educacional da Diretoria de Ensino Fundamental da SEE.
Apostando na ludicidade, na interdisciplinaridade, no trabalho coletivo e na elaboração de projetos, a formação está em consonância com as novas diretrizes pedagógicas para o Atendimento Educacional do Socioeducativo. “Compreendemos que a metodologia do sistema regular de ensino, utilizada até o ano passado, precisava ser readequada para atender à demanda dos jovens que cumprem medidas socioeducativas. Muitos apresentam defasagem de leitura e escrita, então, precisamos de estratégias mais atrativas, estimulantes, que façam sentido e se relacionem com as peculiaridades, a realidade e as habilidades desses alunos”, destaca Poliana de Souza Vieira, coordenadora das ações da política educacional do socioeducativo da SEE.
Ocorrida entre os dias 23 e 24 de maio, no Hotel Ouro Minas, em Belo Horizonte, a capacitação reuniu 150 profissionais, entre professores dos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental; docentes que atendem aos adolescentes em cumprimento de medida de internação provisória e especialistas das escolas que recebem jovens em medida de internação. “Os educadores do Fundamental focam na alfabetização, letramento e habilidades básicas de matemática; os da internação provisória fortalecem essas disciplinas trabalhando projetos e oficinas com os jovens. Já os especialistas fazem o diálogo com todos os profissionais que atuam nesse espaço”, explica Michele Silva Pires.
Segundo Elisângela da Silva, que ministra as atividades, a formação, além de aliar a teoria e prática, foca também em aspectos emocionais. “Priorizamos não só conteúdo, mas também a afetividade, a valorização dos estudantes enquanto humanos, cidadãos. Esse alinhamento torna os profissionais mais confiantes para se integrarem e trabalharem com os alunos”, ressalta.
Atuando desde o início de 2017 em uma escola do socioeducativo de Ribeirão das Neves, Barbara Quadros, professora de História, destaca a importância da troca de experiências proporcionada pela capacitação. “Esse intercâmbio de conhecimento, relatos e vivências diferentes deixam os profissionais mais sensíveis à realidade dos estudantes e preparados para auxiliá-los a crescer e vislumbrar um outro futuro”, disse. A educadora ministra, no projeto de Educação Integral, a oficina ‘História, Memória e Comunidades Tradicionais’, que reforça a identidade social, histórica e cultural dos jovens. “Normalmente eles advêm de periferia, de comunidades pobres, então, trabalho as suas origens, já que muitos descendem de indígenas e quilombolas; o que esses locais produzem de arte, cultura, música, como rap e funk, coisas que eles gostam, mas que a sociedade discrimina. A ideia é mostrar que são expressões artísticas de luta, pertencimento, resistência e protesto”, relata.
Novas Diretrizes
No início de 2017, a Subsecretaria de Desenvolvimento da Educação Básica da SEE apresentou, aos diretores das escolas, diretores das unidades socioeducativas e inspetores das Superintendências Regionais de Ensino (SREs), as novas diretrizes pedagógicas para as 17 escolas que atendem os 24 centros socioeducativos de Minas Gerais. Essas diretrizes preveem que o conteúdo deverá ser trabalhado de maneira interdisciplinar considerando as peculiaridades dos jovens que cumprem medidas socioeducativas.
O documento leva em consideração que os adolescentes atendidos não possuem vínculos com a escola: encontram-se evadidos, não matriculados ou, mesmo quando matriculados, estão infrequentes. Entre as consequências, estão a distorção idade/ano de escolaridade dos jovens – que, em média, é de 4,3 anos – e dificuldades na construção e consolidação dos conhecimentos escolares.
De acordo com as novas diretrizes, a proposta curricular para o Ensino Fundamental prevê turmas de aceleração de estudos. Com média de 12 estudantes, do 1º ao 5º ano, as turmas terão duração de um ano e matriz curricular composta de Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História, Ciências, Artes, Ensino Religioso e Educação Física.
Já para os anos finais, as turmas serão divididas em dois períodos: o 1º correspondente aos estudos do 6º e 7º anos e o 2º, aos estudos do 8º e 9º anos. Cada período terá duração de um ano. A matriz curricular é composta pelas disciplinas Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História, Ciências, Arte, Ensino Religioso, Educação Física e Inglês.
Para o Ensino Médio, a proposta tem como princípio fundamental a Formação Básica e a Participação Cidadã e prevê a contratação de professores por área de conhecimento. Pela nova metodologia, haverá, para cada área de conhecimento, um professor orientador nas unidades formativas e outro articulador de um plano de participação cidadã. Eles ajudarão os jovens a elaborarem um livro-portfólio reunindo o conteúdo trabalhado ao longo do ano em cada área de conhecimento e a experiência vivenciada pelos estudantes.
Por William Campos Viegas