Em 2017, o programa está sendo realizado com 300 professores de 10 municípios mineiros

Professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental da rede estadual e municipal de Caratinga e Ubaporanga, localizadas no Vale do Aço, que atuam nas Escolas do Campo, participaram do Curso de Aperfeiçoamento do Programa Escola da Terra II. “A segunda etapa da formação começou em fevereiro e a ideia é apresentar aos cursistas a proposta do programa em seus aspectos históricos, pedagógicos, metodológicos e administrativos”, explica a Coordenadora Estadual do Programa Escola da Terra pela Secretaria de Estado de Educação, Érica Justino.

Professores participaram do Curso de Aperfeiçoamento do Programa Escola da Terra II. Foto: Arquivo Escola da Terra.

Segundo Érica, a aula inaugural – que aconteceu no dia 29/04, no polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB), em Caratinga, - é também um momento de aproximação com os municípios. “Vai além de um curso. É uma oportunidade de fortalecer o contato das escolas com os movimentos sociais, organizados ou não, localizados no entorno das comunidades. Ou seja, manter um diálogo com eles para saber quais as demandas, desafios e perspectivas para as escolas”, afirma.

Além dos professores, estiveram presente tutores, formadores, funcionários do polo UAB, a representante das Comunidades Tradicionais, Eliana Awere - que conduziu a mística “Cuidando da Mãe Terra” - e diretores de cinco escolas estaduais da região. “Na acolhida, as escolas mostraram os produtos da terra característicos de suas localidades e ocorreu a mística. Foi um momento de valorização dos docentes que atuam no campo”, explica a formadora Lucy Rosane Raposo, que apresentou o Programa Escola da Terra II e esclareceu as dúvidas dos participantes.

No segundo momento da formação, os tutores se reuniram com suas respectivas turmas para discutir as orientações e acordos sobre os tempos escola – momento em que o cursista está em contato presencial na universidade ou com o formador representante – e comunidade – dedicados à escola ou à comunidade, que também são formação. “Para educação do campo, temos privilegiado a organização metodológica em forma de alternância, compreendendo que, além da instituição de ensino, há outros espaços de formação. Então, a proposta foi discutir os instrumentos para avaliar e acompanhar os docentes nos mais diferentes locais que atuam”, ressalta Érica.

Foto: Arquivo Escola da Terra.

Érica destaca o plano de ação pedagógica que deve ser pensado e desenvolvido por cada ator incluído no programa. “No caso do professor, por exemplo, um planejamento de aula que considere a discussão epistemológica da Educação do Campo e a realidade e peculiaridade do local em que trabalha. Isso é importante, pois poderemos elaborar um portfólio de atividades didáticas para as escolas, uma coletânea que reúna as diversas áreas do conhecimento e disponibilizá-la para outros profissionais”, comenta.

Em 2017, o Escola da Terra II está sendo realizado com 300 professores de 10 cidades: Novo Cruzeiro, Teófilo Otoni, Ubaporanga, Caratinga, Itamarandiba, Minas Novas, Januária, Bonito de Minas, Francisco Sá e Coração de Jesus. Na primeira fase, o programa chegou a 17 municípios do estado e formou mil docentes. Os municípios são selecionados com base no critério de maior concentração de turmas multisseriadas.

O programa

Ação do Programa Nacional de Educação no Campo (PRONACAMPO), o Escola da Terra está presente em 13 estados brasileiros e, em Minas Gerais, é realizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação do Campo (NepCampo) da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FaE/UFMG), em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (SEE), Ministério da Educação (MEC) e municípios mineiros.

A iniciativa tem por objetivo promover a melhoria das condições de acesso, permanência e aprendizagem dos estudantes do campo e quilombolas em suas comunidades. O Programa oferece apoio à formação de professores que atuam nas turmas dos anos iniciais do ensino fundamental compostas por estudantes de várias idades, e em escolas de comunidades quilombolas, fortalecendo a escola como espaço de vivência.

Em Minas Gerais são reconhecidas 626 escolas do campo, que atendem aproximadamente 140 mil estudantes.

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