Encontro aconteceu na aldeia Xucuru Kariri, localizada no município de Caldas, Sul de MG

“A escola tem um papel importante na construção dos jogos indígenas nesta comunidade. É uma demanda desses povos que trabalhemos para garantir a participação de todas as etnias e, também, contribuir para uma maior articulação com povos que não são do estado para participarem da competição”. A afirmação foi feita pela Secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, durante encontro na aldeia Xucuru Kariri Warkanã Aruanã, no município de Caldas, Sul de Minas Gerais. No evento, realizado no último dia 27 de abril, os participantes discutiram a preparação dos jogos indígenas e a política indigenista do Estado em interface com várias secretarias.

Secretária de Educação participa de encontro na aldeia Xucuru Kariri Warkanã Aruanã, no município de Caldas, Sul de Minas Gerais. Foto: Eric Samuel ACS/SEE.

Além da escola, Macaé Evaristo destacou que organização dos jogos é fruto, também, da parceria com outras instituições. "É uma iniciativa articulada entre várias secretarias, como a de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (SEDPAC) e a de Esportes, com a Fundação Nacional do Índio (Funai), com a área da saúde indígena, pois sabemos que nenhuma ação nessas comunidades pode ocorrer isoladamente”, afirmou, acrescentando a importância do diálogo com os índios. “Qualquer política e ação para esses povos tradicionais precisa ser precedida de um momento de escuta. É necessário que possam dizer o que querem e como desejam que as iniciativas sejam efetivadas”, completou.

Compartilhando a opinião da Secretária de Educação, o Cacique Jal ressaltou que “os povos indígenas dependem de uma política estadual sintonizada com os municípios em que estão inseridos. É uma maneira de garantir visibilidade aos Xucuru Kariri e a outras tribos”, disse ele.

Foto: Eric Samuel ACS/SEE.

Além de Macaé e do Cacique, o encontro contou com a participação do prefeito de Caldas, Ulisses Guimarães; do Superintendente de Comunidades e Povos Tradicionais da SEDPAC, João Pio de Souza; da Diretora da Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Poços de Caldas, Rosimar Prado; do Superintendente Regional de Saúde de Pouso Alegre, Dr. Luís Augusto, e do coordenador regional de Minas Gerais e Espírito Santo da Funai, Thiago Fionoti.

O coordenador da Funai falou da expectativa com a realização da competição indígena. “Esperamos que os jogos venham fortalecer a articulação e organização social do povo Xucuru Kariri e de outros do estado”.

Jogos

Viabilizado por meio de parceria entre as secretarias de Estado de Educação (SEE), Esportes (Seesp), de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese) e de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac), os Jogos dos Povos Indígenas de Minas Gerais reúnem quase todas as comunidades do estado em uma aldeia previamente escolhida. A competição, que chega a sua 5ª edição, está prevista para ocorrer na segunda quinzena de setembro.

Em 2016, participaram cerca de 600 indígenas, com idade a partir dos 15 anos. Na ocasião, foram disputadas as modalidades: Derruba o Toco, Arco e Flecha, Cabo de Guerra, Zarabatana, Corrida do Maracá, Bodok, Arremesso de Lança e Futebol. Os três primeiros colocados em cada modalidade receberam troféus tradicionais, produzidos pelos próprios indígenas.

Durante a competição, também foi realizada feira de artesanato indígena, exposição fotográfica e outras atividades culturais.

Escolas indígenas

Minas Gerais tem mais 17.500 indígenas, de 12 povos, que estão distribuídos em seis regiões do estado. São, no total, 17 escolas indígenas – duas turmas estão vinculadas a escolas não indígenas – que atendem, aproximadamente, 4.200 mil alunos das etnias Kaxixó, Krenak, Maxakali, Pataxó, Pankararu, Xacriabá, Xucuru-Kariri e Mokurin. O atendimento escolar ocorre em 64 endereços e as unidades de ensino estão localizadas em 11 municípios.

Foto: Eric Samuel ACS/SEE.

Durante o encontro na aldeia Xucuru Kariri, Macaé Evaristo destacou as ações da SEE na comunidade. “Pela primeira vez, oferecemos toda a educação básica, inclusive, iniciamos a oferta do Ensino Médio. É um fator de fortalecimento da identidade cultural”, disse.

Em dezembro de 2016, por meio de termo de compromisso, foi autorizada para a Escola Estadual Indígena Xucuru Kariri Warkanã Aruanã a construção de laboratório de ciências, refeitório, além de reforma geral do prédio e pátio. A obra, no valor de R$ 258.594,63, foi licitada em abril de 2017 e está em processo de análise pela SRE de Poços de Caldas. Após a validação, a Secretaria liberará o recurso para execução da obra.

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