Contações de histórias, trocas de livros, apresentações musicais e teatrais e exposições foram algumas das atividades realizadas
Emília, a bonequinha mais espevitada, tagarela e atrevida da literatura brasileira, reúne a sua turma de amigos – Pedrinho, Narizinho, Dona Benta, Visconde de Sabugosa e outros – para uma apresentação de dança na Escola Estadual Adelaide Bias Fortes, em Barbacena. Os alunos da Educação Integral da unidade encarnam os personagens e, ao som de músicas do Sítio do Pica Pau Amarelo, abrem a programação de atividades dedicadas à celebração do Dia Nacional do Livro Infantil, comemorado no dia 18 de abril. “Para receber os colegas e familiares, os estudantes relembram um clássico que fez e faz parte da infância de muitas crianças do nosso país. É uma homenagem, também, a Monteiro Lobato, que comemoraria aniversário neste dia”, comenta Roseli dos Santos, professora de História da Escola.

A iniciativa é uma das ações do “Leitura é um passaporte para o futuro...”, que promoveu, durante todo o dia, contações de histórias, leituras, apresentações musicais e teatrais, exposições, entre outras atividades. “O objetivo é motivar e aproximar os estudantes e demais participantes da leitura. Teremos também ações na cidade para incentivar a população a ler. É um dia dedicado, exclusivamente, ao livro”, explica a vice-diretora, Eliana Rocha.
Realizadas nos turnos da manhã e da tarde, as atividades movimentaram os 1.341 alunos, do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental, que criaram um livro gigante para receber a comunidade. No início do dia, os estudantes realizaram a blitz da leitura e distribuíram, no sinal de trânsito, 250 livros e marcadores para os motoristas. “Eles adoraram e compreenderam a nossa mensagem de incentivo. É muito bom contribuir para que outras pessoas também possam descobrir a importância e o prazer pela leitura”, conta Daniel Oliveira Silva, estudante do 9º ano do Fundamental.

Na parte da tarde, vestidos de personagens de contos infantis, os alunos foram até a praça do Rosário, centro de Barbacena, e distribuíram mais livros aos moradores. “A ideia é promover a cidadania e a integração social entre escola e comunidade. No papel de estimuladores, eles convidam a população a viajar conosco no mundo da leitura e transformam essa experiência em aprendizado”, afirma Ângela Rodrigues, professora de Português.
No total, os estudantes entregaram, ao longo do dia, quase 700 livros, que foram arrecadados por meio de gincanas realizadas pela escola em 2016 e doações de moradores e empresas da cidade.

Incentivando a leitura em família, a escola promoveu também o “reler para reviver, recontar para recordar”, em que alguns familiares contaram para os alunos histórias que fizeram parte de sua vida. Além disso, o evento contou com um sarau de poesias, chá literário, roda de leitura, varal de tirinhas, livros digitais, maquetes e cartazes de literatura, banca de troca de livros, teatro de fantoches e apresentações do grupo teatral Rotunda.
Projetos
O “Leitura é um passaporte para o futuro...” une-se aos projetos “Quem lê indica” e “Pequenos leitores, grandes escritores”, desenvolvidos pela escola para estimular nos estudantes o hábito pela leitura e escrita. “São ações pedagógicas que partem de uma metodologia de leitura diversificada, diferenciada e inovadora. Os nossos alunos já são leitores assíduos e queremos passar para a comunidade que nós somos uma escola leitora e que pretendemos formar uma comunidade leitora”, explica Eliana Rocha, vice-diretora.
Eliane ressalta a importância da escola para a formação da comunidade estudantil. “Na sua principal função, que é formar sujeitos sociais, a escola deve garantir uma ação educacional direcionada ao desenvolvimento da competência comunicativa do aluno, da sua capacidade de interpretar e produzir, para que ele se torne capaz de ler e pronunciar o mundo”, pontua.
Segundo Roseli dos Santos, professora de História, já é tradição da instituição realizar atividades com enfoque na leitura e que envolvam pais, funcionários e a comunidade ao entorno. “Nós motivamos nossos educandos em gincanas literárias, visitas à Bienal do Livro em Juiz de Fora e outras ações lúdicas para reforçar o prazer de ler, o valor de um livro e os benefícios proporcionados pela leitura”, diz.

A educadora destaca que os projetos também valorizam o protagonismo juvenil. “Os professores elaboram as ações, mas são os estudantes que as colocam em prática. Eles decidem os grupos que querem trabalhar, fazem uma pesquisa e desenvolvem todo o trabalho”, afirma. Para as atividades desta terça-feira, eles fizeram a divulgação na região, gravaram vídeo convidando os moradores, pais e ex-alunos.
Todas as atividades são realizadas de maneira interdisciplinar e multisseriada. “As disciplinas conversam entre si e as várias turmas, misturadas, desenvolvem trabalhos peculiares. Nós promovemos a integração entre todos os atores, ou seja, professores, alunos, direção e familiares”, explica Roseli.
De acordo com a vice-diretora, as iniciativas também promovem a sensação de pertencimento nos participantes. “A comunidade, no geral, reconhece a escola como um espaço que é de toda a cidade e que está aberta para receber a todos. Os ex-alunos sempre que podem estão integrados em nossos projetos, seja como voluntários ou como convidados, por exemplo, da banca julgadora de competições que realizamos. De uma forma ou outra, eles não se desvinculam da escola”, comenta.
No projeto “Quem lê indica”, que é transmitido semanalmente na Rádio Sucesso e no Portal Barbacena Online, os alunos do 1º e 3º anos do Fundamental indicam dicas de leitura aos ouvintes. Já no “Pequenos leitores, grandes escritores”, idealizado por Ângela Rodrigues, professora de Português, os estudantes do 6º ano produzem textos de diversos gêneros literários que são publicados no Jornal Expresso.
Dia Nacional do Livro Infantil
Instituído em 2002, o Dia Nacional do Livro Infantil é uma homenagem ao escritor Monteiro Lobato, que nasceu em 18 de abril de 1882, em Taubaté, São Paulo. Lobato é considerado o primeiro escritor da literatura infanto-juvenil a inserir elementos culturais nacionais em suas histórias, em especial aqueles do folclore, e foi precursor da literatura paradidática, na qual é possível brincar enquanto se lê.
Em 1918, o escritor inaugura a Monteiro Lobato e Cia, primeira editora brasileira, e o livro Urupês, que apresenta o personagem Jeca Tatu e crítica o atraso cultural e a miséria no Brasil. Escreveu ainda outras obras infantis, como: A Menina do Nariz Arrebitado, O Saci, Fábulas do Marquês de Rabicó, O Pó de Pirlimpimpim, Reinações de Narizinho, As Caçadas de Pedrinho, Emília no País da Gramática, Memórias da Emília, O Pica-Pau Amarelo. Monteiro Lobato faleceu no dia 4 de julho de 1948.