Participarão representantes da Secretaria de Educação, da Sedpac e lideranças das comunidades tradicionais de terreiro de MG

No Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, celebrado em 21 de março, as Secretarias de Estado de Educação (SEE) e de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac) realizam, às 18h, na Casa de Direitos Humanos, a 1ª Reunião para Formulação de Proposta Específica da Educação de Jovens e Adultos (EJA) para as Comunidades Tradicionais de Terreiro. Reunindo representantes das Secretarias e lideranças das comunidades de terreiro, a ideia do encontro é construir, a partir da coleta de informações e mapeamento de demanda, uma proposta específica de EJA e que considere as particularidades e as convivências sociais destes grupos.

“É uma necessidade dos povos de comunidades tradicionais de Minas Gerais e, em especial, de terreiros, a criação de turmas para alfabetização de jovens, adultos e idosos. Então, nesse primeiro dia de encontro, que também é de luta pela eliminação da discriminação racial, vamos reunir essas lideranças para que nos apontem o melhor local, a melhor infraestrutura, para que essas turmas sejam atendidas”, explica Iara Pires Viana, superintendente de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino da SEE.

Segundo Iara, para a formação geral desses povos, é preciso pensar em uma alfabetização e letramento constituídos a partir de ações diversificadas, dentro de uma visão pluralista e múltipla de educação. “A premissa é uma educação de adultos que modele a identidade do cidadão e dê um significado à sua vida. Dessa forma, é pensar em um conteúdo específico, que reflita, entre outros fatores, a idade, igualdade entre os sexos, necessidades especiais, idioma, cultura e disparidades econômicas”, afirma.

Com foco na alfabetização de adultos e idosos, o projeto vai destacar os saberes e os conhecimentos dessas comunidades tradicionais. “Numa perspectiva étnico-racial e de ancestralidade, compreendemos que esses sujeitos também têm muito a ensinar. Então, a ideia é elaborar um currículo possível e palpável, que considere o saber cultural, tradicional”, diz Iara.

Após o mapeamento e coleta das informações, o objetivo é iniciar um projeto piloto na Região Metropolitana de Belo Horizonte. “É onde há uma maior concentração da demanda e também de terreiros. Nós selecionaremos educadores que conheçam as particularidades, as condições concretas de vida e as representações sociais dos educandos, e definiremos as condições para funcionamento das turmas, como local, horário e forma de avaliação”, ressalta Iara. Os estudantes também receberão certificado.

O encontro acontece na Plenária, 3º andar da Casa de Direitos Humanos, Av. Amazonas, 588, Centro.

Eliminação da Discriminação Racial

Em 1966, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu a data de 21 de março como o Dia de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial em lembrança às mulheres, homens e crianças que morreram no “massacre de Sharpeville”, em 1960, na cidade de Joanesburgo, na África do Sul. Na ocasião, 20 mil negros protestavam contra a lei do passe – que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles poderiam transitar na cidade – quando se depararam com tropas do exército, que abriram fogo sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186.

 

 

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