Antecipando o Dia Internacional da Mulher, SEE debate empoderamento feminino

“No nosso estado, no nosso país, nós, mulheres, somos maioria. E se somos maioria, por que ainda vivemos com tanta invisibilidade?”. A indagação e o convite à reflexão foram feitos por Iara Pires Viana, superintendente de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino, na manhã desta segunda-feira, 06/02, na Secretaria de Estado de Educação (SEE), durante a palestra ‘Empoderamento de mulheres: o que é isso?’. Integrando o Ciclo de Palestras promovido pela Superintendência de Recursos Humanos (SRH) em parceria com a Subsecretaria de Gestão de Recursos Humanos (SG), o evento contou com a participação de Adriana Roque, psicóloga e coach de mulheres, e reuniu servidores das mais diversas áreas da SEE.

Iara Pires Viana, superintendente de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino, apresenta a palestra Educa e Empodera as Minas. Foto: William Campos Viegas ACS/SEE

Antecipando as comemorações do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o encontro debateu, entre outras questões, as funções impostas pela sociedade às mulheres, a desigualdade de gênero e a violência contra a mulher. “Somos maioria, mas ainda ocupamos menos espaço, principalmente quando falamos dos espaços de poder e da esfera pública. Isso ocorre porque crescemos achando que existem papéis definidos por gênero, ou seja, que cabem aos homens e às mulheres”, afirma Kessiane Goulart Silva, coordenadora de Educação em Direitos Humanos e Cidadania da SEE.

Para Kessiane, esses papéis são aprendidos, repassados e reforçados cotidianamente. “No dia a dia, na nossa vida familiar e no cuidado com os filhos acreditamos que há coisas de mulheres e homens. Se era possível aprendermos certas atribuições, também é possível aprendermos outras”, pontua Kessiane, destacando o trabalho realizado pela Secretaria de Educação. “O nosso desafio é, junto com as escolas, discutir com as estudantes o empoderamento, os papéis da mulher na sociedade. Mas, além disso, é discutir com os nossos meninos como eles podem ser sujeitos para o fim da violência contra a mulher”, conclui.

Em sua exposição, a psicóloga e coach de mulheres, Adriana Roque, lembrou as cobranças sofridas pelas mulheres numa sociedade patriarcal e machista como a brasileira. “Além de dar conta das funções de mãe, esposa, amiga, profissional, entre outras, as mulheres são, excessivamente, exigidas a fazerem tudo isso muito bem feito”, explica.

Segundo Adriana, é fundamental que todas as mulheres se perguntem: como é ser uma mulher possível? “É um trabalho de reconexão. Sair do campo do outro, ou seja, do que o filho, o marido, o patrão necessitam e solicitam, e repensar o que é prioridade, o que é importante, um desejo, o que eu, enquanto mulher, quero bancar nessa sociedade. Isso é empoderamento”, ressalta.

Empoderamento

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2014, o número de mulheres no Brasil é de 104,772 milhões (51,6%). No entanto, apesar de maioria feminina, o país, segundo o Mapa da Violência 2015, é o 5º no ranking em número de assassinatos de mulheres – 4,8 a cada 100 mil mulheres. Em 2013, foram quase 5 mil mortes, ou seja, 13 feminícidios por dia, sendo que 50,3% foram cometidos por familiares.

De acordo com a Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo federal, em 2017, durante os quatro dias de carnaval, o número de denúncias de violência sexual subiu 90%. No período, o "Ligue 180" recebeu 109 ligações, contra 58 em 2016. No total, foram 2.132 ligações, sendo 1.136 queixas de violência física contra as mulheres, 671 de violência psicológica e 95 de violência moral. A central ainda registrou 68 denúncias de cárcere privado e 4 atendimentos de tráfico de pessoas. “Diante desses e outros dados que precisamos, cada vez mais, empoderar as mulheres para garantir que elas possam estar cientes de seus direitos, da luta pela igualdade entre os gêneros, como a equiparação salarial, da violência que sofrem dentro e fora de casa”, afirma Iara.

Em Minas Gerais, pesquisa da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) divulgada nesta segunda-feira (6/3) aponta que, no ano passado, quase 127 mil mulheres foram vítimas de violência doméstica. Na capital mineira, foram registrados 14.960 ocorrências. Casos de estupro, assédio e importunação ofensiva ao pudor somaram, no mesmo ano, 211 registros. De acordo com a Sesp, a Delegacia de Mulheres em Belo Horizonte registrou, de 1º de janeiro a 29 de fevereiro, mais de 1,5 mil atendimentos, 1064 medidas protetivas, 935 inquéritos instaurados e 1074 inquéritos concluídos.

Educa e Empodera as Minas

A Secretaria de Educação convocou todas as escolas da rede estadual a promoverem, no próximo dia 8 de março, debates com toda a comunidade escolar. Os debates estão definidos em dois eixos – jovens meninos pelo fim da violência e o empoderamento de jovens meninas, que vai discutir os papéis de gênero. Os trabalhos devem ser documentados por meio de fotos, filmagens e outros tipos de registro e compartilhados na página do evento no Facebook.

Roda de Conversa

Nesta quarta-feira, 8, a Secretaria de Educação realiza, das 14hrs às 17hrs, no PlugMinas, a roda de conversa ‘Educa e Empodera as Minas'. O encontro contará com a participação da Secretária de Educação, Macaé Evaristo, e de ativistas de Movimentos Sociais Feministas, que baterão um papo com jovens e estudantes sobre o tema ‘Jovens Meninas e as Violências de Gênero’.

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