II Caminhada de Promoção da Igualdade Racial acontecerá no dia 24 de novembro, no Instrituto de Educação

A Superintendência de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino, da Secretaria de Estado de Educação (SEE), lançou nesta terça-feira (1/11) o calendário com atividades para o mês de novembro, o Mês da Consciência Negra. São atividades promovidas pela própria Secretaria e outras em que a SEE atua como parceira.

As atividades do mês da consciência negra integram a campanha Afroconsciência, que é uma iniciativa permanente promovida pela SEE que difunde o importante papel que a cultura e a história africanas e afrobrasileiras desempenham na formação da identidade e da diversidade do nosso país.

Na próxima quinta-feira (03/11), às 9 horas, a secretária de Educação, Macaé Evaristo, participa da abertura do Simpósio Arqueologia e Estudos de Cultura Material da África e da Diáspora Africana, no Conservatório de Música da Universidade Federal de Minas Gerais. O evento contará também com a presença do pesquisador Augustin Holl, um dos maiores especialistas em arqueologia africana, e um dos organizadores do nono volume da História Geral da África. Todas as escolas estaduais de Ensino Médio  receberam uma versão compacta da Coleção Histótia Geral da Africa.

Além das atividades previstas no calendário, a Superintendência de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino destaca como ação da Campanha Afroconsciência o envio de um questionário às mais de 3 mil escolas de todo o estado a fim de monitorar a implementação da Lei 10.639/2003 nas escolas. “Já temos 2 mil destes respondidos”, explica a superintendente Iara Viana. “Uma leitura preliminar aponta para a necessidade ainda de formação de professores e estudantes nessa temática. Por outro lado, constatamos aumento significativo de realização de projetos nas escolas, mas ainda concentrados em datas predeterminadas”, pontua. A ênfase da Campanha neste ano é de que essas iniciativas se tornem parte integrante dos currículos escolares.

A Secretaria de Estado de Educação lançou no início de 2015 a Campanha AfroConsciência. Foto Elian Oliveira/ACSSEE

Entre os dias 21 e 25, acontecerá a Semana de Educação para a Vida, instituída pela Lei  Federal 11.988/2009, voltada para o exercício da cidadania. Trata-se da Semana em que todas as escolas devem apresentar às comunidades seus trabalhos e ações de educação para os direitos humanos, diversidade e inclusão. 

Caminhada e Núcleos

No dia 24/11, acontece a II Caminhada de Promoção da Igualdade Racial, a partir das 10h, na Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG), na rua Pernambuco, 47, com alunos e comunidades escolares da Superintendência Regional de Ensino Metropolitana A, e que contará também com a presença da secretária de Educação, Macaé Evaristo.  A expectativa é que todas as 3.656 escolas da rede estadual incluam a Caminhada como ação da Semana de Educação para a vida. 

No dia da caminhada, serão apresentados os Núcleos de Pesquisas e Estudos Africanos, Afrobrasileiros e da Diáspora: “Ubuntu, que funcionarão, a partir de 2017, em cada uma das 47 SREs. Será lançada, ainda, a publicação dos indicadores de qualidade da igualdade racial, elaborada pela ONG Ação Educativa que, em parceria com a SEE, será um dos subsídios para as escolas na implementação do Ubuntu.

O objetivo, segundo a superintendente Iara Viana, é que esses núcleos ofereçam um leque de conteúdos da temática Afroconsciência, que contemple todas as áreas de conhecimento, para que os estudantes tenham prospecção  para sua vida, vislumbrando a continuidade de seus estudos. "São muitos os indicadores que apontam o grande número de jovens negros que deixam de completar seus estudos por não visualizarem perspectivas acadêmicas", observa. 

Serão considerados como critérios para seleção das escolas onde funcionarão os núcleos, a diversidade de atendimento, a territorialidade e a oferta de Ensino Médio, contemplando escolas do sistema prisional, socioeducativo, indígenas, do campo e quilombola. 

O nome Ubuntu foi sugerido pela professora de Sociologia da Escola Estadual Mário Porto, em Uberlândia, Maria Laura Pacheco da Silva, em enquete na página oficial da Secretaria de Estado de Educação no Facebook, entre os dias 30 de maio e 06 de junho.

Segundo a educadora, a sugestão se deu pelo significado da palavra, que é de origem africana. “Foi por causa do significado, que é ‘Sou o que sou pelo que nós somos’, lembra a coletividade e eu pensei nesse aspecto. Tem tudo a ver com a temática que será trabalhada”, destaca Maria Laura.

Fotografia

Durante evento da Praça da Liberdade, no dia 24, será lançada uma edição do livro “Olhares cruzados”, uma coletânea de fotografias e impressões trocadas entre estudantes de Gana, na África, e de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O trabalho contou com a participação do fotógrafo ganês Nii Obodai, que acompanhou estudantes dos dois países (Gana e Brasil) em seus registros fotográficos de pessoas e lugares, reunidos na coletânea.

Segundo Iara Viana, durante todo o ano, as parcerias da SEE com instituições de ensino superior de todo o estado proporcionaram a articulação na formação de professores e estudantes na temática da Afroconsciência, “para que o mês de novembro não se tornasse apenas uma data comemorativa.Conseguimos atrelar a campanha de novembro ao fomento à afroconsciência praticado nas unidades de ensino durante todo o ano”, explica.

Compartilhando experiências no Facebook

Para que professores e alunos da rede estadual de ensino possam compartilhar as atividades desenvolvidas ao longo do mês de novembro, foram criados dois eventos na página oficial da Secretaria de Estado de Educação no Facebook:

- Semana de Educação para a Vida
- 2ª Caminhada pela promoção da Igualdade Racial

Afroconsciência

A Secretaria de Estado de Educação lançou no início de 2015 a Campanha Afroconsciência com o objetivo de fomentar, por meio de diferentes iniciativas, ações nas escolas para a superação do preconceito racial, na busca pelo reconhecimento e valorização da história e da cultura afrobrasileira.

A base da Campanha Afroconsciência é a Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afrobrasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares no Brasil. De acordo com o texto da lei, os estudos de história e cultura afro-brasileira devem ser ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, de forma a destacar a contribuição dos africanos e afrobrasileiros nas áreas social, econômica e política brasileiras. A implementação da Lei 10.639 significa uma ruptura na estrutura curricular da Educação Básica promovendo o reconhecimento das diferentes trajetórias históricas que resultaram do processo de formação nacional brasileiro. Outra mudança ocorrida a partir da aprovação dessa Lei foi a inclusão, no calendário escolar, do Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro.

Dia da Consciência Negra

O Dia da Consciência Negra é comemorado em 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares. Ele foi o último líder do maior dos quilombos do período colonial, o Quilombo dos Palmares. Comemorado há mais de 30 anos por ativistas do movimento negro, a data foi incluída em 2003 no calendário escolar nacional. Contudo, somente a Lei 12.519 de 2011 instituiu oficialmente o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

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