Encontro tratou de políticas públicas para qualificação, cenários e principais desafios da área
O Seminário de Educação Profissional e Tecnológica de Minas Gerais, que aconteceu nesta quarta e quinta-feira (26 e 27 de outubro), no auditório da Fundação de Educação Para o Trabalho de Minas Gerais (Utramig), reuniu gestores que atuam na educação profissional no estado e tratou de políticas públicas para qualificação, cenários e desafios nessa modalidade de ensino. A superintendente de Desenvolvimento de Ensino Médio da Secretaria de Estado de Educação (SEE), Cecília Resende Alves, representou a SEE na abertura.
O evento foi uma parceria entre as secretarias de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese), Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes), Educação (SEE) e Fundação de Educação para o Trabalho (Utramig), e contou com o apoio de diversas outras secretarias e órgãos governamentais.

Os participantes discutiram sobre políticas públicas desenvolvidas pelo Estado de Minas Gerais no campo da qualificação profissional e na educação regular, em nível técnico. Foram apresentados também trabalhos exitosos na área e as perspectivas da qualificação profissional em Minas Gerais.
O encontro é mais um passo na articulação de serviços e ações intersetoriais com objetivo de ampliar a rede pública de educação profissional e construir política estadual para o setor. “Esse é um momento de articularmos parcerias. Acredito que o primeiro alinhamento deve se dar na construção do conceito de educação profissional, de oferta e demanda, para que cada um possa oferecer alternativas nas diversas regiões do estado. Isso sem que haja sem superposição dos trabalhos, alinhando marcos regulatórios e legislações, levando os diversos atores da educação profissional a trabalhar com os mesmos critérios e oportunidades”, afirmou a diretora de ensino e pesquisa da Utramig, Silvana Nascimento.
Para o presidente da Utramig, Lindomar Gomes da Silva, “o seminário é o reflexo do diálogo empreendido pelas várias secretarias e órgãos do governo que atuam na área. O nosso desafio é nos organizarmos e encontrarmos o ponto de convergência”.
Rede
Em 2016, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) lançou a Rede Estadual de Educação Profissional, com ofertas de 14 cursos profissionalizantes (Administração, Agente Comunitário de Saúde, Cooperativismo, Informática, Informática para Internet, Logística, Marketing, Recursos Humanos, Secretaria Escolar, Secretariado, Serviços Públicos, Transações Imobiliárias, Enfermagem e Massoterapia), em 107 escolas das 47 Superintendências Regionais de Ensino (SRE). A ideia, segundo Rafael de Freitas Morais, da Superintendência de Desenvolvimento da Educação Profissional da SEE, é que essa rede incorpore outras entidades do estado que já executam o ensino profissional. “O seminário é um ponto de partida de articulação”.
Rafael defendeu o investimento do estado no ensino profissionalizante, de forma a garantir a oferta. “É um momento incerto com muitas mudanças nos programas do governo federal. Prova disso é que em Minas não foi oferecida nenhuma vaga via Programa Nacional de Ensino Técnico (Pronatec) em 2016”. O Pronatec ofertou, em média, nos últimos anos, 10 mil vagas do programa com financiamento federal. Rafael defendeu uma política estadual de garantia da educação profissional com recursos próprios. “Dessa forma, o que vier do governo federal seria complementar”.
Além dos cursos profissionalizantes, que acontecem concomitantes ao Ensino regular ou no contra turno, o estado disponibiliza 28 cursos técnicos em sua rede.
Para Rafael Moraes, ainda são muitos os desafios, mas é muito positivo que se caminhe para ações integradas dos diversos setores públicos. Entre os desafios do ensino profissional na SEE está a organização do quadro de pessoal. Pela primeira vez a secretaria terá quadro de designação específico para educador profissional.
Diretor do Centro de Ensino Profissionalizante (CEP) Tancredo Neves, de Brazópolis, João Pedro Visotto considerou a proposta de unificar ações no estado, “uma boa ideia que precisa ser amadurecida”. Primeira escola a criar o curso de Educação Integrada no Estado, cuja modalidade teve início em 2016, com três cursos, integrados ao Ensino Médio regular - Eletrônica, Informática e Administração- o CEP já desperta a atenção de cidades vizinhas.

“Temos experiência em curso profissionalizante de 40 anos, e só não abrimos mais turmas para não esvaziar as de ensino regular nas outras escolas e de cidades vizinhas”, explicou o diretor. Foram criadas três turmas com 30 alunos cada, em média. A demanda foi tão grande que já se pensa, num segundo momento, em ampliar a oferta.
Além dos três cursos já oferecidos, será criado no próximo ano o de Logística. Além de Brasópolis, o CEP atende alunos de Paraisópolis, Conceição dos Ouros, Gonçalves, Sapucaí Mirim, São Bento e Piranguinho.
“Considero a escola integrada o melhor caminho, porque temos a formação técnica e o ensino médio, o que o possibilita ao aluno ingressar um curso superior, caso não queira seguir carreira técnica de sua formação”, conclui João Pedro. São cinco os Centros de Educação Profissionalizante (CEPs) na rede estadual, localizados em Belo Horizonte, Brasópolis, Itajubá, Teófilo Otoni e Caxambu.