Gestores, professores e especialistas discutem, em dois dias, a política educacional inclusiva na rede pública estadual

Com mais de 500 participantes de 169 escolas localizadas em 12 municípios, acontece nesta quinta e sexta-feira (20 e 21/10) o “I Congresso de Educação Inclusiva: Educação Especial na teoria e na prática”, promovido pela Superintendência Regional de Ensino Metropolitana C. O evento, que reúne gestores, professores e especialistas, no espaço Global Action, no bairro Itapoã, em Belo Horizonte, discute a política educacional inclusiva da rede pública estadual de Minas Gerais e o seu funcionamento na prática escolar.

A dinâmica do encontro é permeada de palestras e apresentações artísticas. “Pensamos em teoria e prática na escola. Além da legislação e do funcionamento da Educação Especial na perspectiva inclusiva, promovemos palestra musicada, com músico com deficiência, para que os participantes visualizem essa possibilidade de aprendizado da criança com necessidades especiais”, explica a Analista Educacional do Serviço de Apoio à Inclusão (SAI) da Metropolitana C, Ana Paula Patente.

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O evento trata, entre outros temas, do papel do professor de apoio à comunicação; linguagem e tecnologia assistiva; o papel do intérprete de Libras Educacional; sala de recursos e seu funcionamento na prática; como elaborar o Plano de Desenvolvimento individualizado (PDI) e a importância do Português como segunda língua para o surdo.

A analista Ana Paula Patente esclarece que o Plano de Desenvolvimento Individualizado (PDI), constante no Guia da Educação Especial de Minas Gerais, em sua última versão revisada em 2013 e enviada periodicamente às Escolas e Superintendências (trazendo normativas e diretrizes para a Educação Especial no estado), elucida dúvidas e oferece nortes de atendimento desse público.

O PDI parte de um diagnóstico pedagógico de cada aluno, sobre seus conhecimentos, situação física, cognitiva, neuropsicomotora , a partir de então, traça as metas. “O importante não é saber aonde chegou, mas quanto caminhou”, pontua a historiadora e Analista Educacional de Temáticas Especiais da Metropolitana C, Esther Augusta Nunes Barbosa.

A superintendente da Metropolitana C, Grasiela Félix Magalhães, explica que, no Congresso, além dos temas pedagógicos, “aprenderemos como o cérebro funciona e como o aprendizado acontece; como entender as nossas emoções para entender as emoções nos outros e a importância da vocação profissional no trabalho educacional”.

Analista Educacional do Serviço de Apoio à Inclusão (SAI) da Metropolitana C, Ana Paula Patente

Barreiras

“Nesse evento estamos discutindo uma série de recursos de acessibilidade para mediar o currículo dado pelo professor regente, de forma que o aluno com deficiência transponha as barreiras entre ele e o conhecimento e atinja patamar satisfatório de educação”, conta Esther Barbosa.

Ela aponta algumas barreiras a serem superadas. “A primeira delas é a resistência do profissional da educação em relação ao desenvolvimento na Educação Inclusiva. Sem vencê-la (a barreira) não adiantarão outros recursos. Uma vez ultrapassada, temos os recursos físicos e tecnológicos de acessibilidade”.

Já a barreira familiar, que muitas vezes “se expressa no medo de colocar o filho numa escola grande, de seu convívio com outros alunos, de se machucar ou sofrer discriminação”, é vencida quando a escola estabelece uma relação de confiança com essa família, que é conquistada aos poucos, esclarece Esther.

“Na minha experiência, a cada dia que tenho contato direto com os professores, que são referências das famílias dos alunos no ambiente escolar, percebo o quanto os pais anseiam pela educação inclusiva. Os receios de preconceito ou discriminação são coisas do âmbito da escola, fáceis de serem resolvidas. Os pais não têm expectativas muito complexas no sentido do aprendizado. Essa expectativa é nossa, dos educadores, que sabemos que podemos ousar e sabemos que eles vão conseguir. O que os pais mais querem é que seus filhos participem e que sejam incluídos na escola”, atesta Ana Regina, diretora de Educação Especial da Secretaria de Estado de Educação.

A SRE Metropolitana C coordena 169 escolas com 162.928 alunos. Destes, 2.358 apresentam alguma deficiência.

Direitos

A Educação Especial na perspectiva inclusiva é uma proposta praticamente nova na história da educação. Essa discussão tornou-se mais evidente a partir da Convenção de Salamanca (Espanha) de 1994, que tratou dos Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais, explica Esther Augusta Nunes Barbosa.

No Brasil, de acordo com Ana Regina, apesar da temática na Constituição de 1988, “somente tomou mais corpo a partir de 2008, com a publicação pelo MEC do documento ‘ Politica de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva’, reconhecendo o direito de todos os estudantes de estarem juntos, aprendendo e participando, sem nenhum tipo de discriminação. Reconhecendo também que as dificuldades enfrentadas nos sistemas de ensino evidenciam a necessidade de confrontar as práticas discriminatórias e criar alternativas para superá-las”.

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