Criatividade e amor são ingredientes do trabalho da professora Enilda Rodrigues, em Areado, fechando a série de matérias especiais do Dia do Professor



A professora Enilda de Fátima Rodrigues é um exemplo de trabalho e comprometimento. Ela atende a 21 alunos com deficiência do ensino fundamental e médio durante o contraturno da Escola Estadual João Lourenço, no município de Areado, da Superintendência Regional de Ensino de Poços de Caldas. Alguns destes alunos, inclusive, vêm de escolas municipais da cidade.

As deficiências dos estudantes são de diversas naturezas: baixa visão, deficiências motoras, paralisia cerebral, cegueira, entre outros. E trabalhar com estes alunos é sempre um desafio. Além de suas dificuldades comuns de aprendizado na sala de aula regular, muitos passam a vida escolar inteira com baixa autoestima e desestimulados. Mas é justamente aí que entra o trabalho da professora Enilda.

Apesar do horário apertado – apenas três horas semanais – a professora já conseguiu auxiliar muito o aprendizado de seus alunos por meio de práticas pedagógicas criativas. Um exemplo foi quando sua colega professora de geografia do ensino médio estava ensinando sobre a queda do Muro de Berlim, nos anos 1980. Para estimular a reflexão dos estudantes, Enilda apresentou documentários, propôs um debate, tirou dúvidas e, por fim, partiu para a prática: os alunos construíram uma maquete do Muro.

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Esta é forma de Enilda trabalhar: com interdisciplinaridade. Com atividades práticas e discussões, a professora auxilia os estudantes no aprendizado de diversas disciplinas, como matemática, língua portuguesa, geografia e história. E o resultado é transformador. “Esses alunos percebem que são capazes e isso inclusive impacta na sua autoconfiança. Alguns começam até a usar gel no cabelo”, conta ela, achando graça.

A educação inclusiva é um direito garantido pelo artigo 59 da Lei de Diretrizes e Bases de Educação (Lei Federal 9394/1996). Mas, para a professora Enilda, o desafio vai muito além do que está no papel: “Incluir é dar a estes alunos o suporte para atingirem o currículo e o aprendizado, e não apenas cumprir a lei. Ainda temos muito o que aprender, mas o que a gente conseguir já é uma conquista.”

Para a professora o trabalho de inclusão não serve apenas para auxiliar os estudantes a concluírem o ensino fundamental ou o ensino médio, mas para se prepararem para o mercado de trabalho e para a vida. “O aluno vai sair da escola e não vai ter alguém para ajudá-lo nas coisas do dia a dia, como fazer compras no supermercado ou ir ao banco, por exemplo. O nosso esforço é para que eles tenham independência”, salienta.

A professora conta ainda que este esforço está dando resultados. Ela cita o exemplo de três ex-alunos com deficiência intelectual que hoje trabalham como jovem aprendiz na Unifenas, em Alfenas. Para ela, o desafio não é fácil, mas é gratificante: “A inclusão acontece quando a gente tem amor. Nós temos alunos que, mesmo com muito esforço, nos dão um retorno muito lento, difícil. Mas cada aluno tem seu tempo. A gente tem que acreditar na inclusão”, conclui ela.

Educação inclusiva
Em Minas Gerais, de acordo com dados do Censo Escolar 2015, existem 36.407 alunos com algum tipo de deficiência - seja física, auditiva, visual ou intelectual - matriculados em escolas estaduais, dos quais 32.629 são estudantes incluídos em escolas comuns. Para garantir todo o suporte ao estudante com deficiência, as escolas oferecem o atendimento educacional especializado, que tem por objetivo levar aos alunos com deficiências e transtornos do desenvolvimento o atendimento especializado que lhes possibilite a participação plena na escola. Este atendimento, em caráter complementar e de apoio, permite ao aluno um melhor aproveitamento de suas potencialidades, melhorando seu processo de aprendizagem e facilitando a sua inclusão nas classes comuns.

Os profissionais para o apoio e suporte aos alunos são disponibilizados nas escolas conforme a necessidade e as atribuições a serem desenvolvidas. De acordo com dados a Diretoria de Educação Especial da SEE, a rede estadual conta com 1.357 escolas com oferta de Atendimento Educacional Especializado (AEE) em salas de recursos, em 612 municípios. Esse atendimento é ofertado no turno inverso ao de escolarização do aluno. Além disso, as escolas contam com recursos materiais e profissionais especializados para oferecem as condições de acessibilidade aos estudantes, conforme suas necessidades.

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