Professor de Geografia, Paulo Felipe Carvalho, sempre estudou e se formou em escolas públicas


Uma trajetória escolar recheada de retaliações por “não se adequar” aos padrões do ensino público de quando era jovem fez com que Paulo Felipe Carvalho optasse pelo Magistério como profissão: “sempre estudei em escola pública e sofri muito ao longo do meu processo escolar por não ser considerado um ‘bom aluno’, mesmo tirando boas notas, e sempre creditei esta situação às condições físicas e pedagógicas das escolas em meus tempos de estudante”.

Para Paulo Carvalho é possível sim um ensino público de qualidade e “acho que tenho uma função, como professor, de mudar essa trajetória. Por isso escolhi a Geografia, por ser uma matéria mais ligada às questões sociais”.

Graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Paulo leciona na Escola Estadual Professor Hilton Rocha, no bairro 1º de Maio, em Belo Horizonte, e, mesmo considerando que houve muitos avanços, “entre seus status de aluno a professor”, está certo de que “há muito a melhorar. Hoje a diversidade de indivíduos é bem mais visível nas escolas, mas acho que os alunos ainda são vistos como cidadãos desprovidos de conhecimento, desejos e projetos e que estão na escola apenas para receber conteúdo. Isso vem mudando e precisa ser mudado, mas sei que leva tempo.” 

Paulo defende uma educação pautada nas experiências da juventude. Foto do arquivo pessoal

Professor do Ensino Médio regular e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), Paulo Carvalho aponta diferenças dos públicos nessas duas modalidades de ensino. No regular, com alunos em idades entre 15 e 17 anos, o professor observa que o grande apelo está no conteúdo: “são pessoas se preparando para a vida profissional. Querem fazer o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio)”. Na EJA , segundo Paulo, grande parte é de trabalhadores, já com famílias constituídas, que voltam às salas de aula por se sentirem no direito ao aprendizado que lhes foi subtraído em algum momento de suas vidas e as demandas sociais são mais latentes. “O estudo é a porta que se vislumbra para mudanças em suas vidas”.

O professor Paulo Felipe Carvalho defende o trabalho no Ensino Médio “num contexto sócio histórico mais amplo, onde a escola se paute nas experiências trazidas pelos alunos, vindas de fora, e mais atreladas ao aprendizado”.

Paulo Felipe Carvalho cursou os anos iniciais do Ensino Fundamental na Escola Estadual Assis Chateaubriand, no bairro Boa Vista, e os anos finais na Escola Municipal Maria da Assunção de Marco, no Goiânia. O Ensino Médio foi na Escola Estadual Presidente Dutra. Mestre em Geografia, cursa atualmente o doutorado na UFMG.

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