Projeto promove a inclusão de alunos com deficiência no mundo do trabalho
“Plantando Sonhos” é uma ação da Escola Estadual Professor Aires da Matta Machado, em Diamantina, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), dentro do projeto “O Futuro é Agora”. O objetivo da iniciativa é promover a inclusão estudantes com deficiência intelectual, matriculados na Educação de Jovens e Adultos (EJA), no mercado de trabalho.
As atividades, que envolvem aulas teóricas e práticas, dentro da temática da jardinagem, respeitam as limitações dos alunos, valorizam e estimulam suas potencialidades, conforme explica o diretor da escola, Carlos Eduardo Cruz. Segundo o diretor, o foco é direcionar e apresentar novas possibilidades aos estudantes com necessidades especiais (NEE) que estão se formando na EJA. “A ideia desse trabalho partiu dos questionamentos: o aluno formou na escola, e agora o que vai fazer? Como será seu cotidiano fora dela? E então, com a parceria do SENAR, traçamos as diretrizes visando à promoção social e à capacitação profissional”, explicou o diretor.

Toda a ação é coordenada pelo diretor, com apoio da terapeuta ocupacional Gabriela Carvalho, da psicóloga Alexandra de Paula e da assistente social Liliana de Andrade Rocha. Segundo a orientadora pedagógica que coordenou o projeto em sua implantação, Rita de Cássia, “o que me motivou a realizar esse trabalho foi o fato de acreditar, de depositar esperanças de transformação na realidade desses alunos favorecendo suas aptidões”. Um dos estudantes que participa do projeto, Wallace Moisés, diz que a iniciativa permitiu-lhe aprender a cuidar da natureza. “E assim posso ganhar dinheiro fazendo jardins”, reconhece ele. O desejo de se tornar um jardineiro profissional motivou a adesão ao curso do aluno Claudinei Aparecido Espíndola.
Além de proporcionar condições para os alunos se inserirem no mercado de trabalho, a ação exige da equipe da escola um trabalho social de sensibilização junto a este mercado, para que a pessoa tenha oportunidades. “Podemos utilizar, por exemplo, o sistema de cotas previstas na legislação trabalhista, para algumas empresas, proporcional ao número de funcionários”, sugere Carlos Cruz.

Os resultados, segundo o diretor, foram satisfatórios no primeiro semestre deste ano. Os alunos atribuíram um novo significado à escola, “pois esses espaços de aprendizagem têm repercussão direta em sua vida social”, afirma o diretor.
Para a orientadora pedagógica Rita de Cássia, a estratégia possibilita trabalhar em conjunto a educação ambiental e o espírito cooperativo do trabalho em grupo. Partindo dos perfis dos alunos e do espaço disponível na escola, foi oferecido o curso de horta e jardinagem, permitindo a abordagem de quatro questões, segundo o diretor: “educação ambiental focando a importância da preservação do meio ambiente no manejo e cuidado da terra; o fomento de atividades com início, meio e fim, onde os alunos possam acompanhar e visualizar todo o processo de preparação do terreno, plantio, crescimento da planta e sua colheita, contribuindo no processo de aprendizagem; estímulo às habilidades cognitivas, de noção espacial e temporal em aprender como selecionar, semear, cuidar, cultivar a horta e o jardim e habilidades sociais, ao promover o trabalho cooperativo durante o fazer com a comunicação, motivação e interação”.