Reunião foi realizada na última quinta-feira (29/09)
No próximo ano, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) irá implantar nas escolas de Ensino Médio da rede estadual de ensino o Projeto Ubuntu. A iniciativa tem como objetivo diminuir os índices de evasão escolar, ampliar os níveis de proficiências e contribuir para a elevação do padrão de qualidade do processo de ensino-aprendizagem, prioritariamente, dos estudantes negros, a partir da inserção pedagógica e curricular da reflexão sobre as relações étnico-raciais no contexto brasileiro. Sua principal ação será a implantação de Núcleos de Pesquisas e Estudos Africanos, Afrobrasileiros e da Diáspora em escolas de Ensino Médio.
O projeto está em construção e para que ela atenda às características das diferentes regiões do Estado a equipe responsável pela estruturação da iniciativa realizou na última quinta-feira (29/09), no Plug Minas, uma roda de conversa com jovens estudantes do Ensino Médio e egressos para apresentar o que já foi pensado e colher sugestões para serem analisadas e incorporadas ao projeto.
“Precisávamos conversar com a juventude para saber se ela gostaria de fato da existência desse núcleo. Então, surgiu a ideia de chamá-los para uma roda de conversa para apresentar o primeiro escopo e ouvir deles o que poderia ser complementado e como eles se enxergaram dentro dessa proposta. Todos os segmentos e representatividades da juventude são jovens da militância do movimento negro, militância da área de moradia e da militância estudantil. Então, eles trazem experiência do que está sendo debatido lá fora”, ressalta a superintendente de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino, Iara Félix Viana.

Josué Victor dos Santos Gomes é aluno do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Olegário Maciel, em Belo Horizonte. O estudante, que já desenvolveu um projeto de iniciação científica em uma escola municipal da capital mineira, que abordou temas como machismo, homofobia e racismo, fala sobre a importância de incentivar a produção científica ainda na Educação Básica. “Gostei muito desse lado de trazer a produção acadêmica para o Ensino Médio. A gente não sabe como é a faculdade e trabalhar com iniciação científica vai ajudar muito. Além disso, vai mostrar que é possível produzir um trabalho científico sobre os negros e que nós estudantes também produzimos conhecimento. Acho que é uma iniciativa que vai funcionar, mas ela é a longo prazo. Não vai ser de hoje para amanhã que vai mudar”.
Ayana Omi Amorim de Oliveira é egressa da rede pública de ensino e hoje é aluna do curso de Pedagogia da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). A estudante conta o que a motivou a participar das discussões. “Apesar de ter sido promulgada em 2003, a Lei 10.639 não é colocada em prática nas escolas. Chamar os jovens para discutir a educação das relações étnico-raciais dentro do Ensino Médio e querer esse diálogo é o que me incentivou a participar”, conta.
Para a construção do projeto, também foram realizadas reuniões com professores, técnicos das Superintendências Regionais de Ensino e representantes das universidades, que serão parceiras na implantação da iniciativa. “Construir esse projeto de cima para baixo não fazia sentido, porque ele é voltado para sujeitos envolvidos diretamente no cenário educacional. Nós chamamos em um primeiro momento os Núcleos de Estudos Africanos e Afrobrasileiros (Neabs) das universidades, mas abrimos também outros departamentos da universidade que trabalham com a temática. A nossa primeira conversa foi com esse segmento, até mesmo para fazer essa parceria institucional. O objetivo era saber em que medida os pesquisadores poderiam auxiliar nossos professores para a implantação dos núcleos”, conclui a superintendente.
Núcleos de Pesquisa e Estudos Africanos, Afro-brasileiros e da Diáspora
Os Núcleos funcionarão nas 47 Superintendências Regionais de Ensino (SREs), com previsão de criação de dez por regional, e serão abrigados em escolas chamadas de “Escolas Polo”. O objetivo dos Núcleos é potencializar o desenvolvimento intelectual, social e acadêmico dos jovens do Ensino Médio das escolas estaduais de Minas Gerais e favorecer a efetiva implementação das Leis 10.639/03 e 11.645/08. A ação integra a agenda da Campanha Afroconsciência.
Afroconsciência
A iniciativa objetiva divulgar junto à comunidade escolar a necessidade de se trabalhar essa temática de forma permanente, permeando todos os universos disciplinares, na perspectiva de oferecer aos jovens mineiros uma leitura histórica inclusiva.
Escolha do nome
O nome Ubuntu foi escolhido por enquete realizada pela Secretaria de Estado de Educação para a escolha do nome do projeto voltado à criação de Núcleos de Pesquisa e Estudos africanos, Afro-brasileiros e da Diáspora chegou ao fim e teve como escolhido “Ubuntu: educando para as relações étnico-raciais”. O nome foi sugerido pela professora de Sociologia da Escola Estadual Mário Porto, em Uberlândia, Maria Laura Pacheco da Silva. A enquete foi realizada na página oficial da Secretaria de Estado de Educação no Facebook, entre os dias 30 de maio e 06 de junho.