Iniciativa da Secretaria de Educação com o Grupo Circo Teatro Olho da Rua visa contribuir para a formação dos internos
A Secretaria de Estado de Educação (SEE) firmou parceria com o Grupo Circo Teatro Olho da Rua visando a apresentação do espetáculo “Memórias de Bitita – O coração que não silenciou” nas dependências das escolas estaduais do sistema prisional e socioeducativo. A SEE acredita que os adolescentes devem ser alvo de um conjunto de ações que contribua na sua formação, de modo que venham a se tornar cidadãos autônomos e solidários, capazes de se relacionar harmoniosamente com a sociedade, sem reincidir na prática de atos infracionais.
A apresentação da peça aconteceu no Centro Socioeducativo de Justinópolis, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, instituição que presta assistência a adolescentes e jovens de 14 a 21 anos, por meio de uma proposta de ressocialização. O evento foi organizado pela Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio que funciona dentro da unidade. Todos os adolescentes que estão cumprindo medida de internação provisória no Centro Socioeducativo estão matriculados na escola.

Os internos assistiram com muito interesse ao espetáculo, aplaudindo e questionando algumas posturas dos personagens. “Memórias de Bitita” – O coração que não silenciou” é uma peça de livre adaptação da obra da autora negra Maria Carolina de Jesus, elaborada pela pesquisadora e atriz Carlandréia Ribeiro, que se especializou nos textos “carolinianos” para retratar na peça teatral todo o lirismo da escritora homenageada.
De acordo com a diretora do educandário, Marinete Azeredo, os adolescentes atendidos são oriundos, em sua maioria, das camadas mais pobres e vulneráveis da sociedade e estão cada vez mais sujeitos a um processo de exclusão social. Ela diz que por meio de projetos envolvendo arte e cultura é possível envolver os alunos com o verdadeiro sentido da escola. “O objetivo da peça é levar aos adolescentes mais informações sobre o teatro, incentivar a leitura, o espírito crítico e a apropriação de um vocabulário mais rico, além de poder trabalhar valores e resgatar a sua autoestima. Isso reflete positivamente no bom desempenho escolar”, argumenta Marinete.
A diretora afirma que um dos eixos de trabalho com os adolescentes é proporcionar autonomia, “para que sejam protagonistas de sua história e não reincidam na prática de atos infracionais”.
“As ações pedagógicas da nossa escola não se restringem ao ensino formal. Oferecemos também aos alunos oficinas culturais que propiciam o acesso a direitos e às oportunidades de superação de sua situação de exclusão, de significação de valores, bem como o acesso à formação do caráter para a participação na vida social”, destaca Marinete, acrescentando que somente dessa forma os internos se transformarão em adultos “com referenciais de cidadania e de respeito”.

O trabalho do Grupo Circo Teatro Olho da Rua poderá, a partir das demandas de cada escola, se desdobrar em oficinas e reflexão sobre temáticas abordadas na peça, tais como a questão racial, a literatura negra brasileira, a história da população negra no país, os movimentos sociais, a violência contra a mulher e a importância da leitura.
Esses temas se justificam pelo número expressivo da população afrodescendente cumprindo pena nas instituições do sistema prisional e socioeducativo do Estado, além de fazer parte das diretrizes da Campanha Afroconsciência da SEE, que objetiva promover o diálogo entre os diferentes atores do cenário educacional mineiro sobre a necessidade de incrementar, no âmbito da Educação Básica, o debate e o trabalho científico sobre a Educação das Relações Étnico-Raciais.