Estudantes desenvolveram projetos interdisciplinares nas áreas de gastronomia, música, cinema, dança e fotografia, dentre outras

As aulas interdisciplinares proporcionadas pelo novo conteúdo curricular “Diversidade, Inclusão e Mundo do Trabalho (DIM)”, inserido neste ano nas reformulações do Ensino Médio noturno e na Educação de Jovens e Adultos (EJA), vêm apresentando resultados surpreendentes na Escola Estadual Imaculada Conceição, em Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

“Entusiasmo e empolgação que já apresentam resultados na transformação do ambiente escolar”. Com essas palavras, a supervisora pedagógica da escola, Danielly da Silva Araújo, traduziu as ações vividas pela comunidade escolar no primeiro semestre da experiência interdisciplinar. “Confesso que recebemos com certa preocupação a nova proposta. Era algo inovador e sequer imaginávamos por onde começar. Aos poucos nos inteiramos junto à Secretaria de Educação e à Superintendência Regional e depois de algumas reuniões os próprios professores concluíram que para começar seria necessário melhorar o ambiente interno da escola”, explica.

Estudantes foram estimulados a pensar projetos que foram surgindo em cada sala de aula. Foto: Breno's Photos

Assim, foi elaborada uma carta explicando as mudanças propostas do Ensino Médio noturno e EJA para os alunos, que na primeira aula oficial do semestre tiveram a oportunidade de esclarecer dúvidas. Os estudantes foram estimulados a pensar projetos que foram surgindo em cada sala de aula. “Os alunos se envolveram intensamente, todas as turmas apresentaram diversas propostas e os grupos elegeram um representante para defendê-los”, conta o diretor Marco Antônio de Souza.

Os projetos envolveram gastronomia, música, cinema, teatro, dança, cinema, fotografia, turismo e a história da cultura regional. Todas as ações foram registradas por uma oficina de fotografia. Durante todo o processo, uma das turmas escolheu exibir curta metragem nos intervalos entre o 3º e 4º horários e a cozinha construída pelos alunos ofereceu pipocas para os espectadores nas sessões de exibição. Ao final do semestre, os projetos das turmas do Ensino Médio Noturno e da EJA foram apresentados em interação com a comunidade de Pedro Leopoldo.

Mobilização e conteúdos diversos

“Nossa escola nunca vivenciou uma mobilização tão intensa. O que achávamos que seria restrito ao espaço interno, extrapolou os muros da escola. Um aluno confeiteiro sugeriu criar um projeto de confeitaria. Disponibilizamos uma sala que estava ociosa e toda a escola participou da limpeza e a transformou numa cozinha que atendeu ao projeto ‘Doces Brasileiros’. As compras de ingredientes, os custos, a dosagem e a composição serviram de conteúdo de Biologia, Química e Matemática. A escrita e o ordenamento dos projetos serviram às aulas de Português”, destacou a supervisora pedagógica Danielly da Silva Araújo.
Escolhido pelos alunos do 3º ano da EJA, “Doces Brasileiros” mostrou a riqueza da culinária mineira. “Eles fizeram cartazes, tabelas, entrevistas com doceiros mais antigos da cidade e buscaram novas receitas”, explicou Danielly.

Além dos registros dos projetos da DIM, Bruno Felipe, aluno do Ensino Médio regular e fotógrafo, auxiliou na oficina de fotografia “A arte de fotografar”, que envolveu conteúdos de Português, Matemática e Química. Ele considerou o envolvimento de todos muito gratificante. “A demonstração de interesse foi total”. Os alunos de fotografia acompanharam um grupo que promove turismo noturno em Pedro Leopoldo, produzindo, posteriormente, uma exposição de fotos dos pontos de atração da cidade à noite.

Um outro projeto foi “A Cultura do baralho”, desenvolvido pelos estudantes do 1º ano do Ensino Médio e que envolveu as disciplinas de Física, Matemática e Língua Portuguesa. A justificativa do grupo é que “com baralho nas mãos, a cabeça pensa, o corpo reage aos estímulos da disputa, da brincadeira, da matemática, da ludicidade. Sendo assim, porque o baralho é fonte de energia, aprimoramento dos cálculos e, por fim, justifica uma ocupação sadia do tempo”.

Os projetos envolveram gastronomia, música, cinema, teatro, dança, cinema, fotografia, turismo e a história da cultura regional. Foto: Breno's Photos

“A música em nossas vidas”, trabalho do 2º ano da EJA, envolvendo conteúdos em Química, Matemática e Língua Portuguesa, teve como justificativa “o aprendizado com prazer, através da audição, leitura, canto e outras atividades musicais, tornando-nos pessoas mais sensíveis à vida e enriquecidas cultural e socialmente”.

Com pesquisas sobre o poder das plantas medicinais e seus nomes científicos, os alunos do 3º ano do Ensino Regular envolveram as disciplinas de Biologia, Matemática e Língua Portuguesa, elaborando cartazes, sachês, entrevistando benzedeiras sobre seus conhecimentos e executando o projeto “Vida Saudável”.

“Boi da Manta”, presença centenária no folclore da cidade, apresentou-se para a comunidade escolar como resultado das pesquisas dos alunos do 3º ano da EJA, coordenados por professores de Biologia, Matemática e Língua Portuguesa. A festa é um cortejo de pessoas fantasiadas seguindo um boi desvairado pela rua principal da cidade e é a principal atração cultural e turística de Pedro Leopoldo.

Polêmico, o “Funk no Brasil” agitou a escola em sua apresentação final. Produzida pelos alunos do 1º ano do Ensino Básico regular, foi coordenado pelos professores de Física, Matemática e Língua Portuguesa. A temática interdisciplinar buscou na história do ritmo musical todos os elementos que hoje compõem suas várias tendências.

“No início, houve algumas resistências à temática”, conta o diretor Marco Antônio, “mas os alunos foram bastante convincentes e conquistaram a escola fazendo um trabalho de pesquisa, e uma apresentação final excelente. Aliás, todas as produções foram muito boas”.

Toda escola participou da mobilização. Foto: Breno's Photos

O grupo listou a riqueza do trabalho interdisciplinar proporcionada pela disciplina Diversidade, Inclusão e Mundo do Trabalho durante todo processo, desde a escolha do tema à apresentação final. Seu relatório traduz esta constatação conforme abaixo.

 Grupo de trabalho “Funk no Brasil”

Parcerias interdisciplinares Comum a todos:

- Colaborar na construção de um projeto eficaz e dinâmico;

- Fazer adequações às propostas abaixo, com toda liberdade para mudar as ideias, total ou parcialmente, favorecendo o bom andamento das ações, bem como planejando juntos na promoção da multidisciplinaridade.

Arte: estética e elaboração de cartazes; confecção do layout da camisa usada por dançarinos.

Educação Física: organização de uma noite agradável e saudável na apresentação. Preparar os alunos para que não haja lesões na hora da dança.

Geografia: identificar onde acontecem as festas, por regiões, no país, e expor em gráfico. Analisar a preocupação dos pedroleopoldenses quanto à violência que ocorre na festa, mostrando pontos positivos e negativos.

Inglês: pesquisar termos em inglês que se relacionem aos temas, traduzir e contextualizar em produções diversas.

História: analisar registros e curiosidades históricos, envolvendo o funk. Refletir sobre o Funk no Brasil, tendo em vista influência no município e a sua composição em termos de cronologia.

Química: análise de elementos (entorpecentes) de uso frequente nos bailes.

Biologia: vida saudável sem o uso de entorpecentes e álcool.

Física: enfocar sobre leis que têm a ver com a temática. Estudar relações da Física com o corpo humano.

Matemática: elaborar gráficos e tabelas, aperfeiçoados em torno de pesquisas e entrevistas (trabalho de campo) para expor resultados à comunidade escolar. Divulgar dados que informem quantidade de apresentações já realizadas.

Língua Portuguesa: estudar etimologia de palavras, ortografia e semântica. Interpretar e produzir textos que envolvam os temas relacionados.

Sociologia e Filosofia: em parceria, ou da melhor maneira que convier, selecionar textos para analisar impactos sociais e outros em torno da temática, criando uma exposição com imagens e questionamentos.

Enviar para impressão