Encontro abordou temas como as diretrizes da Educação do Campo e agricultura familiar
Analistas Educacionais que trabalham com a Educação do Campo nas 47 Superintendências Regionais de Ensino (SREs) participam nesta quinta-feira (07/08) de um encontro, em Belo Horizonte, que tem por objetivo fortalecer a discussão da educação na perspectiva da Educação do Campo. Durante todo o dia, os educadores irão debater temas como agricultura familiar e as diretrizes da Educação do Campo. O encontro é realizado pela Coordenação da Educação do Campo da Secretaria de Estado de Educação (SEE).
Durante o evento, a secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, ressaltou os desafios da Educação do Campo. "Temos o desafio de fortalecer as escolas do campo, construir diretrizes específicas, pensar projetos pedagógicos específicos e uma formação de professores que dialogue com a realidade das nossas comunidades. Precisamos também pensar em novas formas de organização do trabalho escolar. Se a gente não começar a repensar essa nossa estrutura das escolas do campo, não conseguiremos fortalecer a existência dessas unidades escolares".

Já a subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica, Augusta Mendonça, destacou a importância de discussões que fortaleçam a Educação do Campo. "O estado de Minas Gerais é muito diverso, em algumas regiões a gente vê que essa discussão esta mais encorpada, com experiências mais consistentes e com a concepção mais clara dessa perspectiva. Em outras, essa discussão ainda está começando. Temos que trazer os professores para esta agenda e apresentar nos encontros experiências de sucesso desenvolvidas pelas escolas".
Segundo a coordenadora da Educação do Campo e Educação Indígena da SEE, Érica Justino, o encontro é um momento de ouvir as demandas dos diferentes territórios. "Temos um número muito grande de pessoas envolvidas com a Educação do Campo, mas que ainda não se apropriaram da discussão enquanto concepção, conceito e ferramenta ideológica que podemos usar nas escolas. Estamos apresentando nossa pauta de ações e ouvindo a opinião deles, porque para a Educação do Campo isso é muito importante", pontua.

A coordenadora destaca ainda as ações que estão sendo desenvolvidas pela Secretaria. "Já temos encaminhado a Educação de Jovens e Adultos com uma matriz específica para as escolas do campo e que utiliza a metodologia da alternância. Outra proposta está relacionada à educação integral. Já fechamos com a Coordenação das Ações da Educação Integral da SEE a seleção de 100 escolas onde a gente vai experimentar um modelo de educação integral para as escolas do campo”, relata a coordenadora. “Também temos um outro ponto, que é uma ação de formação envolvendo as quatro universidades federais que trabalham com a licenciatura em Educação do Campo. Estimulamos as escolas a criarem um projeto e a partir da inscrição desses projetos vamos selecionar 200 escolas. Elas serão divididas territorialmente pelas universidades e também pelo centro de formação do MST , que vai oferecer, inicialmente, formação para as escolas de assentamento", conclui. Atualmente, Minas Gerais conta 626 escolas do campo.
Jucineide Alves Gonçalves é Analista Educacional na SER Januária. Para a educadora, ações como as realizadas pela SEE são importantes para dar visibilidade para a população do campo. "É muito bom dar visibilidade a essas pessoas que estão no campo. A gente tem que encontrar as potencialidades para fazer uma educação realmente de qualidade e ações como essa favorecem isso", conclui.
Diretrizes para a Educação do Campo
Lançadas em 2015 pela Secretaria de Estado de Educação, as diretrizes têm o objetivo de orientar os programas e os projetos dos municípios e do Estado na atuação para com as escolas do campo. O documento é resultado do trabalho desenvolvido pela Comissão Permanente de Educação do Campo.
A Comissão
A Comissão Permanente de Educação do Campo é composta por membros de diversos órgãos do poder público e entidades, sendo eles: Secretaria de Estado de Educação (SEE), Conselho Estadual de Educação (CEE-MG), Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Integração do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Sedinor), Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário (Seda), Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater), Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação de Minas Gerais (Undime), Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas (Fetaemg), Federação das Comunidades Quilombolas da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais- N´Golo, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Associação Mineira das Escolas Família Agrícola (Amefa), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (Uncme/MG), Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Frente Parlamentar Mista da Educação do Campo na Câmara dos Deputados.