Escolas terão professores capacitados para alfabetização de alunos do 4º ao 9º ano do Ensino Fundamental

Reunidos em Belo Horizonte, analistas educacionais das 47 Superintendências Regionais de Ensino (SREs) discutiram, nesta quarta-feira e quinta (06 e 07/07), propostas de acompanhamento pedagógico diferenciado no atendimento aos estudantes do 4º ao 9º ano do Ensino Fundamental, que não se alfabetizaram ou com dificuldades de escrita e leitura. A iniciativa do encontro é da Secretaria de Estado de Educação.

No primeiro dia do encontro foram apresentadas políticas públicas do estado e a proposta de acompanhamento diferenciado. No segundo, aconteceram oficinas que visam instrumentalizar esses analistas para que se tornem multiplicadores em suas Regionais no sentido de acompanhar, monitorar e auxiliar professores que atenderão especificamente a esses alunos.

Seminário discutiu proposta para alunos do 4º ao 9º ano. Foto: Reinaldo Soares/ACS-SEE

A ideia do projeto é que as escolas contem com um professor especializado que atenda às especificidades desses estudantes. Segundo a subsecretária de desenvolvimento do Ensino Médio, Augusta Mendonça, da Secretaria de Estado de Educação (SEE), é preciso desenvolver um processo formativo que traga novas linguagens, “novas intenções pedagógicas, pensando nesses adolescentes não alfabetizados, sem tratá-los com perspectiva infantilizada”.

No próximo semestre, 400 escolas já contarão com esse especialista, atendendo em torno de 30 mil alunos, segundo Adelson de França Júnior, superintendente de Desenvolvimento da Educação infantil e Fundamental da SEE. Elas foram selecionadas entre as 1.400 que enviaram projetos de atendimento a esse público, obedecendo a critérios como número mínimo de alunos por escola, além de estarem presentes em todas as 47 SREs. Segundo Adelson França Júnior, o objetivo é que até 2017 se estenda o atendimento a outras escolas.

Foram dois dias de apresentações e oficinas. Foto: Reinaldo Soares/ACS-SEE

Verônica Nunes de Carvalho, assessora pedagógica da SRE/Paracatu, disse que a expectativa é de que os alunos do 4º ao 9º anos cheguem ao Ensino Médio com formação efetiva e que permaneçam na escola. “A maior parte das dificuldades de alfabetização desses adolescentes é que do 6º ao 9º ano têm professores de disciplinas isoladas, não há regente de classe. O que esperamos há anos nas escolas é ter essa figura que compreenda a linguagem dessas faixas etárias, com experiência e foco em alfabetização desse público”.

Simone Mero, da SRE/Pouso Alegre, concorda com a colega de Paracatu. Para ela, “o professor específico, com linguagem adequada direcionada a esses alunos, é algo que esperamos faz tempo. Está muito claro que eles precisam de atendimento diferenciado”.

Maria da Conceição Patrus Ananias Pires, assessora pedagógica (SRE/Montes Claros) afirma que “pela primeira vez vejo preocupação da SEE com esses alunos do 4º ao 9ºano e levantar essa discussão sobre monitoramento dos atendimentos pedagógicos diferenciados. Esperamos sair daqui com ações efetivas a serem operadas”.

“Minha expectativa é muito grande em relação a esse seminário. Temos vivenciado no estado o grande número de alunos com defasagem de leitura e escrita e as dificuldades que os professores têm em lidar com isso por não haver método diferenciado para estudantes dos anos finais”, observa Andreza Cássia da Conceição, analista educacional da SRE/Unaí. Ela defende um programa de formação de professores, “para que a alfabetização desses alunos aconteça nos anos iniciais”.

Nelcídio Geraldo Carneiro, assessor pedagógico da SRE/Diamantina, disse esperar que as escolas que tiveram os projetos contemplados iniciem já no segundo semestre os trabalhos de alfabetização desses alunos, “para que o percurso escolar não seja prejudicado dentro daquilo que acreditamos na educação como direito, que é o aluno permanecendo na escola e que esteja realmente aprendendo”.

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