Programa amplia possibilidades educativas nas escolas, por meio de linguagens artísticas e manifestações culturais

Ação conjunta do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério da Cultura (MinC), em parceria com as Secretarias de Estado de Educação, o Programa Mais Cultura nas Escolas tem entre suas finalidades promover a circulação de cultura nas escolas e contribuir para a formação de público no campo das artes, desenvolvendo uma agenda de formação integral dos estudantes. O programa articula ainda atividades que buscam a interlocução entre experiências culturais e artísticas e o projeto político-pedagógico das escolas públicas, incrementando a criatividade existente no processo de ensino e aprendizagem.

É necessário ressaltar que o Programa Mais Educação foi um indutor para a criação do Mais Cultura nas Escolas. Os educadores estimulam os agentes culturais dos territórios a levar a cultura para a escola, através de ações intersetoriais.

Minas Gerais se destaca no desenvolvimento de uma política de educação integral, cujo teor e abrangência vêm confirmando, ano após ano, a relevância do Mais Cultura nas Escolas. As ações do programa desenvolvidas pelas parcerias entre escola e iniciativa cultural evidenciam a significância da arte e cultura para a dinâmica e currículo escolares.

Estudantes da Escola Estadual Melquíades Batista de Miranda, do distrito de São José dos Salgados, usaram a argila como material artístico. Foto: Divulgação

De acordo com o coordenador pedagógico das ações de educação integral da Secretaria de Educação (SEE), Álan Pires, o programa visa ampliar as possibilidades educativas na escola, por meio de linguagens artísticas e manifestações culturais em sua especificidade. “É importante frisar a importância do trabalho com a cultura nas escolas, mas não somente como entretenimento. Neste sentido, cabe perguntar como o teatro, a dança, a fotografia e a música, por exemplo, podem contribuir como um processo de aprendizagem dos estudantes. Queremos desenvolver com eles a sua capacidade de comunicação e leitura da sociedade, por meio da arte e da cultura”, salientou Álan.

Para o coordenador, esta ação na perspectiva da educação integral significa levar um novo olhar para o fazer educativo, indo além da dimensão cognitiva do sujeito, ou seja, abarcar o estudante em sua integralidade. Álan informou que Minas Gerais teve mais de cem escolas da rede estadual contempladas com o programa. Ele citou duas escolas como exemplo de práticas bem-sucedidas: as escolas estaduais Melquíades Batista de Miranda, do distrito de Carmo do Cajuru, São José dos Salgados, e a Patronato Bom Pastor, de Divinópolis. “Estas escolas já desenvolveram o programa e foram selecionadas para apresentar suas experiências em um livro que será publicado pelo MinC. As duas escolas também vão representar Minas numa apresentação nacional, em que foram escolhidos quatro estados da federação”, afirmou.

Encontro em São Paulo

A coordenadora geral das ações de educação integral da SEE, Rogéria Figueiredo, anunciou que será realizado, em São Paulo, entre os dias 28 e 30 de junho, o Encontro Nacional do Programa Mais Cultura nas Escolas, oportunidade em que serão debatidos temas relevantes como o impacto do programa nas escolas e a possibilidade da sua continuação. “A comunidade escolar tem que compreender a importância deste programa na formação dos estudantes. O Mais Cultura nas Escolas transformou localidades isoladas em territórios educativos e potencializou ações culturais nas diversas regiões do Estado e do país”, declarou Rogéria, frisando que “é importante não escolarizar a cultura, mas, sim, culturalizar a escola”.

Escola Estadual Patronato Bom Pastor e A Casa Arte e Cultura, de Divinópolis, participaram do Programa Mais Cultura nas Escolas. Foto: Divulgação

Desafios

Na avaliação da coordenadora-geral de cultura e territórios educativos do MinC, Vanessa Louise Batista, o Programa Mais Cultura nas Escolas tem um compromisso interministerial atrelado à educação integral (MEC) e de real importância para a superação da condição de pobreza no país, já que tem como uma das prerrogativas sua inserção nas escolas com Maioria Bolsa Família (MDS). “Sua proposta de atuação junto à rede de ensino fundamental e médio estabelece um novo arranjo que reconhece os saberes populares e o fazer artístico do território como ação promotora de uma educação cidadã, atuando diretamente no plano político pedagógico das escolas, além de fortalecer o lugar do artista na formação de jovens e crianças e fomentar o desenvolvimento territorial no que tange os processos sociais e culturais das localidades”, afirmou.

Vanessa disse também que o programa estabelece conexões relevantes com o objetivo de mudanças profundas nos processos educativos, “jogando papel fundamental na transformação social, em prol de um salto civilizatório significativo à sociedade brasileira”. “Ele abre um caminho de possibilidades para novos modelos de educação no país, incidindo diretamente no contexto econômico, social e cultural dos cidadãos e demonstrando que as políticas institucionais podem e devem instaurar novos processos e procedimentos para a valorização e reconhecimento da cultura como potencializadora da formação cidadã”, ressaltou.

Para a educadora, a arte e cultura no currículo escolar é a chance que as escolas possuem para ampliar o espectro dos estudantes em relação à dinâmica da vida planetária. “Dessa forma, é preciso que haja uma ampliação na noção de educação almejada para o país, quando o rumo é superar os processos doutrinários e subalternos que a educação brasileira carrega como herança da colonização. Um desafio a ser enfrentado e alcançado. Os primeiros passos foram dados”, concluiu Vanessa.

Projeto Joões de Barro da Escola Estadual Melquíades Batista de Miranda se destacou no Programa Mais Cultura nas Escolas. Foto: Divulgação

Repercussão das experiências

Dirigentes das escolas participantes do programa são unânimes em destacar a importância da presença da arte entre os estudantes, a fim de possibilitar a construção de uma educação integral humanizadora e emancipadora. Segundo a diretora da Escola Estadual Patronato Bom Pastor, de Divinópolis, Sônia Teixeira, é fundamental tornar os espaços educacionais locais onde aconteça a difusão da diversidade cultural brasileira. “Com a parceria da Casa de Arte e Cultura no desenvolvimento do Programa Mais Cultura nas Escolas, conseguimos promover a construção da realidade através da liberdade pessoal, levando o aluno a desenvolver seu potencial humano e criativo, diminuindo a distância entre a arte e a vida, pois acreditamos que se alcança experiência única através da diversidade cultural, da importância dos bens culturais com um conjunto de saberes”, avaliou a diretora.

Sônia afirmou que os trabalhos desenvolvidos nesta parceria “colaboram para levar os alunos a serem formadores/transformadores da cultura e da sociedade, levando a mais conhecimento do nosso povo, da nossa história e da concepção do mundo”.

Na opinião da diretora da Escola Estadual Melquíades Batista de Miranda, do distrito de Carmo do Cajuru, São José dos Salgados, Aparecida Miranda, o programa conseguiu divulgar a cultura local, trazendo os saberes da comunidade para dentro da escola. “O nosso Projeto Joões de Barro teve como material artístico o uso da argila. Essa mesma argila é usada como matéria-prima no distrito, para a produção comercial de tijolos há décadas. Desta forma, a escola, juntamente com a comunidade, deu um novo sentido para a utilização da argila, o seu uso artístico, como se viu nas belas esculturas criadas nas oficinas demonstrativas”, explicou.

Aparecida disse ainda que os resultados colhidos pelo projeto obtiveram a integração escola e comunidade, “intensificando a importância da produção artística, através dos materiais encontrados na comunidade”.

Estudantes da Escola Estadual Patronato Bom Pastor participaram das atividades com entusiasmo. Foto: Divulgação

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