Roda de conversa contou com a participação de professores, orientadores pedagógicos e representantes das 47 Superintendências Regionais de Ensino (SREs)

A partir deste ano, serão implantados nas escolas da rede estadual de ensino os Núcleos de Pesquisa e Estudos Africanos e Afro-brasileiros e da Diáspora (Nupeaas). O objetivo da Secretaria de Estado de Educação (SEE), com a criação dos núcleos, é potencializar o desenvolvimento intelectual, social e acadêmico dos jovens do Ensino Médio e favorecer a efetiva implementação das Leis 10.639/03 e 11.645/08, que incluem no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. A SEE já conta com uma proposta de configuração dos Nupeaas e para que eles possam atender a realidade das escolas mineiras realizou nesta terça-feira (21/06) a “Roda de Conversa da Afroconsciência”.

A Roda de Conversa contou com a participação de professores, orientadores pedagógicos e representantes das 47 Superintendências Regionais de Ensino (SREs). Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer a proposta da SEE para a criação dos Nupeaas e, por meio de oficinas, elencaram dúvidas e sugestões sobre o processo de implantação da iniciativa.

Em sua fala de abertura, a subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica, Augusta Mendonça, ressaltou a importância da participação dos educadores no processo de implantação da iniciativa. “Estamos reafirmando o eixo da diversidade e inclusão como norteador das nossas políticas. Os Nupeaas são a possibilidade de fortalecermos o diálogo com educadores de Minas Gerais sobre a importância de fomentarmos, no âmbito da educação, a reflexão, o debate e o desenvolvimento do trabalho científico dentro do eixo da educação para as relações étnico-raciais. A criação destes núcleos tem o forte objetivo de trazer à cena os jovens e de potencializar o desenvolvimento intelectual, social e acadêmico das juventudes”.

Roda de Conversa contou com palestras e oficinas. Foto: Geanine Nogueira ACS/SEE

 A criação dos Nupeaas é uma ação no âmbito da campanha da Afroconsciência, como explica a superintendente de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino da SEE, Iara Felix Viana. “Minas Gerais foi pioneiro quando desenvolveu a campanha da Afroconsciência e a partir daí nós desenvolvemos um monitoramento para saber se as escolas estavam desenvolvendo a lei 10.639/03 e a 11.645/08. Diante disso, percebemos uma forte demanda por formação e por capacitação dos nossos professores. Por isso, nada mais justo do que chamar para uma conversa atores que já estão nessa linha de discussão nas universidades e os professores que aturão nos núcleos”.

Ainda segundo a Iara Felix Viana, a roda de conversa foi o primeiro passo para mostrar para os educadores a importância de uma mudança de postura. “Os nossos professores não podem mais ficar centrados naqueles projetos de cultura afro-brasileira, eles têm que estar ligados à Matemática, Física, Biologia e, para conhecer um pouco, é preciso aprofundar os estudos. Essa conversa é um pouco no viés da orientação, auxiliar os professores que participarão destes núcleos sobre como construir o seu projeto para participar desse edital e construir suas turmas”, concluiu ela.

Gildásio de Oliveira Camargos é coordenador de Temáticas Especiais na Superintendência Regional de Ensino de Barbacena e destaca que o núcleos irão levar a discussão do eixo da educação para as relações étnico-raciais para todas as escolas . “O que nós estamos fazendo é esse trabalho de articulação para que em cada ponto haja professores discutindo a lei 10.639/03, os fundamentos gerais e valor da África para a nossa cultura e como isso interfere no nosso cotidiano e na nossa pós contemporaneidade”.

Já a professora de História da Escola Estadual Maurílio de Jesus Peixoto, em Sete Lagoas, Amanda Franciele da Silva, pontua que a iniciativa vai ajudar os estudantes a se conhecerem como sujeitos. “A sala de aula é um lugar fértil e os alunos são muito abertos. Essa ideia de iniciação científica no Ensino Médio é fantástica, porque eles vão se perceber como sujeitos e perceber que o conhecimento é construído. Vai engrandecer muito a qualidade do ensino escolar”.

Roda de Conversa com os NEABs

Na segunda-feira (20/06), foi realizada, no PlugMinas, uma roda de conversa com os representantes dos Núcleos de Estudos Afro-brasileiros (NEABs). “Foi uma roda uma pouco mais técnica para apresentar a proposta de como vão se desenvolver os núcleos dentro das nossas escolas de Ensino Médio. A proposta é que todas as escolas tenham um núcleo e que sejam monitoradas por professores universitários dos NEABs. Eles darão suporte pedagógico e técnico para os nossos professores”. 

Roda de conversa com os NEABs contou com a participação da secretária Macaé Evaristo e foi realizada no PlugMinas, em Belo Horizonte. Foto: Osvaldo Afonso Imprensa/MG

A roda contou com a participação da secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, que destacou que “a nossa expectativa é que a gente avance no desenvolvimento de uma agenda que crie uma conexão entre as instituições de ensino superior e o nosso Ensino Médio. Como a podemos aprender a partir dessas propostas e as formas de organização que foram sendo construídas para que isso chegue fortemente à educação básica”.

Palestrantes

A Roda de Conversa teve como palestrantes a doutora em História da Universidade de São Paulo, Vanicleia Silva Santos; a doutoranda em História Social da Cultura pelo programa de pós graduação em História da Universidade Federal de Minas Gerais, Rogéria Cristina Alves; a doutora em Linguística Aplicada pela Universidade de Campinas, graduada e mestre em Ciências Sociais, Ana Lúcia Silva Souza; a Jornalista, pós-doutoranda em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, integrante do grupo de pesquisa Midiato (ECA-USP) e professora do Curso de Especialização do Celacc (Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação) da Universidade de São Paulo, Rosane da Silva Borges; e a mestre em Ciências Políticas, educadora popular, especialista em gênero, juventude e relações raciais e integrante do Fórum da Juventude da grande BH, Áurea Carolina. A mediação foi feita pelo Mestre em História Social da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, Marcos Cardoso.

Afroconsciência

A iniciativa objetiva divulgar junto à comunidade escolar a necessidade de se trabalhar essa temática de forma permanente, permeando todos os universos disciplinares, na perspectiva de oferecer aos jovens mineiros uma leitura histórica inclusiva.

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