Estado vai receber alunos aos 6 anos de idade, a partir de 2004, para

aumentar suas chances de conseguir o sucesso escolar

A Secretaria de Educação de Minas Gerais dá esta semana mais um passo decisivo para a pioneira implantação no Estado do Ensino Fundamental de 9 Anos, com a realização do Congresso Estadual de Alfabetização, entre os dias 2 e 5 de dezembro, no hotel Ouro Minas, em Belo Horizonte. O Congresso irá reunir cerca de 1.500 professores do ciclo de alfabetização e significa o início de preparação de todos para lidar com o novo sistema, a ser implantado, a partir de 2004, na rede pública estadual e nas redes de mais de 400 municípios que já aderiram ao projeto.

Para a secretária Vanessa Guimarães Pinto, a implantação do Ensino Fundamental de 9 Anos está prevista no Decreto 43.506/03, do Governador Aécio Neves, e representará verdadeira revolução na educação pública mineira, pelo seu potencial de reverter o quadro de fracasso escolar que tem sido verificado nos últimos anos. "Minas perdeu nos últimos anos a liderança em qualidade da escola pública e é nosso dever criar as condições para recuperar essa liderança. Ao acolher o aluno mais cedo na escola, aos seis anos, e oferecer aos professores do ciclo de alfabetização melhores condições de trabalho, acredito que estamos dando início efetivo a esse processo restaurador", afirma a secretária. A secretária lembra, ainda, que esse é um dos projetos considerados "estruturadores" do Governo de Minas e tem apoio entusiasmado do Governador Aécio Neves, que já garantiu os recursos necessários à sua implementação.

O Congresso

O Congresso Estadual de Alfabetizadores é uma das ações de capacitação dos professores alfabetizadores que vêm sendo executadas pela Secretaria de Educação para implementação do projeto do Ensino Fundamental com 9 Anos de Duração, que tem como meta preparar as crianças para a alfabetização e, com isso, elevar os níveis de aprendizagem dos alunos, aumentando o sucesso escolar. Minas Gerais é pioneiro nessa proposta, saindo na frente dos demais estados brasileiros. O sistema público de ensino, englobando toda a rede estadual e as redes de mais de 400 municípios que aderiram à proposta, vai receber em 2004 cerca de 100 mil novos alunos com seis anos, universalizando o atendimento às crianças com esta idade.

A abertura do evento será dia 2, às 20 horas, na Serraria Souza Pinto e, de 3 a 5, de 8 às 16h30, no Ouro Minas Palace Hotel – Avenida Cristiano Machado, 4.001. Confira programação.

De acordo com a subsecretária de Desenvolvimento da Educação da SEE, Maria Eliana Novaes, participam do congresso professores representantes de cada um dos 414 municípios que aderiram ao programa até 30 de outubro deste ano e também dos 66 municípios que já ofereciam o Ensino Fundamental de Nove Anos. As demais vagas foram distribuídas proporcionalmente para professores das escolas estaduais de cada uma das 46 Superintendências Regionais de Ensino que irão trabalhar com os alunos de seis anos.

Nível crítico de aprendizagem

O ensino fundamental de 9 anos é uma das estratégias da Secretaria de Educação para recuperar a qualidade do ensino em Minas Gerais e reverter os indicadores que apontam problemas relacionados ao domínio da leitura e da escrita. Dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb)/2001, por exemplo, mostram que 59% dos alunos brasileiros chegam à quarta série do ensino fundamental em um nível crítico de aprendizagem, mal sabendo ler e compreender um texto simples.

"Com o congresso, pretendemos chamar a atenção da opinião pública. Temos que nos indignar com a não aprendizagem", afirma a subsecretária. Estatísticas demonstram que, em média, as crianças ficam 9,2 anos no ensino fundamental sem sucesso escolar. Aumentando uma série, o Estado pretende dar a oportunidade a professores e alunos para desenvolverem um bom trabalho em torno da aprendizagem.

Desse modo, na primeira série, haverá uma preparação para a alfabetização. "Será oferecido um conjunto de atividades indispensáveis para a aprendizagem e que propiciam a formação dos alunos, a socialização, o desenvolvimento de aspectos importantes para a alfabetização, como a linguagem oral, a discriminação auditiva, visual e motora. Os professores irão trabalhar melhor a psicomotricidade e mostrar a função social da escrita", explica Eliana Novaes.

Dimensões sociais

A inclusão de crianças aos seis anos na escola traz uma série de dimensões sociais também. São justamente as crianças de famílias mais pobres que estão fora da escola. Além disso, significará proteção às crianças e apoio às mães trabalhadoras, que ficam mais tranqüilas por ter onde deixar seus filhos.

Parceria

Para a implementação do ensino fundamental de 9 anos e organização do congresso, a Secretaria de Educação está desenvolvendo um trabalho articulado com a Universidade Federal de Minas Gerais, por meio do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale).

"Vamos respaldar o nosso trabalho no material teórico produzido pelo Ceale", afirma Eliana Novaes. São quatro cadernos que darão subsídios para discussão sobre a prática da alfabetização. Além disso, o Centro de Referência do Professor está organizando uma edição especial da revista Caderno do Professor sobre alfabetização, com artigos de especialistas.

Transmissão

A Rede Minas de Televisão irá transmitir, ao vivo, de 8 às 12 horas, via antena parabólica, para todo o Estado, as conferências do Congresso. A sintonia é polarização 6 A 1 horizontal.

Programação

O congresso está estruturado em trabalhos em grupo e discussões temáticas. Serão realizadas quatro conferências, três seminários com grupos de 150 participantes e três reuniões de 30 grupos de trabalho com 50 participantes cada. As sugestões e críticas surgidas dessas discussões em grupo serão consolidadas pelos relatores e, por meio de reunião plenária, apresentadas no último dia do congresso.

PROGRAMAÇÃO

Ensino Fundamental de 9 anos - Congresso Estadual de Alfabetização

02/1220h Serraria Souza Pinto - Abertura do Congresso Entrega do Prêmio Lúcia Casasanta – 2003

Apresentação do Grupo Instrumental Marina Silva – Conservatório Estadual de

Música Lorenzo Fernândez, de Montes Claros.

03/128h 30min - Apresentação do Grupo Musical "Cabana de Meninos"09h Conferência de Abertura - "Analfabetismo na escola?!" Antônio Augusto Gomes Batista - Diretor do CEALE/FaE/UFMG10h 30min – Conferência - "O que a criança deve aprender no processo de alfabetização?" Profa. Maria da Graça Costa Val - Faculdade de Letras/UFMG14h Palestra - "Problematizando a alfabetização" Equipe do CEALE/FaE/UFMG16h 30 min - Discussão temática - "Alfabetizando" Equipe do CEALE/FaE/UFMG

04/1208h 30min - Conferência - "Preparando a escola para a alfabetização" Prof. Arthur Gomes de Morais - Centro de Educação Universidade Federal de Pernambuco10h 30min - Palestra - "Preparando a escola: levantando questões" Equipe do CEALE/FaE/UFMG14h Discussão temática - "Preparando a escola" Equipe do CEALE/FaE/UFMG05/1208h 30min - Conferência - "Acompanhando e avaliando a alfabetização" Profa. Carla Viana Coscarelli - Faculdade de Letras/UFMG10h 30min - Palestra - "Acompanhando e avaliando a alfabetização" Equipe do CEALE/FaE/UFMG14h Discussão temática - "Acompanhando e avaliando a alfabetização" - Equipe do CEALE/FaE/UFMG16h 30min - Plenária - "Encaminhamento de Sugestões para Documentos do Congresso"18h Apresentação do coral Vox Pueri Encerramento

Prêmio Lúcia Casasanta

Excepcionalmente este ano, a Secretaria de Estado de Educação fará a entrega do Prêmio Lúcia Casasanta na abertura do Congresso Estadual de Alfabetização, dia 2 de dezembro, às 20 horas, na Serraria Souza Pinto. O objetivo do Lúcia Casasanta é reconhecer o mérito dos educadores que se destacam no trabalho pedagógico com turmas de alfabetização, pelo esforço, criatividade e sucesso alcançado na aprendizagem dos alunos. Os classificados em 1º, 2º e 3º lugares receberão, R$ 5, 3 e 2 mil, respectivamente. As escolas onde atuam também serão premiadas.

Os vencedores são: em 1º lugar, o trabalho Escola com Poesia – Laboratório de Fantasia, da professora Margareth Assis Marinho, do Instituto Estadual de Educação de Juiz de Fora; em segundo lugar, o trabalho Alfabetizar sem Medo, da professora Juliana Leite Guerreiro Arruda, da Escola Municipal Manoel Monteiro, de São Lourenço/MG; e em 3º lugar foi classificado o trabalho Ciranda da Alfabetização, de autoria da professora Maria do Carmo Silva, da Escola Municipal Padre Vicente Assunção, de Carmópolis de Minas.

O Prêmio Lúcia Casasanta foi instituído pela Secretaria de Educação em 1997. Ele recebeu este nome em homenagem à educadora mineira, autora de livros infantis clássicos como Os Três Porquinhos e a coleção As Mais Belas Histórias, considerados um marco na alfabetização de muitas gerações em Minas Gerais.

SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Enviar para impressão