Escola Estadual Antônio Corrêa e Silva, de Januária, é destaque em projeto de inclusão e na relação com a comunidade 

O dia 21 de abril de 2016 vai ficar marcado na memória do educador Odair Nunes de Almeida. Nesta data, ele recebeu a maior honraria que o Estado de Minas Gerais concede aos cidadãos brasileiros e estrangeiros: a Medalha da Inconfidência. E compartilhou o momento com grandes figuras da atualidade, como o ex-presidente do Uruguai, Jose Mujica.

Medalha da Diversidade: à esquerda, o diretor Odair Nunes de Almeida, ao lado do cantor Flávio Renegado. Na outra ponta, o estudante Arthur de Oliveira Abranches, que passou em 7 universidades americanas. No centro, a professora da rede municipal de BH, Luana Tolentino. Foto: Carlos Alberto/Imprensa MG

A indicação do educador partiu da Secretaria de Educação, que reconheceu o trabalho que a Escola Estadual Antônio Corrêa e Silva, da comunidade quilombola remanescente de Quilombo Alegre, em Januária, realiza no campo na inclusão. Como diretor da escola, Odair desenvolveu, junto com a professora Roseli Viana Santos Mameluk, atividades que contribuem para o enfrentamento das desigualdades sociais e inclusão de crianças, jovens e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

Sobre a Medalha da Inconfidência, Odair acredita que é o coroamento do seu trabalho. “Acredito que foi por todo este trabalho realizado e por toda a comunidade escolar, porque sozinho eu não faria nada jamais, pela visita que a secretária Macaé nos fez, num período de recesso escolar, mas que estava lotada de gente, que a Secretaria nos indicou. A Secretaria percebeu a efervescência e a participação da comunidade. Não há barreira entre escola e comunidade. Pra mim foi uma surpresa, claro, porque a gente acompanha nos meios de comunicação quem recebe esta Medalha. É senador, deputado, militar, empresário, e eu sou simplesmente um educador e um diretor escolar. Fico muito satisfeito”.

Pelo seu trabalho, a escola estadual recebeu recentemente o “Prêmio Desenvolvimento Educacional Inclusivo: a escola no enfrentamento das desigualdades sociais” concedido pelo Ministério da Educação (MEC). A escola ficou em segundo lugar pelas práticas de Educação Inclusiva desenvolvidas na Sala de Recursos, que envolveram todos os agentes e ambientes escolares.

Escola

A Escola Estadual Antônio Corrêa e Silva atende a 10 comunidades rurais da Superintendência Regional de Ensino Januária. A Sala de Recursos da escola funciona como suporte à aprendizagem de estudantes com necessidades especiais e dispõe de materiais específicos como livros em braile, sistema comunicação em libras, impressoras e computadores com recursos para deficientes visuais, auditivos e outras deficiências.

A professora responsável pela Sala de Recursos, Roseli Mameluk, constrói com os alunos ferramentas que facilitam a aprendizagem ao mesmo tempo em que trabalha em conjunto como facilitadora em sintonia com os demais professores do ensino regular, socializando conteúdos e espaços disponíveis.

Segundo Odair Almeida, anualmente a escola realiza mapeamento nas comunidades atendidas sobre a situação socioeconômica das famílias, necessidades para inclusão de seus entes na rede de ensino, além de um trabalho de conscientização dos pais de crianças com alguma deficiência ou dificuldade de aprendizado. “Nossa conversa é no sentido de mostrar que essas crianças têm o direito e podem levar uma vida escolar como qualquer outro estudante. Ao mesmo tempo, demonstramos as facilidades de acesso que proporcionamos ao instalar equipamentos que facilitem a utilização dos espaços escolares”.

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