Encontro foi realizado nesta terça-feira (19/04), na Cidade Administrativa

Para os povos indígenas, o dia 19 de abril – data em que é comemorado o Dia do Índio – é uma data voltada para a reflexão de suas lutas. Pensando nisso, nesta terça-feira (19/04), foram realizadas, na Cidade Administrativa, atividades do Abril Indígena. O evento que teve por objetivo promover o diálogo das comunidades com o Governo do Estado.

Participaram do evento lideranças indígenas mineiras que, além de terem a oportunidade de apresentarem suas demandas em diversas áreas, também puderam ouvir dos representantes das secretarias de estado de Educação; Saúde; Esportes; Trabalho e Desenvolvimento Social; Planejamento e Gestão; Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania; Cultura; e Desenvolvimento Agrário as políticas que estão sendo desenvolvidas para eles.

Na área da educação, as demandas apresentadas estiveram relacionadas à criação das categorias “Escola Indígena” e “Professor Indígena” e a discussão da situação dos professores indígenas ex-efetivados pela Lei 100. Diante das demandas, a secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, destacou o que têm sido feito pela Secretaria. “Desde o ano passado, nós retomamos a Coordenação de Educação Escolar Indígena, criamos uma comissão com a participação de todas as etnias e suspendemos, a pedido das lideranças, o concurso para professores indígenas, pois o edital que estava em curso não atendia as demandas das comunidades. Na comissão, nós temos a tarefa de construir um projeto de lei que trate da categoria “Escola Indígena” e que também aponte a carreira do professor indígena e mecanismos de provimento desse cargo”. A gestão da Coordenação de Educação Escolar Indígena é feita por uma indígena do povo Xakriabá, Célia Xakribá.

Atividades do Abril Indígena foi realizada na última terça-feira. Foto:  Carlos Alberto / Imprensa – MG

 

Macaé Evaristo também ressaltou a importância do diálogo que vem sendo construído com o Governo. “A nossa luta vem de muito tempo. Sabemos que nós temos um governo do campo democrático popular e que está trabalhando para que a gente possa superar uma série de dificuldades da burocracia do Estado. Estamos lutando para superar essa burocracia, mas eu acho que já é uma grande vitória poder estar todos aqui, sendo recebidos junto com um conjunto de secretários que têm um engajamento, um envolvimento e compromisso com a nossa luta”.

Para Alexandre Pataxó, da aldeia de Carmésia, desde o início desta gestão as demandas indígenas vêm sendo ouvidas e, dentro das possibilidades, atendidas, o que faz com que a expectativa de melhorias seja grande. “Nós trouxemos várias demandas e estar aqui discutindo com os gestores é um momento histórico para os povos indígenas. A gente espera que as nossas demandas sejam finalizadas, já que algumas já estão sendo encaminhadas, como na Educação, que tem um grupo para discutir a educação indígena. A nossa expectativa é muito grande”.

O Estado tem 17 escolas indígenas e duas turmas vinculadas a escolas não indígenas. O atendimento escolar indígena é feito em 64 endereços. As escolas estão localizadas em 12 municípios.

Entre as atividades do Abril Indígena esteve o lançamento dos Jogos dos Povos Indígenas de Minas Gerais, que será realizado em junho.

Lideranças se reuniram com representantes do Estado. Foto:  Carlos Alberto / Imprensa – MG

 

Jogos indígenas

A Secretaria de Estado de Educação (SEE) será parceira na realização da quarta edição dos Jogos dos Povos Indígenas de Minas Gerais. A competição, que tem o objetivo de fortalecer o desporto socioeducacional nas comunidades nativas, será realizada, em junho, na reserva Maxakali Aldeia Verde, no município de Ladainha, na região do Vale do Mucuri. Para auxiliar na realização dos jogos, a Secretaria irá investir R$ 200 mil.

Com expectativa de participação de cerca de 600 atletas a partir dos 15 anos de idade, os Jogos dos Povos Indígenas de Minas Gerais contarão com a disputa de modalidades como: derruba toco, arco e flecha, cabo de guerra, zarabatana, corrida do maracá, bodok, arremesso de lança e futebol. Os três primeiros colocados em cada esporte receberão troféus tradicionais, produzidos pelos próprios indígenas.

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