Evento foi promovido pela Universidade Popular dos Movimentos Sociais 

Com o tema “Território, Cultura, Direitos: Educação Intercultural em Minas Gerais” foi realizada, entre os dias 15 e 17 de abril, no território Xakriabá, em São João das Missões, a oficina da Universidade Popular dos Movimentos Sociais (UPMS). A ação contou com a participação de representantes de comunidades quilombolas e dos povos tradicionais. A secretária de Estado de Educação (SEE), Macaé Evaristo, também participou das atividades no sábado e domingo.

A secretária Macaé Evaristo destacou alguns pontos que são fundamentais para a atual gestão no que diz respeito à Educação Indígena. A consolidação da escola indígena com a preocupação de promover a formação do professor, realizar concurso e fazer as devidas nomeações é um desses pontos. “Além disso, temos que pensar na autonomia do professor, mas respeitando a identidade e as posições das comunidades”, afirmou Macaé Evaristo.

A secretária ainda destacou a importância da qualidade da alimentação escolar e de sua ligação direta com os produtores agrícolas locais. “É muito importante pensar como colocar esse tema na agenda escolar”, disse.

Encontro foi realizado entre os dias 15 e 17 de abril. Foto: Osvaldo Afonso/Imprensa MG

Em Sumaré, onde aconteceu uma das oficinas, ela ressaltou a transformação da escola indígena a partir do momento em que o professor passou a ser um integrante da própria comunidade. “Já tivemos importantes transformações. Mas essa é a primeira vez que a gestão tem um verdadeiro compromisso com a escola indígena. Nossa responsabilidade é avançar e ultrapassar os limites que, às vezes, a burocracia nos impõe”, declarou. Ela ainda lembrou a inciativa da gestão de implementar um processo diferenciado para a escolha de diretores de escolas indígenas e quilombolas pela primeira vez no Estado. 

Já no barreiro, local de outra oficina, Macaé falou um pouco sobre a proposta de criação da universidade Intercultural e da necessidade de garantia ao indígena de acesso e permanência no ensino superior. 

Ela ainda voltou a falar da urgente necessidade de um estreitamento entre a gestão da alimentação escolar e a produção local para fortalecimento da própria alimentação e dos produtores e garantia da sustentabilidade. 

Educadores de comunidades quilombolas e indígenas participaram da oficina. Foto: Osvaldo Afonso / Imprensa MG

Após as oficinas, a equipe da Secretaria de Educação participou da noite cultural promovida pelos vários povos participantes do evento. Na manhã de domingo, momento de sintetização das propostas, Macaé fez uma breve saudação e reafirmou os compromissos da Secretaria de Educação com a Educação Indígena. 

Segundo a coordenadora de educação escolar indígena, Célia Xakriabá, as discussões foram pautadas na resistência e na identidade dos povos tradicionais e das comunidades quilombolas. “Fomos estimulados a pensar o território de uma forma didática e a partir daí foram surgindo várias parábolas que serão usadas na carta final, que será o resultado dessas oficinas”.

Célia também destacou o desafio proposto pela secretária, Macaé Evaristo. “Ela trouxe um diálogo para a gente refletir sobre como a educação pode trabalhar mais junto com a questão da sustentabilidade, da soberania e da autonomia alimentar no território Xakriabá. E de que forma isso pode ser inserido dentro da escola. O nosso novo desafio é pensar muito mais a sobrevivência do que somente a existência”, conclui.

A proposta da Oficina foi formulada junto ao Observatório da Educação Escolar Indígena (Faculdade de Educação da UFMG/ CAPES), à Organização da Educação Indígena Xakriabá (OEIX), à Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais – N´Golo e ao Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.

UPMS

A UPMS é uma iniciativa que nasceu no Fórum Social Mundial (FSM) de 2003, com o objetivo de promover a partilha de conhecimentos e ampliar, articular e fortalecer as lutas dos movimentos sociais.

 

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